PUDESSE EU SER O MAR

Eu a nadar em Tomar, Hotel dos Templários (2).jpg


PUDESSE EU SER O MAR
*



Pudesse eu ser o mar em que navega


A minha Musa errática e distante,


Ou no mar naufragar seguindo avante,


Alcançar quanto a Musa me não nega...
*



Pudesse eu ver, conquanto estando cega,


Ao longe a minha Musa navegante


E estando surda ouvir o som cantante


Da partitura que hoje se me nega
*



Mas, vendo, nem sinal da Musa vejo


E, ouvindo, tudo o que oiço é o meu Tejo


A perder-se no mar onde eu, perdida,
*



Tento avistar ou Musa, ou partitura,


E nada encontro, tanta é a lonjura,


Tal a imensidão do mar da Vida...
*



Mª João Brito de Sousa


20.10.2022 - 12.00h
***
***

Comentários

  1. Belo quadro MJ
    quanto à vida
    é assim de altos e baixos
    mas de fé nunca perdida
    Bela tarde com alegria, beijinhos

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    Respostas
    1. Obrigada,

      Hoje não estou nos meus melhores dias. Quando cheguei do hospital soube do falecimento de um dos nossos maiores sonetistas contemporâneos, de quem eu era amiga e que me visitou quando eu estive mais lá do que cá no hospital de Santa Cruz, em 2019. Estou triste, desculpa.

      Beijinhos

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  2. Brancas nuvens negras20 de outubro de 2022 às 17:14

    Um belo poema com características bem portuguesas, citando o mar e o Tejo. E a Musa, sempre ela, que ora se apresenta ora se ausenta.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, L.

      Desculpe-me a ausência de hoje mas fui para o hospital de manhã e tive uma má notícia pouco depois de chegar a casa. Foi um dia difícil para mim.

      Um abraço

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    2. Brancas nuvens negras21 de outubro de 2022 às 00:38

      Nada a desculpar, lamento a notícia que a abalou.

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  3. Mesmo muito lindo!
    Gosto muito de a ler!
    Beijinho meu

    ResponderEliminar

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