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A MAIS-VALIA

A MAIS-VALIA * Abriu-se-me uma f´rida pequenina Que tal como as palavras foi crescendo, Tomou conta de mim, foi-me doendo, Fez-me sentir, de novo, uma menina.   Depois melhorará! É esta a sina Da vida que por cá sigo vivendo E será sempre assim, eu compreendo, Até que chegue a hora da vindima.   Rasga-se a cicatriz na carne-viva, O menino do céu chega-se a mim, Retorna-me essa imensa nostalgia   E, enquanto essa dor me traz cativa, Escrevo estes meus poemas que, no fim, São, de tudo o que faço, a mais-valia.       Maria João Brito de Sousa   -   10.02.08 - 01.35h   -