FERA E DONO - Reedição
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FERA E DONO
*
Tu estavas de joelhos junto à fera
- um titã que rugia, que rosnava -
Na tua face impávida, severa,
Nem sombra de temor se adivinhava
*
A morte ali, espreitando, à tua espera,
E cada gesto teu a ignorava,
Como se protegido pela esfera
Do aço que a vontade em ti forjava
*
- A fera é o Soneto!, afiançaste.
Não soube se o domaste, ou não domaste,
Porque a noite caiu. Fiquei com sono
*
E fui dormir. Ainda vislumbrei
Em sonho os vossos vultos, mas não sei
Qual de vós era a fera e qual o dono...
*
Maria João Brito de Sousa
16.07.2018 -13.06h
***
(soneto ligeiramente reformulado)
Convivemos com feras que não são sonetos. É difícil ignorar a sua presença, aliás, combatemos a fera com palavras.
ResponderEliminarUm abraço
L
A toda a hora convivemos com feras que nunca se anunciam como tal, L., mas este soneto é uma espécie de brincadeira, uma alegoria: Esse Dono até posso ser eu... - sou eu mesma! - e a Fera é o soneto alexandrino, que, ao contrário de todos os outros, levei muito tempo a conseguir "domar"... :)
EliminarObrigada e outro forte abraço!
So9neto muito bonito que me fascinou ler
ResponderEliminar.
Saudações cordiais.
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Bem-haja, Ryk@rdo!
EliminarUm abraço!
Raio de feras
ResponderEliminaraterradoras e disfarçadas
Bela tarde com alegria MJ, beijinhos
Bom dia, Anjo
EliminarPois... mas olha que este nem sequer é um soneto alexandrino, é um decassilábico heróico. Eu é que ainda me lembro daquilo em que estava a pensar quando o escrevi, rsrsrsrs...
Bela tarde e beijinhos
Perspicaz sonho !
ResponderEliminarSe vistes o vulto essa fera me pareceu um gatinho...
Adorei _ vou levar comigo Maria
Para ver se vale domar rs
abraço, querida e bons dias de sol_
(sem queimadas.)
Ai, Lis
EliminarSe leste a resposta que dei ao L. - salvo erro, foi a ele... - estás avisada: o soneto alexandrino é fera mesmo!
Se queres dominar a poesia metrificada/musical, aconselho-te a começar pelas quadras em redondilha maior e a tentar, depois, os os sonetos decassilábicos, eneassilábicos e hendecassilábicos. O alexandrino só "amansa" com muito, muito tempo de prática!
Claro está que, como em tudo o mais, depois de lhe descobrires o "pulso", parece-te tudo muito fácil. O pior é descobrir-lhe o "pulso", sem o confundir com um primo bastante mais manso que é o dodecassilábico não-alexandrino...
Beijinhos