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A mostrar mensagens de janeiro, 2009

NAQUELE RETRATO

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Acordou mais cansada do que o habitual. Era uma sensação de peso que não conseguia entender e muito menos definir. O simples levantar, revelou-se-lhe uma manobra complexa e algo dolorosa. Estranhou e, incapaz de o   entender, registou e prosseguiu em direcção à cozinha. Sentia. Sentia de uma forma que não a de todos os dias. Sentia-se, acima de tudo. Já no corredor, olhou casualmente para o lado e parou tão abruptamente que o corpo acabou por lhe embater  ruidosamente contra a mesinha de apoio sob o espelho com que acabava de encarar. A dor foi prontamente abafada pela surpresa. Não se reconheceu na mulher idosa e assustada que via na superfície polida.   …E morriam-lhe as mãos pelas curvas do rosto Na surpresa nascida de quem se conhece E descobre o sol-posto Do então que amanhece...   Sorriu a custo, meneou a cabeça e levou as mãos aos cabelos brancos e já ralos que, poucas horas atrás, haviam sido a farta cabeleira negra que apanhara numa trança antes de se deitar. Como era possível...

A PERFEITA OCUPAÇÃO DAS HORAS

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  No corpo inacessível de um poema Mora o ritmo, sereno ou agitado, Que fala da virtude,  ou do pecado, E faz com que escrevê-lo valha a pena.   Essa alma musical que assim me acena A seduzir-me o corpo já cansado, Virá trazer-me o verbo inesperado Que me preenche e torna mais serena   E vai-se esse  vazio que então crescia Mas fica-me o fruir do que se faz Nas noites renovadas como auroras   Em que me torno amante da Poesia E concebo o poema que me traz Uma perfeita ocupação das horas...     Maria João Brito de Sousa - 30.01.2009 - 23.58h     Tela de Pablo Picasso   I magem retirada da internet

AUGUSTO!!! (ou DESSINCRONIZAÇÃO)

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Augusto, quão sereno e natural Me deste essa notícia fulminante: - Mudei-lhe a chavezinha! Num instante, Na conta, volta tudo a estar nomal!   Augusto, tu nem sabes quanto mal Já fizeste ao meu ego vacilante! O Poema é, pr`a mim, um diamante, Tábua de salvação, amor total!   Augusto, quão perdida me deixaste Por essa decisão que então tomaste E que abalou a minha identidade!   Sei que não foi por mal! És prestativo... Eu é que já nem sei se sobrevivo A tal demonstração de caridade!!!   Maria João Brito de Sousa -  29.01.2009     Imagem retirada da internet   NOTA - Este soneto humorístico "nasceu-me" e não resisto a publicá-lo... quero, no entanto, deixar bem claro que nenhuma má vontade me move ao publicar esta "brincadeira" e que entendo perfeitamente que este tipo de pequenas dessincronizações podem acontecer a qualquer um e não impedem que eu esteja muito grata a quem me acudiu num momento de aflição. Ninguém, senão eu mesma por evidente precipitação, teve culpa...

UM POST DIFERENTE... O POETA NO PRELO!

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Peço, desde já, desculpa a todos os que ainda não avisei e a todos os que, respondendo a comentários, acabei por avisar mais do que uma vez... Não, não está "ainda" à venda, mas já está no prelo e já se aceitam encomendas. Aonde?   No http://autores-editora.blogs.sapo.pt/   Se me sinto feliz? Ah, sinto pois! Feliz, orgulhosa e grata a todos os que tornaram possível este meu sonho de ter um livro escrito por mim. Porque as árvores já eu plantei e os filhos já eu pus no mundo... Não sei ainda quando haverá apresentação da obra, mas não podia deixar de partilhar convosco esta minha felicidade! Obrigada!     AVISO - Hoje no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/   há um desafio "pecaminoso" à espera de alguns de vocês. Se quiserem e puderem, façam o favor de dar um pulinho até lá...  

