VIVER CALANDO A VIDA
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VIVER CALANDO A VIDA
*
Nasceu quente, este Maio, mas eu gelo
Privada de sentir garra e paixão...
As coisas que me nega um coração
Não maior do que um punho ou que um novelo!
*
A mim, que o (des)cuidei com tal desvelo
Que, às vezes, mais lhe quis do que à razão
E que, a ela, a deixei sem protecção
Para ceder ao seu mais louco apelo,
*
Nega-me agora a voz franca e sem medo,
Cala a palavra livre e destemida...
E eu mais uma vez me calo e cedo
*
À sua prepotência desmedida;
Para que pulse, fico no degredo
De nem sequer poder cantar a vida.
*
Maria João Brito de Sousa – 04.05.2019 – 15.33h
Bem haja pelas suas solidárias palavras, Elvira.
ResponderEliminarRetribuo o seu carinhoso abraço, amiga.
... e, muito provavelmente, é mesmo um canto à precária vida que a equipa de cardiologia do Hospital de Santa Cruz me devolveu, depois de ela me ter temporariamente abandonado na sequência da ruptura da coronária, Janita.
ResponderEliminarSou uma de entre esses muitos poetas (fundamentalistas?) que ficam com o coração a pulsar a duzentos à hora enquanto escrevem um poema...
Uma hora depois de o ter escrito, ainda tinha a tensão arterial a 160/95 e fiquei com a certeza daquilo que já sabia; quem escreve como quem pare um filho, passa por todos os fenómenos físico-químicos de um verdadeiro parto, exceptuando a dor física. Mas até essa veio inquietantemente beliscar-me a caixa toráxica, embora muito menos forte do que uma contracção uterina e bem menos intensa do que a do enfarte.
Devagarinho será, inevitavelmente, porque os gestos perderam a destreza e os olhos mal vêem, mas... sim, continuarei a escrever sempre que o poema me ocorra e me sinta compelida a dar-lhe forma e sentido.
Obrigada, um grande beijinho e um feliz Domingo, Janita
Obrigada, Anjo
ResponderEliminarQue tenhas uma excelente semana, também tu.
Beijinhos
Tem toda a razão, Fernando. No entanto, um e outro estão profundamente ligados e quando o cérebro faz disparar os níveis de adrenalina - acontece-me sempre que escrevo um poema menos mau - este meu coração irreversivemente avariado e com uma coronária remendada, acelera que nem um cavalo de corrida...
ResponderEliminarMuito obrigada e um forte abraço.
Muito grata, poeta amigo Batista Oliveira.
ResponderEliminarPenso que o meu estro não morreu ainda, mas está francamente abalado e só se atreve a manifestar-se quando o rei faz anos...
Não sei se o mesmo acontece consigo quando escreve mas, a mim, acontece-me frequentemente a tensão arterial subir muito e o pulso disparar quando mergulho a fundo e moldo um poema.
Beijinho de grata amizade.
Obrigada, Anjo.
ResponderEliminarQue também tenhas um muito feliz fim-de-semana.
Beijinhos
Também eu estava assim, mas já consegui entrar, Anjo. A equipa do Sapo foi rápida e eficaz a resolver o problema
ResponderEliminarComo estou de saída para mais uma consulta, só logo à tarde posso visitar o teu blog, está bem?
Beijinhos e boa semana