SONETO TARDIO II

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SONETO TARDIO II


 


*


 


Tivesse eu garra(s) como tinha dantes,


Criasse eu asas com que me elevasse


E, ganhasse a miséria que ganhasse,


Voltaria a ser rica por instantes


*


 


Pois, inda que chovessem diamantes,


Disso desdenharia. Se eu voasse


Com asas que de novo conquistasse


A sonhos cada dia mais distantes,


 


*


 


Não mais este penar me esmagaria


E a suspeição de em tudo vos pesar


Com certeza de mim se afastaria


 


*


 


Para, num golpe de asa, dar lugar


À alegria de ser como seria,


Tão só me soubesse eu redesenhar.


 


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 29.05.2019 – 20.17h


 


 


 

Comentários

  1. Tenho sempre esperança de que um dia me vai dizer que está melhor. Não pode desanimar.
    Gosto do poema.
    Abraço

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    1. Muito obrigada, amiga Elvira.

      Decerto estou melhor, muito melhor do que quando, por três vezes, entrei em paragem cardio-respiratória, apenas estou ainda muito longe de estar como estava antes de se desencadear essa tremenda sucessão de episódios...

      Não sou de desânimos, mas... quando não é a senhora da gadanha que teima e re-teima em vir buscar-me antes de tempo, é o mundo real que me cai em cima com solicitações a que não tenho forma de corresponder.

      Um forte abraço

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  2. Não sei se foi num golpe de asa
    se numa repentina inspiração
    quem escreve tão bela poesia
    tem a alma cheia e a Musa no coração....

    Aos poucos isto vai lá chegar, aliás, eu diria que já lá chegou. :)

    Um beijinho, Maria João.

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    1. Todos os poemas que escrevo começam numa espécie de sopro sonoro e ritmado, imediatamente seguido por qualquer coisa que se assemelha a um golpe de asa, um mergulho ou um galope desenfreado, Janita...

      Respiro ainda e, embora cada vez mais pitosga, tentarei não parar de escrever enquanto a senhora da gadanha em mim não cumprir o seu derradeiro objectivo

      Muito obrigada e um abraço grande

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  3. Nunca é tarde
    para voar

    redesenho-te
    é fácil, tenho asas diferentes
    mas somos do mesmo voo

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    1. Pode o nosso vôo tornar-se menos seguro, menos belo e menos incisivo, podem as nossas asas estar um pouco enferrujadas, mas... sim, voaremos até ao fim!

      Abraço

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  4. Aos poucos
    tudo muda ao nosso redor
    será mau será melhor
    mas que é um bom dia Sol, é

    Bom e feliz dia
    e beijinhos de aqui
    https://beira.pt/wp-content/uploads/2019/05/feira-cereja-ferro.jpg

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    Respostas
    1. Tens razão, Anjo. A mudança é a própria essência da evolução...

      Vou já visitar o teu link.
      Obrigada e beijinhos daqui, do estuário do Tejo

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  5. Aos poucos
    tudo muda ao nosso redor
    será mau, será melhor ou pior
    mas que é um bom dia de sol, é

    Um belo dia desejo eu
    Beijinhos de aqui
    https://beira.pt/wp-content/uploads/2019/05/feira-cereja-ferro.jpg

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