AO BEIJO DA "SENHORA DA GADANHA"

SENHORA DA GADANHA.jpg


AO BEIJO DA “SENHORA DA GADANHA”


 


*


 


Não, me distraio, não, só recupero


Do beijo da “senhora da gadanha”,


Mas não cedo um instante ao desespero


Nem a ela me entrego, se me apanha.


*


 


Quisera fazer mais, porém sincero


Será quanto produza, embora estranha


E lenta na palavra em que me esmero,


Pareça enquanto a morte me acompanha.


 


*


 


Faltam-me os olhos, falham-me os sentidos,


Esfumam-se-me entre atalhos já esquecidos


Palavras que julguei serem legíveis


*


 


Mas outros há que estando já perdidos


Ainda assim resistem, quando unidos,


A provações mais duras, mais temíveis.


*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 16.34h


 


 


 

Comentários

  1. Gostei de ler. E de saber que apesar de todas as suas mazelas, não se entrega.
    Abraço

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  2. Um soneto que encanta e eleva o espírito.

    António Ferreira,
    Belém - Pará - Brasil

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    Respostas
    1. Muito grata pela leitura e palavras de apreciação, António Ferreira.

      Envio-lhe o meu sempre fraterno abraço

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  3. “Gadanha lá”

    Ela que não se faça rogada
    Gadanhe o quer noutra eira
    Gadanhe lá e espere sentada
    Enquanto cá o trigo se joeira

    Atirado ao ar duma assentada
    Separa-se da palha e da poeira
    Para gáudio da palavra cantada
    Assim nascefarta a sementeira

    Que à alma entrega o pão
    Nesta nossa sina fertilizada
    Por obra doutros e canseira

    Que ainda sabem dizer não
    Seguimos coesos na estrada
    Como se fôra a vez primeira.

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    Respostas
    1. Sonetilho de Coda

      "Como se fora a primeira vez"
      Que me visse e visitasse,
      Voltou a morte, talvez
      Para impor-me um desenlace,

      Como a tanta gente fez
      Sem que ao menos avisasse
      Dando conta dos porquês
      Ou razões por que os matasse...

      Se por pura cupidez,
      Se porque outrém a mandasse,
      Foi com grande rapidez

      Que me deixou noutro impasse
      Entre escapar-lhe ou ser rês
      Que ao matadouro chegasse.

      (Escapei-lhe mesmo ao resvés,
      Mas impôs-se que a aturasse
      A rosnar por mais de um mês...)

      Maria João

      Cá vai,Poeta, a minha resposta improvisada ao seu sonetilho.

      Obrigada e um forte abraço,






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  4. Um bom resto de Domingo
    atrasado mas com agrado
    no desejo também de uma bela Semana

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. A senhora da gadanha que se aquiete
    não tenha pressa nem queira beijar
    quem quer sossego e viver feliz...
    ...ai de quem com a Mª João se mete...

    Peço-lhe desculpa, mas esta senhora tirou-me do sério.

    Beijinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É uma impaciente, esta senhora da gadanha, rsrsrsrs... e, ainda por cima, foi muito bruta e indelicada sempre que se me apresentou. Tivesse ela vindo de mansinho, com bons modos, e eu provavelmente já não estaria por cá a escrever-lhe sonetos

      Acredita que já me veio buscar quatro vezes e que quatro vezes me consegui ver livre dela? Não foi nada fácil fintá-la, mas espero que agora fique a recuperar da frustração durante um bom tempo e me dê uma hipótese de me aproximar um pouco mais da esperança média de vida das mulheres portuguesas...

      Não tem nada que pedir desculpa, Janita. Até a mim ela me tirou do sério com os seus maus modos e o raio da gadanha enferrujada que, desta vez, me espetou no coração...

      Outro beijinho e uma noite descansada

      Eliminar

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