UM GALOPE ACIDENTADO

UMA INVESTIDA ACIDENTADA.jpg


Imagem surripiada daqui


 


UM GALOPE ACIDENTADO
*



A Musa assoma e eu caio do cavalo


Que sem freio galopa até ao fim


Do fôlego que tem. Aqui me calo


Ainda que o cavalo habite em mim...
*



Não cortámos a meta? Não me ralo!


Este meu cravo rubro de carmim


Há-de amparar-me até ao intervalo


Que deve conceder-se a queda assim.
*



A Musa que entretanto prosseguiu


No dorso do cavalo, que não viu,


Nem deu conta da queda aparatosa,
*



Ao sentir um ligeiro estremeção,


Mais quis que galopasse o alazão


E eu perdi-lhes o rasto. O resto é prosa.
*


 



Maria João Brito de Sousa - 19.10.2021 - 14.20h

Comentários

  1. Nunca ninguém terá a força e o engenho de galopar tão bem se não for pela mão da musa, mesmo que a queda seja aparatosa… e o resto seja prosa.

    Abraço recitando entusiasmada o poema em voz alta.

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    1. Laurinda????

      Galopa companheira, galopa! A Musa, às vezes, prega-nos uma ou outra partida mas, sem essa inexistente, o galope será muito frouxo e mais parecerá um trote meio coxeado...

      Abraço bom, se fores tu. Se não fores, que me seja perdoado o erro de pontaria.

      ABRAÇO

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  2. Mais um soneto que me fascinou ler.
    .
    Cumprimentos poéticos … bom fim de semana.
    .

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    1. Muito obrigada, Rik@rdo!

      Que tenha um excelente fim-de-semana.

      Fraterno abraço

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  3. Com uma Musa assim, tem de andar sempre com um olho no Sancho, outro no Quixote! Sem dichote. Muita Saúde!

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    1. Boa tarde, Francisco!

      É exactamente isso que eu faço ou, por outras palavras, vivo voando com os pés bem assentes na terra

      Ainda assim, de quando em quando, a Musa abusa e deixa-me meia apeada...

      Obrigada, muita saúde e um forte abraço

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  4. Brancas nuvens negras23 de outubro de 2021 às 16:03

    E a Musa há-de voltar, a pé ou a cavalo, porque é ela que já não pode passar sem si.
    Um abraço.
    L

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    1. Voltou logo a seguir, L.

      Esta queda foi aparatosa mas levantei-me em três tempos. Repare na data do poema que creio ter sido escrito há já alguns dias...

      Aqui para nós, eu também já não sei viver sem ela Nem lhe peço segredo porque ambas estamos fartas de saber que dependemos uma da outra...

      Obrigada e um forte abraço

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  5. Excelente o soneto
    Impressionante a ilustração

    Abraço impressionado

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    1. Obrigada, Rogério!

      A imagem foi encontrada no Google e não lhe consegui resistir...

      Abraço grande

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