SILÊNCIO BRANCO

SILENCIO BRANCO.jpg


SILÊNCIO BRANCO


 


*


Quando um branco silêncio estende as asas


Sobre esta nossa imensa pequenez


Ou entra subreptício em nossas casas


Sem dar a conhecer os seus porquês


 


*


 


E tendo a dimensão das ondas rasas


Inteiro te fascina mal o vês,


Pois deixas que a mudez inunde as vazas


Desse pouco em que crês que não descrês,


*


 


 


Do branco espanto nasce a melodia


E, em torno dela, o mais se silencia...


Proteste quem julgar que aqui divago


 


*


 


Ou que afirmo o que nunca afirmaria


A quem possa entender que nada cria


A partir da mudez de um branco lago.


*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 08.30h


 


 


 


A Jack London


 


Imagem retirada daqui


 

Comentários

  1. "Desse pouco em que crês que não descrês,"

    Desse pouco
    que te juro
    é tanto

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    1. Bem sei que sim, Rogério, bem sei...


      Obrigada e outro forte abraço

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  2. E muito bem
    que o Verão já por cá está
    e o calor aperta e sabe bem

    Beijinhos e um belo dia e fim de Semana agradável

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    1. Obrigada, Anjo!

      Jack London, a quem dedico este soneto, produziu uma obra literária ímpar. Embora a sua obra não seja dirigida à infância, foi enquanto menina pequena que a li e depressa passou a ser um dos meus mais queridos "heróis literários".

      Beijinhos e um bom fim-de-semana

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  3. Este belo Soneto numa não menos bela homenagem a Jack London, leva-me a pensar que
    "The White Silence" foi um conto que à Maria João muito emocionou e tocou fundo.

    Um beijinho com votos de boa semana. :)

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    Respostas
    1. Muito, muito, sim, Janita.

      Em nossa casa havia a obra completa de John Griffith Chaney (Jack London) e eu li-a toda quando era ainda menina. "The Call of the Wild" e "White Fangs" foram os dois livros dele que mais me tocaram.

      Da obra inteira que, com as voltas que a vida dá, acabou por desaparecer de casa dos meus pais, ainda hoje conservo comigo o "The Call of the Wild" (O Apelo da Selva), que releio recorrentemente. Bem, para ser mais concreta, relia-o, quando me mexia com menor dificuldade, tinha melhor acuidade visual e me era mais fácil localizá-lo entre as montanhas de livros que me rodeiam. Agora, apenas sei que está por aí... talvez um dia venha a reencontrá-lo e a relê-lo.

      Beijinho e uma feliz nova semana

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