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A mostrar mensagens de março, 2010

A INEVITÁVEL ROTA DO COMETA

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Se é neste ir e voltar que me desgasto E continuo a ser um astro errante, Meu tempo de viver é neste instante Pois morrerei na luz deste meu rasto.   Quanto mais se aproximam, mais me afasto, Sempre em busca de um sol menos distante; Ó minha velha espada, ó Rocinante! (Dulcineia sou eu, que a mim me basto...)   E venham mil gigantes disfarçados De inócuas coisas, quase inofensivas, Venham dragões soprando um bafo ardente,   Venham mais mil exércitos armados Das armas mais letais, mais punitivas... Já nada existe aqui que me afugente!     Maria João Brito de Sousa - 31.03.2010       Uma Páscoa Feliz para toda a blogosfera!

A CEGADA DO BICHO-PAPÃO

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    Uma Santa Páscoa a todos os amigos que tentei, mas não consegui, contactar por email... este PEC do Sapo não está a ser lá muito pacífico, tenho sérias dificuldades em aceder ao Poetaporkedeusker e é-me praticamente impossível publicar. Ainda por cima vou estar ausente durante vários dias por dupla imposição da data e de duas consultas hospitalares. Muita criatividade para todos vós!     A Loucura, por vezes, faz-nos falta Na esquina por dobrar de uma razão... Reaceso o rastilho da paixão Reaprende-se o mar na maré-alta.   Ali, em plena arena, o velho salta Sobre a tampa irreal do alçapão Onde mora esse tal Bicho-Papão Que mete muito medo a toda a malta...   Já quase no final da estranha cena, Um corvídeo qualquer, batendo as asas, Diz que a peça não presta - e não tem pena! -   Uns tantos que o seguiram, destemidos, Debandam, tentam ir pr`a suas casas, Mas caem pelo chão, já sem sentidos...        IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

SÁBADO DOMINGO E SEGUNDA FEIRA VIII

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    A HORA DO SORRISO *   Tendo a vida virada do avesso E estando já tão perto da partida, Tenho, afinal, aquilo que mereço Porque assim se define a própria vida *   E, se a glória vier, caso demore, Que nunca tenha pressa de chegar, Só para que, depois, ninguém me chore Apenas por fingir saber-me amar. *   Agora, se sorrir, estarei mentindo Porque me dói, no corpo, a alma inteira, Porque me assumo humana e pensadora * O que me irá, decerto, permitindo Ir-me reinventando. A brincadeira Não me imporá sorrir a toda a hora. *   Maria João Brito de Sousa - 2010       UMA TAREFA LENTA...     Não tenho tempo, irmãos, que o Tempo voa; Quem vê, na Poesia,  distracção, Não é poeta e nunca foi senão Alguém que por aí verseja à toa… *   Lá longe, muito ao longe, o verso ecoa, Aproxima-se mais, pede atenção E não lhe posso já dizer que não Quando, vindo de longe, em mim ressoa. *   Flutua e vai pousar. Quedo-me atenta E espero o exactíssimo momento Em que consiga ouvi-lo e dar-lhe voz. *   Pode a ...

A CONSTRUÇÃO DA SAUDADE

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  Não partas ainda. Fica mais um bocadinho. Um bocadinho apenas, antes de te diluíres nas memórias que me não permitirão a carícia sedosa da tua pelagem riscada de amarelos de Nápoles e de outros amarelos, maduros como folhas de Outono. Nem o exacto som do teu chamamento, o calor que de ti emanava e todas essas pequeninas coisas do dia a dia de que tanto me queixei enquanto os dias eram dias antes de partires. Olha-me ainda. Repara no meu sorriso triste… tu não o sabes, mas é um sorriso de saudade adiada. Uma saudade que começou a nascer no momento em que me apercebi da inevitabilidade da tua partida e que, não tarda, se começará a esfumar na linha de horizonte das recordações. Conheço-a como às palmas das minhas mãos, sei que me será absolutamente necessária, mas não a quero neste preciso momento. Agora quero adiar-te um pouco, pintar-te na tela da alma, escrever-te no livro do Tempo com letras de tinta indelével. Fica um pouco mais... o tempo de saborear bem, de avaliar e conhecer, s...

