CONVERSAS À JANELA * (entre sonetistas) * Grafando letra a letra e lentamente, Compões o teu soneto extraordinário, Ditado por tu'alma, o santuário Onde germina a imortal semente. * E nesse curto espaço inconsistente, Tu dás a dimensão de um grã-sacrário Com a pedra angular num campanário Tangente em vibrações que a alma sente * Com a grandiosidade do que dizes, Tendo a semente com suas raizes Na alma e os sobranceiros, grandes ramos * Nossas almas sombreiam, com matizes Tão multi-coloridos quão felizes Nós nos tornamos quando o escutamos! * Laerte Tavares ********* Falham-me os olhos, vão falhando os braços E até o coração me vai falhando Inda que sobre as teclas vá teimando Em ser mais forte do que os meus cansaços. * Se galopa o soneto em seus compassos, Este, coitado, nem sequer trotando Se soube construir. Foi-se apoucando Na lentidão dos débeis ou madraços... * Mas lá se construiu, pese este peso Que o prende a tudo aquilo que eu desprezo, Rastejando, talvez, mas não vergado ...