A DOIS PALMOS DE MIM

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  A dois palmos de mim, o Infinito Aonde o horizonte se desdobra! É lá que surge o sonho e nasce a obra… Além, nessa montanha de granito   Aonde vive aquilo em que acredito, Onde a minha coragem se redobra E a mais louca verdade não soçobra Porque se prende àquilo que foi dito...   Se essoutro desalento `inda persiste Porque o real impõe velhas fronteiras Ao mundo que me quer aprisionar,   A dois palmos de mim já não existe Esta prisão de abismos e barreiras Nem muros que me possam limitar… Painel de Maria Helena Vieira da Silva   

POR UM SORRISO DE CÃO...

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  No cômputo final da situação, Tendo cumprido meia caminhada, Quando desanimava, já cansada, Galgando as pedras deste mesmo chão,   Reparo, de repente, neste cão. Que meiga criatura, que engraçada! O cãozito a olhar-me... eu, cativada, Afaguei-lhe a cabeça com a mão...   Nasce o sorriso em mim e tudo muda! Sem que houvesse qualquer humana ajuda Tornou-se o meu caminho bem mais leve!   Que olhar tão terno, puro e cativante! O caminho, que ainda era distante, Tornou-se, num segundo, um salto breve...     Fotografia tirada (por mim) com o telemóvel  

O SEGREDO

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Sabia que teria de fazer aquela caminhada. O corpo recusava-lha, antecipando as dores, a vontade negava-se-lhe como se, repentinamente, quisesse tomar o controle de si. Mas impunha-se-lhe aquela caminhada e ela meteu pés à calçada apesar das pontadas incipientes, do frio e da chuvinha constante, irritante, teimosa.   No início caminhou sem maiores dificuldades do que a de sentir o corpo invadido pela teimosia da chuva que se lhe colava à roupa, num primeiro e insistente aviso. Depois foram as poucas forças que se foram gradualmente recusando a mover-lhe os passos e, logo a seguir, as dores que vieram coroar esta sinfonia de desconforto. Tornava-se-lhe o corpo pesado como uma árvore que, a cada momento, ganhasse raízes mais e mais fundas, que mais e mais profundamente a prendessem ao chão. Ah! E havia, ainda, o Segredo. O Segredo que constantemente bailava em torno dos poços de palavras - agora confusas - que lhe inundavam o corpo inteiro e lhe pediam para nascer. Não trouxera o caderni...

A APARÊNCIA

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  A APARÊNCIA   Sou, aparentemente, descuidada. Não cuido do cabelo, visto mal, Numa estranha tendência natural Que me não preocupa mesmo nada...   Por dentro muda tudo! Empenhada, Eu zelo pela alma! E é tão total O zelo que dedico a obra tal Que trago sempre a alma imaculada!   Não pensem que apesar desta aparência Não cuido do meu duche da manhã! Só um corpo bem limpo me merece!   Aqui assumo a minha incoerência: Passo a vida na água, como a rã, Porque nem tudo é o que parece...     Imagem retirada da internet   

O FIO DE ESPARGUETE

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Rolinho de água pura e trigo rijo A voltear no fundo da panela, Numa dança irreal, mas muito bela, Obedediente àquilo que lhe exijo...   Este fio de esparguete é dançarino No último degrau duma  jornada; Despede-se, dançando enquanto nada A preparar seu último destino....   E baila enquanto ferve e vai rodando Enquanto a água quente o vai moldando E o vai levando ao ponto de alimento...   Parece que está vivo... e talvez `steja!? Quem pode garantir que me não veja, O esparguete que dança em fogo lento?     Maria João Brito de Sousa - 20.01.2009 - 22.50h   Este soneto sofreu uma ligeira alteração em relação ao original, feito alguns minutos atrás. O final ideal, em termos de ritmo, é o que agora publico.    

A FACTOTUM

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  Eu, que já fiz de tudo e mais um pouco, Mantenho este princípio que é inato: Nunca vender, nem caro nem barato, O meu Ego profundo, o tal que é louco...   Não quero mudar nunca nem tampouco Aceitando, do mundo, o desacato, Viver mais caladinha do que um rato Que more num buraco do reboco...   Pintora, quando Deus assim quiser, Hei-de dizê-lo ao mundo, a toda a gente, Venha lá o azar ou venha a sorte...   Poeta porque Deus assim o quer, Não há outro caminho que me tente! Eu hei-de ser poeta até à morte!    A  B.O.  

