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A mostrar mensagens de janeiro, 2020

OS MEUS OLHOS

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OS MEUS OLHOS   *   Já viram, estes olhos, tanta dor, Tanto espanto, tristeza e alegria, Que, agora, me condenam ao torpor De ver dez vezes menos do que via. *   Minh`alma ousa sair da letargia, Eriça cada espinho, abre-se em flor. Debalde o faz. Demora, a cirurgia, Muito mais do que alguém possa supor.   *   Vou despir-me da flor, tornar à pedra, Essa, na qual a flor só nasce e medra Quando tiver razões pra florescer.   *   As pedras nada vêem, nunca mentem, São tão impenetráveis que não sentem, Tão cruas que não querem nem saber. *       Maria João Brito de Sousa – 23.01.2020 – 13.12h *   Lembrando o poema METAMORFOSE, por mim escrito em 1990/91 *   Tenho alma de papoila; Mal se toca, mal se agita, Caem-lhe as pétalas todas E fica morta, despida. *   Outras vezes, a papoila, Só por força do dever, Transforma-se em rocha dura, Resiste à dor, à tortura, Nada a pode demover.   * Mas rocha bruta ou papoila, No palco fica a mulher; Eu, metamorfoseada Em anjo ou alma penada, Ora papoila, o...

AINDA A VIDA

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AINDA A VIDA   * Fosse este ainda o tempo em que eu sentia Que, tal como essa flor, desabrochava Da aridez de uma pedra nua e fria Que, em troca, não me dava quase nada...   *   Mas não. É outro o tempo e a cada dia Me descubro mais murcha e mais frustrada; Não sei sonhar se vivo em agonia, Nem florescer assim, estando vendada.   *   Nada invejo, porém. Estou velha e gasta, Mas ver-te, flor rebelde, é quanto basta Para saber que a vida vale a pena.   *   Da nudez do granito, pura e casta, És grito a despontar na escarpa vasta, Na rua ou na viela mais pequena.   *   Maria João Brito de Sousa – 20.01.20- 12.00h *   NOTA - Soneto escrito para um desafio poético lançado pelo "site" Horizontes da Poesia. Também a imagem foi retirada do desafio desta semana.       

BRINCANDO

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BRINCANDO *   Pusilânime, o velcro do sapato Abre-se e mostra a meia e expõe o pé Que disso não dá conta, que não vê, Nem sente quanto agora vos relato.   *   Quem nisso reparou, foi o meu gato Que mal assim o viu, que mal deu fé Do velcro a ir e vir como maré, Julgou ter visto a cauda de algum rato.   *   Fundem-se, gato e pé, numa só massa Que gato que se preze, um rato caça, Ainda que de velcro e cabedal   *   Ninguém tirou proveito da caçada; Escapei, mas fiquei toda esgatanhada E dei um raspanete ao animal.   *     Maria João Brito de Sousa – 13.01.2020 – 11.48h