SPIRIT II

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Quando a Morte se empenha de verdade, Dá o bote final e já não larga... Parece desistir mas volta à carga Com redobrado ardor e intensidade,   Tornou-se inevitável a partida, O extremo sofrimento é já visível E eu decido alcançar o impossível, Impondo, a todo o custo, ainda a vida...   Mas ela não desiste da disputa E reivindica o corpo que escolheu Sabendo ser mais forte, a prepotente!   E, nas últimas horas desta luta, Eu, não querendo admitir que ela venceu, Sinto-me cada vez mais desistente...         IMAGEM - "A Lágrima", Maria João Brito de Sousa, 1999       À vossa espera, no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ , mais uma novidade da poetisa Idalina Pata.

SPIRIT

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  Eu, hoje, irei além, bem mais além! Irei aonde a lua me apontar Seus mansos raios, ébrios de luar, Protectores como abraços de uma mãe.   Aquilo que fizer, farei por bem E cantarei, em tudo o que encontrar, A dádiva da Vida a começar Onde a Morte pensar que se detém.   Eu hoje darei graças pela vida Como a princesa Bela Adormecida Ao acordar do sono enfeitiçado!   E farei prova daquilo que digo! Hei-de lutar por esse pobre amigo Que a Morte pensa já ter-me roubado!       Ao Spirit     APELO - Convido-vos a visitar o http://ajudar-o-jp.blogspot.com/  . Um euro por cada um de nós pode fazer toda a diferença!

21 DE MARÇO, DIA MUNDIAL DA POESIA

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    Tu, hoje, vens magoada, vens vazia, Vens débil, vens diferente do costume, Como se consumida por um lume Que te queima e que já não te alumia…   Vens súbita e, num acto de magia, Invade-me o olfacto o teu perfume... Sou eu quem está magoada e quem se assume A tua humilde serva, ó Poesia…   Hoje quero cantar-te e é chorando Que te abraço e te aceito e reconheço Que sem ti nada sou, que nada sei   E, se hoje não cantar, cantarei quando For, por fim, meritório o que te ofereço. Mas, por ser o teu dia, eu cantarei!     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

O CAPÍTULO QUE ME ESQUECI DE LER

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Não, mãe. Não tenho remorsos. Peço imensa desculpa, mas não tenho. Bem... talvez tenha tido daquela vez em que estraguei a mochila velha para que o pai me comprasse aquela linda, linda, que combinava às mil maravilhas com o cheiro das aparas de lápis e a textura do papel Almaço que eu teimava em levar comigo para toda a parte... que idade tinha eu? Quatro, cinco anos? Lembro-me de ter pegado na tesoura, lembro-me daquele apertozinho no coração - talvez lhe chamasses peso na consciência - que senti quando cortei uma das correias. Não foi fácil. As correias eram resistentes e as minhas mãos eram tão pequeninas... mas o que custou mais foi a mentira. - Pai, a mochila velha estragou-se... Vi-o observar serenamente a velha sacola. Ainda hoje não sei se percebeu logo o que se passava, mas penso que sim... agora. Na altura disse-me, calmamente, que iríamos, nessa tarde, comprar uma nova. Fui desenhar para o quarto de brinquedos, mas não estava feliz. Nada feliz. Era estranhíssimo porque me im...

A UMA POMBA QUE TENTEI ENSINAR A VOAR

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      Minha pobre avezinha... perdoaste Este meu erro, assim, tão sem perdão? Quis libertar-te e não te dei senão Esse breve momento em que voaste   Por um instante, assim que te soltaste Do estranho abrigo que era a minha mão Embora nunca achasses salvação No asfalto da estrada em que pousaste.   Pequena companheira de quem sou, Nos bons e maus momentos desta vida, Perdoa, por favor, quem te quis bem,   Perdoa, por favor, quem te cuidou E te chorou na hora da partida Como se fosse pomba ela também.       Maria João Brito de Sousa - 18.03.2010 - 14.41     À Hope, que partiu ontem à hora do almoço.