NESSA CASA

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  Nessa casa Os dias eram maiores... As coisas eram, invariavelmente, vivas E os vivos eram, pontualmente coisas. Os medos e as revistas da novela Arrumavam-se, sempre, No quarto da criada E as patologias Dentro dos livros Havia sempre livros Nunca demasiados, contudo, E as paredes Eram cúmplices Dos meus infantis murais. A enorme janela da sala A poente Convidava A vespertinos arroubos Da criação Que seria, sempre, A Senhora da casa. Depois havia mais casas Parecidas, mas muito diferentes A seguir era o Tejo Aonde encontra o mar. O Sol Punha-se, sempre, A nascente dessa casa, Onde nasciam os abrunheiros. As memórias Tomavam chá connosco E jogavam às cartas Nessa casa. Para além dela O mundo era diferente... No fundo O mundo era apenas Uma consequência dessa casa Nessa casa. Nessa casa escrevi, Pintei e desenhei Como hoje desenho, Pinto e escrevo Sempre que reinvento essa casa Nesta casa onde sou Consequência de mim Nessa casa.       Poema dedicado à Ligeirinha   Imagem retirada da int...

A CARTA MANUSCRITA

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Levantou-se e espreguiçou-se tão demoradamente quanto os latidos do cão lho permitiram. Não teve tempo de passar pelo W.C. Não teve tempo para mais nada. Abriu a porta, segurou o molho de chaves e desceu com o animal que mostrava, agora, a sua impaciência através de estridentes e consecutivos ganidos. A porta da rua parecia mais pesada do que nunca. Teve de empregar toda a sua força para conseguir abri-la e ficou a olhar o pequeno animal que, entretanto, saíra em disparada. Faltavam os outros todos, pensou. As manhãs sucediam-se-lhe num ritmo constante mas alucinado… demasiado para os estragos que o tempo conseguira já provocar no seu corpo, admitiu. Ao longe o cão perdera-se entre os buxos que revestiam os canteiros das palmeiras. Lentamente, como quem levanta o peso insuportável de uma mão que vai em busca da última e inevitável conta, abriu a caixa de correio. Nada de contas, desta vez. Pequeno, ocupando metade do espaço habitual e bem conhecido das cartas do gás e da electric...

O RASTO DO COMETA III

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Não sei se foi de noite ou foi de dia Nem se passaram horas ou minutos... Sei de palavras cheias como frutos Do sumo de viver com que escrevia...   Não sei se se passaram doze meses, Se foram as palaras que passaram... Sei versos, sei poemas que pulsaram Entre sorrisos, lágrimas, revezes...   Em tudo o que, a correr, passou por mim, Como se houvera sido sempre assim, Como se tudo fosse natural,   Sobrou-me um travo amargo de Passado Sobre a alegria sã de ter tentado Redesenhar-me em traço virtual...     Imagem retirada da internet      A todos os amigos que me têm perguntado pelo meu poema no http://poeiaemrede.no.sapo.pt/ gostaria de avisar que acabo de enviar "A Menina em Mim". Não nasceu em soneto, mas é um poema e essa menina sou mesmo eu, desde que me conheço. Dedico-o a todas as crianças do planeta e a todos os que souberam manter vivos os meninos dentro de si. A todos vós e à equipa do Sapo que teve esta brilhante iniciativa, o meu abraço de cometa!    

