FERA E DONO - Reedição

 


fera e dono (1).jpeg


FERA E DONO


*



Tu estavas de joelhos junto à fera


- um titã que rugia, que rosnava -


Na tua face impávida, severa,


Nem sombra de temor se adivinhava


*


A morte ali, espreitando, à tua espera,


E cada gesto teu a ignorava,


Como se protegido pela esfera


Do aço que a vontade em ti forjava


*


- A fera é o Soneto!, afiançaste.


Não soube se o domaste, ou não domaste,


Porque a noite caiu. Fiquei com sono


*


 


E fui dormir. Ainda vislumbrei


Em sonho os vossos vultos, mas não sei


Qual de vós era a fera e qual  o dono...


*


 



Maria João Brito de Sousa


16.07.2018 -13.06h
***


 


(soneto ligeiramente reformulado)


 

Comentários

  1. Brancas nuvens negras26 de julho de 2022 às 12:57

    Convivemos com feras que não são sonetos. É difícil ignorar a sua presença, aliás, combatemos a fera com palavras.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A toda a hora convivemos com feras que nunca se anunciam como tal, L., mas este soneto é uma espécie de brincadeira, uma alegoria: Esse Dono até posso ser eu... - sou eu mesma! - e a Fera é o soneto alexandrino, que, ao contrário de todos os outros, levei muito tempo a conseguir "domar"... :)

      Obrigada e outro forte abraço!

      Eliminar
  2. So9neto muito bonito que me fascinou ler
    .
    Saudações cordiais.
    .

    .

    ResponderEliminar
  3. Raio de feras
    aterradoras e disfarçadas

    Bela tarde com alegria MJ, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, Anjo

      Pois... mas olha que este nem sequer é um soneto alexandrino, é um decassilábico heróico. Eu é que ainda me lembro daquilo em que estava a pensar quando o escrevi, rsrsrsrs...

      Bela tarde e beijinhos

      Eliminar
  4. Perspicaz sonho !
    Se vistes o vulto essa fera me pareceu um gatinho...
    Adorei _ vou levar comigo Maria
    Para ver se vale domar rs
    abraço, querida e bons dias de sol_
    (sem queimadas.)


    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai, Lis

      Se leste a resposta que dei ao L. - salvo erro, foi a ele... - estás avisada: o soneto alexandrino é fera mesmo!

      Se queres dominar a poesia metrificada/musical, aconselho-te a começar pelas quadras em redondilha maior e a tentar, depois, os os sonetos decassilábicos, eneassilábicos e hendecassilábicos. O alexandrino só "amansa" com muito, muito tempo de prática!

      Claro está que, como em tudo o mais, depois de lhe descobrires o "pulso", parece-te tudo muito fácil. O pior é descobrir-lhe o "pulso", sem o confundir com um primo bastante mais manso que é o dodecassilábico não-alexandrino...

      Beijinhos

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas