"INTERMEZZO"
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"INTERMEZZO"
*
Minto se vos disser que sou feliz
E minto se afirmar que não o sou:
Desdigo-me a mim mesma, de raiz,
Se houver raiz no que de mim sobrou...
*
Relevo quanto sobre mim se diz
E tanto se me dá se o que restou
Dos poemas que fiz e que desfiz
Bastou para ser obra... ou não bastou.
*
Quando voltar a mim, se a mim voltar,
Talvez a Musa me volte a acenar
Com versos musicados, como outrora
*
Mas, desta vez, talvez eu lhe resista
Conquanto saiba bem que enquanto exista
Se me recusa, a Musa, a ir-se embora.
*
Mª João Brito de Sousa
18.06.2022 - 20.15h
***
Quem tem uma Musa assim, na Vida, não direi que tem tudo, mas tem muito do que muito
ResponderEliminarde bom a Vida tem! Saúde, muita!
:) Muito grata, Francisco!
EliminarCom efeito, sempre que a minha Musa entra numa daquelas fases de grande criatividade - não é o caso, de momento - sinto-me realmente rica. Muito, muito rica, mesmo :)
E não é falta de modéstia, porque não me parece que esta alegria de poder/saber escrever tenha a ver com vaidade. Sobretudo porque afirmo que o mérito é todo da Musa, rsrsrs...
Um fraterno abraço
É brilhante este seu poema de hoje.
ResponderEliminarA imagem revela uma artista plástica na maturidade. Valências artísticas de uma pessoa talentosa.
As melhoras, um abraço.
L
Muito obrigada, L.
EliminarQuanto ao meu mais premente problema de saúde - neste momento, claro -, piorei mas não muito. As dores vão-se mantendo dentro do que, para mim, é tolerável.
Forte abraço
Salvaguardadas as diferenças evidentes, este belo soneto fez-me recordar o poema de Sá de Miranda "Comigo me desavim":
ResponderEliminarhttps://www.citador.pt/poemas/comigo-me-desavim-sa-de-miranda
A imagem também é muito sugestiva. Parabéns.
Conheço bem esse poema de Sá de Miranda, composto por três quadras em redondilha menor!
EliminarTem razão, tem toda a razão: esta Musa que eu engendrei e passo a vida a citar é também parte de mim. A melhor parte de mim, sem dúvida. No entanto, é aquela parte de mim que me abandona sempre ou quase sempre que se me agudiza uma mazela física e posso garantir-lhe que se há coisa que ela não suporta é uma abominável dor de dentes... Deixou-me sozinha. a braços com ela, até ela se me tornar suportável.
Quanto à imagem, de todas as minhas telas, esta foi a única em que assinei Maria de Brito, um pouco em homenagem ao meu bisavô José de Brito que foi professor na Escola de Belas Artes do Porto.
Obrigada e um abraço
A inspiração
ResponderEliminaré como o coração
Bom e belo dia MJ, boas melhoras, beijinhos
Olá, Anjo! Bons olhos te revejam
EliminarEm mim, a inspiração é bem mais forte que o coração, rsrsrs... E sabes porquê? Porque o desgraçado do meu já está remendado - que é como quem diz, atamancado e "aparafusado" - e a inspiração, embora fuja quando a situação está negra e as dores são muitas, está tão jovem como estava quando eu me lembro de a ter "conhecido" pela primeira vez, lá pelos meus três anos de idade que é de quando há registo dela, pela pena do meu avô e pelo que todos me contavam, mais do que pela minha própria memória. A bem dizer, não me lembro de alguma vez ter existido sem ela...
Belo dia para ti também, que eu continuo "de boca à banda", mas a moinha ainda é bastante suportável.
Beijinhos