CIENTISTA PORTUGUÊS DESAPARECIDO EM BERLIM! Apelo urgente

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http://www.100nada.net/apelo-2/2009/01/14/   Peço a todos os meus amigos que cliquem no link e divulguem ou dêem a sua sugestão, se forem conhecedores de algo que possa contribuir para o aparecimento de um jovem cientista português desaparecido em Berlim.   O assunto é sério!       Apelo via Trapezio e Jonasnuts

BRAÇO DE FERRO

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Ou o braço se quebra ou eu rebento! E, se acaso rebento, o que farei Às palavras que nunca vos direi Daqui, desta cadeira em que me sento?   Que farei de mim mesma? Se há talento, Se o verso surge então, que vos darei? Ou o braço se quebra ou eu nem sei Se me resta tentar ou se nem tento...   Estou num braço de ferro e sem certezas De ter ou não razões para lutar, De ser justificado o meu cansaço...   Não meço, nunca, forças ou grandezas! Ou o braço se quebra ou vou ficar Pr´a sempre a depender deste meu braço...      Imagem retirada da internet  

FELIZ ANIVERSÁRIO, POETAPORKEDEUSKER!

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Um ano! Doze meses de viagem De palavras, de versos, de amizades! Aqui se criou vida! Estas verdades Ficam na transparência de uma imagem.   Tantos dias! Palavras de coragem... Se agora desistir sinto saudades... Resisto pois! Há mil afinidades Partilhadas em jeitos de mensagem...   Amizades sentidas sem se ver Mas que tanto nos dão a conhecer Não se perdem num pouco de cansaço!   E descoberto o que é essencial Sente-se muito mais do que o normal... Aqui vos deixo agora o meu abraço!     Maria João Brito de Sousa, 2009   Cansada e um bocadinho "pitosga" (ainda não encontrei os óculos que perdi esta manhã, sem sair de casa...) senti que não podia deixar de assinalar o pimeiro (isto é que é esperança!) aniversário do poetaporkedeusker... lá me nasceu este soneto, directamente nas teclas.. porque este blog foi criado a pensar no senhor Soneto! Provavelmente não irei - pontualmente - ter a habitual assiduidade que sempre dediquei aos blogs que faziam o favor de visitar o Poeta......

SABE LÁ...

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   SABE LÁ... *   Não sabe se é soneto o que escreveu... Não sabe e não se importa. Está cansada. Corre o tempo ao contrário pela estrada Do traço que traçou e que era seu *    Não sabe se é soneto ou se não é Nem sabe o que é que os outros vão dizendo, Mas não sabendo nada, vai podendo Naufragar nestes versos. E tem fé.  *   Vai-se lembrando ainda, vagamente, De tudo o que deixou por entre a gente, De quanto ninguém nunca lhe pediu *     Vai-se lembrando, enquanto se não esquece Do que ainda quer dar a quem merece Sem sequer entender que já partiu. *   Mª João Brito de Sousa 12.01.2009 ***          

SÓLIDOS GEOMÉTRICOS (do traço, da forma e da cor)

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  Há rectas, nalguns corpos feitos linhas, A rodar, a girar sobre os seus eixos, A darem vida própria aos próprios seixos, E às pedras, quando as pedras são sozinhas,.. Há traços verticais, há curvas mansas, E arestas mais ousadas, mais secantes Em corpos que se abraçam como amantes, No doce rodopio das suas danças... Há tons pastel que os moldam, que amaciam As novas perspectivas que recriam, De novos corpos, novas projecções E os rumos que essas linhas vão traçando, Já, linha sobre linha, vão gerando Formato, identidade e concepções... Maria João Brito de Sousa - 11.01.2009 - 01.12h      

UMA ESTRELA NO PONTO EM QUE SE CRUZAM REALIDADE E FICÇÃO

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Decidira não morrer ainda. Ninguém lhe deu muito crédito. Afinal coubera-lhe a sorte de nascer com quatro patas e locomover-se na horizontal dos caminhos, embora com uma graciosidade que fazia inveja a muito boa gente. Mas com ou sem alheios créditos, decidira não morrer ainda. E depois havia a Estrela. Aquela que mais parecia um cometa porque desenhava, no seu rasto, a exactíssima fronteira onde a Realidade se encontra com a Ficção. Nesse momento pouco lhe interessava que que outros a conhecessem. Bastava-lhe partilhá-la com aquela humana que com ela coabitava. Não fora de ânimo leve que tomara a decisão e, com o distanciamento dos dias e anos, parecia-lhe evidente que jamais a teria tomado se não fosse a tal Estrela... Sentia e, naquele imenso universo de sensações que compunham a parte não palpável mas sensível do seu pequeno ser, surgiu, nítida, a memória de ter cumprido o seu papel de mãe. Não-biológica, é facto, mas a Estrela dos Acasos trouxera até si um filhote de alheia paridu...

