CADA VERDADE

 


 


Agora que os milénios se passaram


Sobre as glórias do império de uma infância


Recordo, debruçada na distância,


O muito que esses tempos me ensinaram.


 


O tanto que então lia e pesquisava,


As construções das cores e dos grafismos


E a dissecação dos silogismos


Em que uma maioria acreditava…


 


As coisas que aprendi, as que sonhei,


As que nunca pensei `inda aprender


E os sonhos construídos na vontade…


 


Hoje procuro ainda o que não sei


Nos mais fundos recantos do meu ser


Onde alcanço encontrar cada verdade.


 


 


Maria João Brito de Sousa - 09.03.2010


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Oi Maria

    É sempre importante buscar encontrar no fnco do nosso ser a verdade, seja ela qual for.

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, sem dúvida. A verdade é que este soneto é filho único de três ou quatro dias... eu sei que não era muito "normal" produzir tantos sonetos quanto eu produzia, segundo todas as regras métricas, etc, etc... mas já me tinha habituado ao "ritmo" acelerado e agora parece-me um pouco estranho estar assim, desinspirada... mas pronto! Isso é que é mais "normal" ... a ver vamos se o Kico melhora e eu fico mais disponível em termos "energéticos"... isto pode parecer palermice, mas é assim que eu funciono... e tanto quanto me foi dado conhecer de outros poetas e criativos, também...
      Abraço GDE!

      Eliminar
  2. Hmm... aquele último verso, «Onde alcanço encontrar»... não se repete um bocado?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu já vou ver, Talvez... não, não se repete. É um soneto fraquinho, não tem a força de muitos dos outros, embora esteja formalmente correcto, mas esse "alcanço encontrar" é mesmo para estar onde está. Podemos tentar encontrar sem o conseguir e, nesse caso, não alcançamos encontrar... não será muito comum na linguagem oral do dia a dia, mas é perfeitamente aceitável em poesia.
      Abraço!

      Eliminar
    2. Então seria com o sentido de «Onde almejo encontrar»?

      Eliminar
    3. Não exactamente, Talvez. Aqui é mesmo "alcançar"... está implícita uma meta, um objectivo e uma distância entre o momento em que a decisão é tomada e o momento em que é alcançada. Esta é a minha forma de "ver". As interpretações podem, evidentemente, diferir.

      Eliminar
    4. Ah, já percebi!
      Obrigado pelo esclarecimento.

      Eliminar
    5. Olha, o melhor que eu consigo explicar é "encontrar MESMO". Descobrir mesmo, independentemente de apenas aflorar ou vislumbrar a descoberta.
      Isto está quase a acabar... o timer não perdoa.
      Até amanhã!

      Eliminar
  3. Mª. Luísa

    Onde alcanço
    Encontrar cada verdade.

    Esta seria a posição da palavra "alcanço",
    mas deixava de ser soneto.

    Aí está a métrica a não deixar expandir o poeta.

    Mas o soneto está cantante, vivo e brilhante.
    Não é pobre!

    Beijo,

    Mª. Luísa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amiga, é mais "fraquito" do que o habitual, segundo me parece... eu estou numa fase em que dedico muita atenção e energia ao meu Kico, não tenho estado nada inspirada para os sonetos. Ele perde o andar de forma recorrente e depois retoma-o... só quero que ele seja feliz e sofra o menos possível nesta última fase da sua vida e eu sou muito "esquisita" no meu "funcionamento"... quando estou muito dirigida para uma situação difícil, empenho-me nela de forma tão total que perco capacidfades a outros níveis... o soneto de hoje também não é nada de especial...
      Obrigada pelas tuas palavras, amiga.

      Eliminar
  4. Olá ! Sabe-me dizer o que se passa com a Maria Helena, não me responde as meus e-mails, estou a ficar mesmo preocupada, será que está doente?
    Enviou-me os livros e nunca mais disse nada-
    Eu sei que a Maria João hoje foi dar uma palestra, espero que tenha corrido bem, mas se deixou falar o coração saiu bem de certeza.
    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não, minha querida Idalina, não sei nada dela! Mas está com novos livros no prelo e deve estar muito ocupada com eles... não sei.
      Esperemos que seja só uma questão de trabalho.
      A palestra foi muito informal e lembrei-me logo de si porque fui ensinar o que era uma coroa de sonetos e como se entrelaçavam os últimos versos com os primeiros... lembro-me muito bem de termos feito as nossas coroas praticamente em simultâneo! Claro, como em tudo, há sempre umas pessoas que gostam muito e outras que só prestam atenção para não parecerem mal educadas, mas, no geral, fui muito bem acolhida... e tem razão! Eu falo mesmo com o coração! Claro que deixei um bocadinho dele em casa, a fazer companhia ao Kico que está doente, mas ainda deu para falar com ele nas mãos.
      Um enorme abraço e não se preocupe demasiado. Eu vou tentar enviar um sms à Helena.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas