PARTIR SEM TER SONHADO
Eu com a Nice 1956 PARTIR SEM TER SONHADO * Sou apenas um bicho, um bicho humano, Diurno, persistente, ensolarado, De corpo estoicamente habituado À dor do desconforto, ao desengano * Às coisas que me vão causando dano E a outras que me vão criando enfado, Mas comigo convivem, lado a lado, Ao longo do percurso, ano após ano * Se o digo, é por senti-lo e, sem cuidado, Dispenso-me indagar se, sendo, agrado, Ou se erro por não ter traçado um plano * Mas caia, ou não, a nódoa em alvo pano, Nunca direi que estou sem ter cá estado, Nem que daqui me vou sem ter sonhado. * Maria João Brito de Sousa 19.01.2015 -23.45h ***