UMA PONTE SOBRE A SOLIDÃO

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Paguei o preço desta solidão Com sangue - do real... - e muito choro E esta velha casa, aonde moro, É a ponte que ergui sobre a paixão.   Já velha, tem do tempo uma erosão, Tão cheia do amor com que a decoro, A casa onde escrevendo me demoro Nas horas de viver nesta ilusão.   Onde começo eu e onde finda Esta casa já gasta mas tão linda Que ergui num espaço-tempo sem fronteiras?   Parece que respira, que tem vida, Esta pequena ponte construída Entre afectos, poemas, brincadeiras...     Imagem retirada da internet  

DECRETOS LEI (soneto muito surrealista)

LEGISLAÇÃO  * Decreto o fim-do-dia ao pôr-do-sol E o nascer do sol a cada aurora... Proíbo as agressões a fauna e flora E as almas conservadas em formol. * Legislo quanto baste... e pouco basta! Decreto ser quem sou, não sendo mais Do que os gatos, os cães ou os pardais: Decreto a abolição de raça e casta!   Decreto a felicidade entre os humanos, Fomento a reinvenção do pacifismo E declaro a extinção de dor e medos!   Imponho, ainda, o fim dos desenganos E a prática legal do socorrismo A toda e cada mão que tenha dedos. * Mª João Brito de Sousa Janeiro, 2009 ***            

ANO NOVO!

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Eu tenho um Ano Novo à minha espera. Um Ano do País do Faz-de-Conta, Um Ano dos antigos, que remonta Ao Tempo Unificado da Quimera.   Eu tenho um Ano Novo muito antigo! Um Ano ao qual o Tempo se rendeu, Um Ano todo vosso - embora meu... - Que é cais e porto e me serve de abrigo.   Não fora o Faz-de-Conta e talvez fosse O Ano que outro tempo um dia trouxe Para abrigar as almas dos meninos...   Faz de conta que o Ano é de verdade... Faz de conta que a própria humanidade Comanda - faz-de-conta... - os seus destinos...     Imagem retirada da internet  

O TEMPORAL

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    Ressoa, soa, soa, o pé-de-vento, E zumbe, zumbe, zumbe, a ventania... Há pouco, ainda há pouco, não chovia, Só do vento se ouvia esse lamento...   Já gélido, o tremendo temporal, Cai sobre as casas mansas, pacientes E gelado nos faz bater os dentes, Irredutível, incondicional…   Homens e animais se vão gelando, No sopro desse vento comungando O destino de tanto desconforto.   Homens e animais ficam unidos, Quando apanhados tão desprevenidos, Na procura comum do mesmo porto...     Imagem retirada da internet        

SOBRE A NUDEZ CRUA DO PECADO...

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Sobra-me de alma e falta-me saúde... São coisas desta idade indefinida, Quando se passa além da meia-vida E não mais a pujança nos ilude...   São coisas que, pensadas amiúde, Vos falam da Mulher-Interrompida, Da que voltou por si (ou foi trazida...) De um outro espaço doutra latitude...   Sobra-me um somatório de ilusões, De rastos-de-cometa, sensações De algo que se passou sem ter passado.   Sobram-me, de mim mesma, mil pedaços Que transformei em manchas e em traços Sobre a crua nudez do meu pecado.     Imagem retirada da internet   Pormenor de: "Sobre a nudez crua da Verdade, o manto diáfano da Fantasia"     Estátua de Mestre Teixeira Lopes, representando Eça de Queiroz estendendo sobre a Verdade  o ténue manto da Fantasia.