O FRUTO DO OVO
Que pássaro voou? Que lume acende, Neste terreno palco, uma vontade Que não desiste nunca e se não rende Enquanto não alcança a liberdade? Que absurdo gesto nega e se não vende, Que lágrima a sulcar-me esta saudade Me traz quanta vontade aqui me prende? E quem me diz a mim que isto é verdade? Foi a asa de um anjo imperativo Que, apontando este espaço onde me vivo, Me pediu para olhá-lo desde os céus, Ou o fruto de um ovo, aceso em chamas, Trocando as tibiezas que proclamas Por quanto eu não conheço e chamo Deus? Maria João Brito de Sousa