FOME(S) II

Diego Rivera II.jpg


Pormenor de mural de Diego Rivera



FOME(S) II
*



Se tens fome do pão que ao rico sobra,


A força da razão está do teu lado


Quando acusas traído o resultado


De tudo o que é produto de mão de obra
*



E se, do que criaste, outrem te cobra


O fruto inteiro ou o maior bocado


E a ti te deixa pobre e esfomeado


Certo de que te cala e que te dobra
*



Mal sabe que te entrega a força toda,


Que essa força em ti cresce e se denoda


Para acender-se em chama renovada
*



Porquanto se agiganta, alastra em roda,


Incendeia-se toda e mais te açoda


Quando do que estuou lhe sobra um nada.
*



Mª João Brito de Sousa


In A CEIA DO POETA


Inédito


***

Comentários

  1. Só que passou fome
    sabe como é MJ

    Bom e belo dia com alegria, beijinhos

    Veia voraz Poética

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    1. Obrigada, meu!

      Na verdade, nasci e cresci num meio relativamente abastado, só a vim a conhecer na pele há uns anos e durante um período relativamente curto, - três ou quatro anos, talvez - mas sempre estive do lado dos que a vão sofrendo na carne a vida inteira, ainda que trabalhem.

      Gostei desse "veia voraz poética"

      Feliz tarde de um Outono ainda vestido com as roupas leves do Verão.

      Beijinhos

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    2. Bom dia com alegria
      que hoje temos festa
      desfile e recepção dos caloiros.
      Belo dia MJ, beijinhos

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    3. Então, , vou já ver isso! Hoje quem faz tagadap, tagadap, sou eu

      Beijinhos

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  2. A injustiça social, cada vez maior, não pode deixar de nos incomodar. Como diz o ensaísta George Steiner "somos cúmplices do que nos deixa indiferentes". Gostei do seu poema tão reflexivo e sensível, minha Amiga Maria João.
    Tudo de bom para si.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    Respostas
    1. Cada vez maior, esse abismo social, sim, Graça. E não menos verdadeiro é sermos cúmplices do que nos deixa indiferentes.

      Muito obrigada e tudo de bom também para si.

      Um beijo

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  3. Teresa Palmira Hoffbauer17 de outubro de 2022 às 14:20

    Poema que descreve a situação actual.
    Entretanto, até à classe média falta o pão.

    Um abraço forte e solidário das margens do rio de Reno 🍂

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    1. Sim, Teresa, neste momento, até à classe média vai faltando o pão. E tudo indica que a situação piore durante o Inverno.

      Obrigada e um forte e solidário abraço também para si!

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  4. Brancas nuvens negras17 de outubro de 2022 às 14:26

    Difícil é que os que levam as sobras, tenham consciência da sua força, da sua razão.
    Um abraço.
    L

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    1. Muito difícil, sim, L., que os manipuladores da OP têm sido exímios no seu trabalhinho diário e constante, mas não de todo impossível. Talvez eu esteja a ser optimista, mas ainda acredito que muitos acordarão a tempo.

      Forte abraço!

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  5. Embora não pareça
    teu soneto
    é um poético apelo
    à resistência

    Abraço

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    1. Como não te parece meu, este soneto, Rogério? É um soneto em verso decassilábico heróico, cheiinho do meu ADN poético e, ainda por cima, um teu velho conhecido porque fizeste o favor de mo imprimir em papel...

      Além do mais, está muito, muito longe de ser o meu único soneto de apelo à luta.

      Abraço grande

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  6. Um soneto cheio de vigor e de apelo à luta! Gostei muito.

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