ALMA DE ÂNCORA

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Ó alma, onde estás tu que te não sei? Os passos que eu já dei pr`a te encontrar... Minha janela aberta sobre o mar Que agora se fechou, mas que abrirei.   Minh`alma já sem medo onde guardei As asas de albatroz que ousei sonhar No espectro de mil raios de luar Que me levou além do que sonhei...   Minh`alma, meu tesouro de além mundo, Terraço ajardinado aberto em flor Sobre tudo o que aqui me vai prendendo...   Minh`alma sobre a luz de que me inundo, Milagroso placebo contra a dor A que fico ancorada, a que me prendo...     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

ESTRANHA SOBREVIVÊNCIA

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Impôs-se-me uma lágrima e chorei... Chorei como quem chora a própria vida! A lágrima era o ponto de partida Desse poeta em mim que então soltei...   Mais lágrimas rolaram... mais de mil, Seguidas por mais mil que não paravam. Fui lágrimas de mim que em mim rolavam Até redesenhar o meu perfil...   Depois nasceu a vida aberta em flor Onde antes eram lágrimas de dor E este poeta em mim sobreviveu...   Ah! Como é louco e estranho o meu destino! Sobreviver à morte de um menino E alcançar, depois, o próprio céu!

POETAS DO PORVIR

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Poetas por nascer; eu nada sei Desse futuro incerto... o vosso tempo... Mas lanço sobre vós o olhar atento E sei que cantareis como eu cantei!   Poetas do porvir; quanto eu sonhei Ouvir no vosso canto o sentimento Dos versos que cozinho em fogo lento E são manjares que nunca provarei...   Mas é por vós que canto e que me assumo Poeta desenhada a fio de prumo Neste imenso jardim da Poesia!   Por cada um de vós serei semente E farei do futuro o meu presente Pois adivinho em vós tudo o que queria!     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

A MULHER INTERROMPIDA

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Não foi assim tão antigamente... Foi há cerca de um tempo Mais duas metades de dois tempos meios. Uma voz amiga, certamente, Embora longínqua, perguntou por mim E eu, tão confusa, não me conhecia... Sou mulher de um homem, Respondia. E a voz insistia: - Mulher, quem és tu? - Sou a mãe de um filho que não mora cá E de três meninas que me querem muito, Apesar da culpa, apesar de tudo... E a voz repetia: - Mulher, quem és tu?   E eu iria jurar que não mentia quando respondia: - Eu sou essa mãe, apesar do luto!   A voz não cedia quando perguntava Do Espaço, do Tempo e outras coordenadas: - Ó mãe dos teus filhos, diz-me quem és tu! Onde moram as tuas horas carnais? Onde guardas o corpo quando sais E voas em busca do filho perdido? Que fazem essas tuas mãos? Que estrelas tão negras trazes no olhar? Que morte tão estranha te veio buscar E esqueceu teu corpo entre os teus irmãos?   E eu respondia Sem me aperceber Que me descrevia sem me conhecer: - Sou a mulher do meu homem E a mãe das minhas ...

TALVEZ

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  Talvez nas ilusões  deste hemisfério A lua seja toda em Camembert, Eu seja um mineral quando quiser E o meu Ego o centro deste império…   Talvez seja exequível não sonhar Com esta humana essência em desatino E talvez, no futuro, o meu destino Seja aquele que uma fada me apontar…   Talvez seja “talvez” todos os dias E nem por um momento haja certezas, Razões pr`a caminhar ou convicções…   Talvez das ilusórias ironias Surja um castelo cheio de princesas Guardadas por maléficos dragões…  

OS MERCADORES NA FEIRA

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      São dias de ir ao banho e pôr os laços Os tais dias de feiras e mercados, Em que homens e mulheres, engalanados, Irão vender o fruto dos seus braços…   Já se trocam batatas por nabiças E há beijos mordidos pelos cantos… [no meio da balbúrdia caem mantos às cachopas que vendem hortaliças…]   São os dias de Feira nas aldeias. O mulherio esforçado só se anima Quando o coreto arrosta em sinfonias   Com os pregões acesos nessas veias. À tardinha o poeta acende a rima E afogam-se, no vinho, as “valentias”…  

CADA VERDADE

    Agora que os milénios se passaram Sobre as glórias do império de uma infância Recordo, debruçada na distância, O muito que esses tempos me ensinaram.   O tanto que então lia e pesquisava, As construções das cores e dos grafismos E a dissecação dos silogismos Em que uma maioria acreditava…   As coisas que aprendi, as que sonhei, As que nunca pensei `inda aprender E os sonhos construídos na vontade…   Hoje procuro ainda o que não sei Nos mais fundos recantos do meu ser Onde alcanço encontrar cada verdade.     Maria João Brito de Sousa - 09.03.2010          

