PENDE DE CADA ANZOL UM PEIXE VIRTUAL
PENDE DE CADA ANZOL UM PEIXE VIRTUAL * (Em verso alexandrino) * Amo o azul do mar, o verde da planura E quanto da lonjura alcança o meu olhar... Serei escrava de um lar que no mar se procura Enquanto esta loucura assim me subjugar * E, sem me rebelar, nem fraca, nem perjura, Ainda que imatura aceito este invulgar Destino de varar um mar que só me augura Os ventos da ventura em que hei-de naufragar. * Ao longe, pedra e cal, brilha um velho farol, Branco como um lençol todo tecido em sal E se me saio mal porque um raio de sol * Derrete e faz num fole esta rota ideal, Há colisão real dos estros sem controle; Pende, de cada anzol, um peixe virtual. * Maria João Brito de Sousa - 15.06.2020 - 16.09h Gravura de Pieter Bruegel retirada daqui