DESENCONTROS

Eu, na praia com a Mafalda e a Catarina na barriga - 23.07.1976 (3).jpg


DESENCONTROS
*



Dormias nos meus braços fatigados


E, hoje, não me vês, não me conheces,


Não juntas os meus fios aos fios que teces,


Nem há lugar pra mim nos teus cuidados
*



É tarde, eu sei, pra redimir pecados


Ou pra saber se tens quanto mereces


E o que me dirias se pudesses


Relevar preconceitos recalcados
*


 


Mas se te move o mesmo que me move,


Segue em frente, não esperes que te prove


Que me sinto por fim realizada
*


 


Pois também para mim o tempo é pouco


E o mundo, minha filha, anda tão louco


Que tudo diz saber sem saber nada.
*


 



Mª João Brito de Sousa


In A CEIA DO POETA


Inédito
***

Comentários

  1. A expressão da senhora na ftgrf a preto e branco é muito bonita!

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    1. Obrigada, João A. Machado.

      A jovem grávida da fotografia sou eu com vinte e três anos, mais precisamente no dia 23 de Julho de 1976.

      Abraço

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  2. E não é que
    também nasci a 23 de Julho, mas de 53 ?

    Há que alegrar
    embora o que li
    seja de louvar MJ. Beijinhos que tou indo
    prá copofonia do desfile mas filmar

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    Respostas
    1. Então, , só és oito meses mais novo do que eu...

      A fotografia é do dia 23, mas a menina que trazia na barriga só nasceu às 02.20h da madrugada do dia 24

      Vai lá prá copofonia, mas não abuses, rsrsrsrs

      Obrigada e beijinhos!

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  3. Brancas nuvens negras18 de outubro de 2022 às 20:37

    Fui muito sensível ao seu poema de hoje. Sei que a relação com os nossos descendentes nem sempre é cordial e pacífica, os filhos são juízes das nossas escolhas, fazem-nos pagar por isso o resto da vida, enquanto que nós nunca seremos juízes das escolhas deles. Chegará o momento em que se encontrarão no nosso lugar. É nós... também já fomos filhos.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. É exactamente isso, L., nós nunca seremos juízes das escolhas deles. Podemos até funcionar - falo por mim, claro - com a isenção e a objectividade dos psicólogos mas consideramos sempre que eles não têm a obrigação de ser isentos em relação ao que nos levou a tomar esta ou aquela decisão. E é assim mesmo que deve ser.

      Forte abraço

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  4. Bom dia
    Este soneto deixou-me muito sensível.
    Eu queria expressar os meus sentires quando o li, mas não sou capaz.
    As relações com os nossos filhos nem sempre são aceites por eles, e embora só queremos o bem deles, nem sempre somos assim entendidos.
    Muito bom e cheio de sensibilidade. A foto está muito boa, e agradeço por aqui nos mostrar a Maria João.
    Boa semana
    Piedade Araújo Sol

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    1. Compreendo, Piedade.

      A Maria João dessa fotografia, tem umas boas décadas a menos do que a Maria João de hoje , mas esta é uma daquelas fotos de que gosto muito e me fazem sorrir...

      Retribuo os votos de uma boa semana.

      Um beijo

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