BALADA PARA UM VELHO CEDRO
BALADA PARA UM VELHO CEDRO Eu sonho um cedro que me embale o sono; Subitamente o sonho -imenso, austero... - Ver, da janela de onde sempre o espero, Rasgando o solo e, como eu sou, sem dono... Um cedro que adoçasse este abandono, Que não vergasse, sólido, sincero, Que me escutasse sempre que me esmero Em descrevê-lo, enquanto assim ficciono... Somo silêncios sobre o velho cedro, Mas se me sobra sonho, o cedro vem, Subindo sempre, se o sonhei sem medo, E, deste sonho, surgem-me outros cem, Como se eu própria ousasse ser segredo Da sementeira que lhes fez de mãe... Maria João Brito de Sousa - 27.10.2016 - 16.19h