CONVERSANDO COM O POETA JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES III

EU FUI....jpg




EU FUI O SONHO

Eu fui a ave desbravando o espaço,
Eu fui o grito ecoando ao vento,
Eu fui o mar sereno e o violento,
Eu fui o beijo, o afago e o abraço!

Eu fui a eternidade e o momento,
Eu fui a caminhada passo a passo,
Eu fui a resistência e o cansaço,
Eu fui o desalento e o alento…

Eu fui a meta e ponto de partida,
Eu fui a paz e a raiva enfurecida,
Eu fui o horizonte da verdade!

Eu fui o amanhã da ilusão,
Eu fui o sonho desta geração,
Eu fui Democracia e Liberdade!...



José Manuel Cabrita Neves


 


 


EU FUI...


 


Eu fui a noite, quando o sol raiava,


Eu fui a cama de um quarto de lua,


Eu fui a pedra solta de uma rua,


Eu fui , em simultâneo, altiva e escrava...


 


Eu fui esta torrente que me estua,


Eu fui este estuário em que me olhava,


Eu fui, do sol, a nuvem que o tapava,


Eu fui a que se veste e fica nua...


 


Eu fui ninguém, quando era toda a gente,


Eu fui, de estranha forma, omnipresente,


Eu fui todos os versos que engendrei!


 


Eu fui opaca, enquanto transparente,


Eu fui pedra, papoila, água corrente...


Eu fui exactamente o que sonhei!


 


 


Maria João Brito de Sousa - 11.11.2016 - 16.27h


 


 

Comentários

  1. “Ghost makers”

    Land of dreams
    Land of ghosts
    If I know ghost makers
    Yes I do
    Ghosts to be made
    I know too
    And personal ones
    I have a few.

    Zé da Ponte

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    1. Ghost hostess...

      Lucky you! I`ve never seen
      One of those in my whole life...
      Only in the little screen;
      Created, but not alive...

      But I have imagination...
      Creating one of my own,
      Maybe I keep a creation
      Of little Casper... at home.

      Or - I hope... - you lend me some
      Of your own created ghosts
      And I might talk to that one...

      This house is a place that hosts
      Every ghost that from you come
      Since it writes and since it posts...


      Maria João


      Aqui vai, com o mais fantasmagórico dos meus abraços, Poeta!

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  2. “Fantasmeiros”

    Terra de sonhos
    Fértil em fantasmas
    Se conheço os fantasmeiros
    De gingeira certamente
    E a linha de produção
    Seguindo sempre em frente
    E fantasmas de estimação
    Povoam a minha mente.

    Zé da Ponte

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    1. Gasparzinho


      Havendo caça- fantasmas,
      Há, também, seus criadores,
      Fabricantes de ectoplasmas
      E outros tantos sonhadores

      Que podem ser "fantasmeiros",
      Se assim lhes quiser chamar,
      Que del`s cuidam prazenteiros,
      Como estou a constatar...

      Eu é que os não sei criar
      E não tendo a vocação,
      Não tem graça "fantasmar"

      Fantasmas de estimação...
      Gosto, porém, do Gaspar
      Porque o vi na t`levisão.


      Maria João

      Segue com outro fantasmagórico abraço, Poeta!

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  3. Com a devida vénia, pela intromissão,


    Também eu...eu fui

    Eu fui uma ribeira de águas mansas,
    Eu fui lareira acesa no inverno,
    Eu fui louco profeta de amor eterno,
    Eu fui desiludido de esperanças.

    Eu fui um sonhador no lago Averno,
    Eu fui pai de menina das mil tranças,
    Eu fui herói real noutras andanças,
    Eu fui outrora o homem das cavernas.

    Eu fui a chave certa da ilusão,
    Eu fui artéria aorta e coração,
    Eu fui o sal que a água não dilui.

    Eu fui a soledade e a mansidão,
    Eu fui a noite exata a escuridão,
    Eu fui também...oh!... tantas coisas fui!...

    (batista_oliveira - 13-11-16)

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    1. Caríssima Maria João, as minhas desculpas, mas só hoje reparei que copiei (de cima do joelho) mal o terceiro verso da primeira quadra que deverá ser "Eu fui terno cultor de amor eterno" e não "Eu fui louco profeta de amor eterno".
      Peço desculpas mais uma vez pelo engano na cópia e acima de tudo pelo incómodo causado.
      Atenciosamente grato, batista_oliveira

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    2. Não tem nada que pedir-me desculpa, amigo Batista Oliveira, mas agradeço-lhe muito por me ter alertado para o pequeno lapso;

      "Eu fui terno cultor de amor eterno" é sem dúvida muito, muito mais melódico! A sonoridade -métrica - é perfeita!!!

      Muito grata!

      Maria João

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    3. E, com a devida correcção do terceiro verso, é um soberbo soneto, este seu TAMBÉM EU FUI...
      Mais uma vez lhe fico muitíssimo grata por mo ter dado a conhecer!

      O meu fraterno abraço!

      Maria João

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  4. “Two horses”

    I see two horses
    But I don’t feel them
    Like it was supposed to
    I take a look around
    And see only empty space
    I start thinking, and thinking
    The two horses vanish
    My brain doesn't answer me.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. I see no horses at all,
      Unless I imagine those
      That you mentioned in recall...
      But I saw it cause I chose!

      Imagination, sometimes,
      Plays the part that reason should
      Play in our human minds...
      I`d think more, if I just could...

      I don`t what I should tell you,
      So I`m just beeing myself;
      Tell you nothing but my truth!

      Maybe your mnd chose too see
      Horses running by themselves,
      It never happened to me....

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com outro abraço!

      Eliminar
  5. “A galope”

    Dois cavalos no horizonte
    Sem que os sinta de facto
    Como seria esperado
    Procuro à minha volta
    Encontro apenas vazio
    Detenho-me a pensar
    Os cavalos não estão lá
    Cérebro está a galopar.

    Zé da ponte

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    Respostas
    1. Ahhh! Esses também eu sinto
      Quando escrevo um bom poema!
      Poeta, eu nunca lhe minto;
      Nunca foi nenhum problema!

      É só uma alegoria
      Ao compasso do que escrevo!
      Galopam com energia
      E controlá-los não devo,

      Pois vão com tanta alegria
      Nesse galope primevo
      Que seria uma arrelia

      Não vê-los correrno trevo...
      Ah, tudo se perderia
      E acaba-seeste enlevo...

      Maria João

      Outro abraço,Poeta!!!

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