ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO
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"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"
Machado de Assis
*
ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO
*
Gosto de cactos verdes e espinhosos,
E até de rosas vaidosas e nobres...
Nos mundos ideais - sonhos de pobres! -
Finto sem medo maciços rochosos,
*
Mostrengos gigantescos, tenebrosos,
Que nunca vergarão por mais que os dobres,
E a todos vou metendo em meus alfobres
Transmutados em nada, vaporosos.
*
Aqui termino o breve devaneio
E assumo que há mostrengos que receio
Ou que as rosas me ferem se algum espinho,
*
Dos muitos que por vezes manuseio,
Na carne se me crava, mesmo em cheio,
Até que o sangue escorra, vermelhinho.
*
Mª João Brito de Sousa
15.05.2022 - 15.50h
***
Soneto concebido para um desafio de temas no Horizontes da Poesia
O sofrimento acaba por nos preparar para as dores da vida.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Para lhe ser muito sincera, preferiria nunca ter experimentado tanta dor física. Isto, às vezes, parece-me um infindável tsunami de maleitas, indisposições, dores e ardores...
EliminarMas enfim, já que tenho mesmo de passar por elas, mais vale fazer-me forte e deixar bem claro que não me vergarão tão cedo!
Outro forte abraço, L.
Não há dor física que me apoquente
ResponderEliminarNem mostrengo que me aflija
Não há ferida que não aguente
Temo ter perdido o sentido da vida
(mas isto passa...)
Temes, por enquanto, mas como muito bem disseste, isso passa!
EliminarDá tempo ao tempo: O sentido
Que julgas não encontrar,
Não está, de todo, perdido,
Nem saiu do seu lugar
*
Está sob a névoa escondido...
Mal a névoa levantar,
Vê-lo-ás de novo erguido,
Rubra bandeira a acenar!
*
Quanto a mim, se perco a Musa,
Sinto-me fraca, confusa,
E aos poemas perco o rasto
*
Mas assim que Musa volta,
Volto a ser pardal à solta
E, de novo, a mim me basto.
*
Mª João
FORTE abraço
"... os espinhos têm rosas!" Votos de Saúde, e de Musa!
ResponderEliminarSem dúvida, Francisco, embora não seja menos verdadeiro que as rosas têm espinhos...
EliminarEu sorriria de qualquer forma, fosse qual fosse a perspectiva que adoptasse: a Mãe Natureza é uma artesã muitíssimo mais perfeccionista do que eu...
Grato abraço
Diz-se que não há rosas sem espinhos nem alegria sem sacrifício... Prefiro pensar que os espinhos têm rosas e que não há dor que sempre dure...
ResponderEliminarCuide-se bem minha Amiga Maria João.
Uma boa semana.
Um beijo.
E é a mais pura verdade Graça :) Não há rosas sem espinhos nem saberíamos saborear a alegria se não experimentássemos, também, a tristeza...
EliminarDizer que os espinhos dão rosas e que não há dor que sempre dure é uma forma razoavelmente eficaz de nos defendermos dos espinhos e das dores. Como lido diariamente com muitos espinhos e muitas dores físicas, aprendi a lidar com eles de outra forma e até consigo usá-los para criar poesia... E acredite que sou uma pessoa bastante alegre.
Muito obrigada e que tenha uma semana muito feliz.
Um beijo
Mas se correr sangue ao tocar a rosa
ResponderEliminaro melhor é doá-lo ao banco
que o armazenam tal gente gulosa
Bela tarde MJ, beijinhos
Ai, Anjo, quando escrevi este soneto estava a lembrar-me das picadelas nos dedos que recebo quase todas as semanas, por causa do INR Mas olha que se me picasse a sério num espinho de rosa, poderia correr um nada desprezável risco de hemorragia, poderia...
EliminarQuanto a dar sangue, bem tentei quando ainda tinha idade para isso, mas não mo aceitaram por causa das muitas maleitas crónicas que tenho.
Tarde feliz também para ti.
Beijinhos
E tu sabes bem manusear os espinhos, não deixá-los cravados mas antes
ResponderEliminartransformá-los em poemas, mesmo que sangre os dedos.
Isso sim é ser poeta de sangue bom rs
Coragem amiga, todos temos as nossas dores sejam físicas ou da alma .
O bom é saber vence-las e nós sabemos ou tentamos !
beijinhos e boa noite , amiga querida !
Olá, Lis
EliminarSó agora vi este teu comentário e estou quase de saída para mais uma consulta hospitalar...
Mas, sim, consigo criar poesia tanto a partir de espinhos quanto de rosas :)
Quanto às dores, nem sempre podemos vencê-las, mas podemos aprender a conviver com elas e até a usá-las como matéria prima :)
Beijinhos