UMA MORADA POR DETRÁS DO ESPELHO

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  CONVITE - Entretanto, vamos dançando o tango no   http://www.avspe.eti.br/eventos/eventota ngo/lista.htm     Quase todos os homens têm     Uma morada por detrás de um espelho.   Nem todos se aventuram A pernoitar nela, Mas todos a construíram Com maior ou menor Grau de esforço e consciência.   Quando a tormenta Abala a morada visível, A maioria refugia-se Na casa que o espelho protege Embora Em quase todos os casos O espelho reflicta a própria tormenta…   Noutros, porém, a tormenta Nunca chega a atingir A superfície de quase todos os homens Que se aventuraram a reflectir.      Poema reeditado para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

NOBLESSE OBLIGE I e II

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          PEQUENA INTRODUÇÃO - O post de hoje nada tem a ver com os padrões a que eu ,religiosamente, venho tentando submeter este blog sobre soneto clássico. É claro que os sonetos vão estar cá, mas foram escritos apenas numa perspectiva de "noblesse oblige"... quando comecei a escrever o primeiro a única coisa que me apetecia fazer era jogar um joguinho de xadrez com o 2008, o computador... depois achei imensa graça ao primeiro e nasceu-me um segundo, mas eu não me conseguia esquecer das "tareias" que o 2008 me tinha dado sempre que eu tentara mostrar-lhe que trinta anos sem jogar me não haviam transformado na perfeita atrasadinha mental que ele insistia em transformar-me ao vencer-me tantas vezes... e consegui! Ontem à noite resolvi "roubar" um tempinho às minhas tarefas rotineiras - que são muitíssimas, por estranho que possa parecer a alguns de vós - e, em cerca de meia hora, dei xeque-mate ao 2008! Façam favor de comemorar comigo! Agora já não me co...

TANGO

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        Um tango… só o posso conceber Num contexto profundo e passional, Temperado de emoção quase irreal Na descontinuidade do meu ser…   Entre beijos – ou ódios e traições? – Num abraço que excede a sua essência, Desdobra-se esse tango à transparência Dos rostos despojados de emoções.   Revela-se um desejo imponderável Na lâmina de um gesto tão preciso Que ultrapassando a música se estende   Por corpo e alma  de onde, inconfessável, Desabrocha, por fim, esse sorriso Que, amargo e doce, o tango reacende…   Maria João Brito de Sousa - 03.03.2010 -11.39h       IMAGEM RETIRADA DA INTERNET     Soneto feito para http://www.avspe.eti.br/eventos/eventotango/lista.htm

POETAS PEDEM PALMAS QUANDO MORREM

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  Poetas pedem palmas quando morrem. Pedem palmas e flores por ter vivido Mesmo que nunca tenham conseguido Ganhar, na terra, o pão que os outros comem.   Mil coisas comoventes nos ocorrem Quando parte um poeta conhecido E, ainda que ninguém o tenha ouvido, Os versos ficarão p`ra que o não chorem…   Poetas pedem palmas na partida, Pedem sorrisos e pedem poemas, Pedem, serena, a paz de outra alegria.   Por isso é que eles passaram pela vida Sobrevivendo sempre aos seus problemas Mesmo em faltando o pão de cada dia.       IMAGEM DE TELA DE JUAN MIRÓ RETIRADA DA INTERNET

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA V

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        AMOR TAMBÉM É   Amor é também este latejar Das asas invisíveis do meu peito, Das asas de cristal com que me enfeito Quando faço um poema e sei voar.   É também este estar sem nunca estar E esta aspiração ao Ser Perfeito, Quando a noitinha vem, quando me deito Debaixo das cobertas do luar.   E tudo quanto vive e me rodeia Se vem deitar comigo e, num abraço, Nos recomeça o sono e viajamos.   Todos os rituais desta alcateia São feitos desse amor, como se um laço Unisse árvore mãe aos filhos ramos.     A TEORIA   Já vos contei das almas pequeninas Que há por detrás de cada ser vivente? Já vos falei do que é mais transcendente No vislumbrar das almas clandestinas?   A vós que acrescentais obras divinas A tudo o que acontece e, de repente, Esqueceis o que, no fundo, é mais urgente Por ser inseparável destas rimas,   Vou contar um segredo tão secreto Que é bem possível que me não escuteis, Que penseis que tudo isto é fantasia…   Mas faz parte do mundo, é bem concreto E existe pa...