SORTE

 


Fortuna.jpg



A Fortuna de Olhos Vendados - Tadeusz Kuntze, 1754


(Wikipédia)
*



A SORTE
*


 


A sorte, amigos meus, quando bafeja


Alguém que não desdenhe a própria vida,


Pode vir como gota que goteja,


Ou irromper de um jorro, decidida
*



E seja ela aquilo que ela seja,


Não faz caso da porta que a convida,


Não quer saber da mesa que a festeja


E vai-se assim que encontra uma saída
*



A sorte não tem cor mas tem poder,


Nunca cuida de qu`rer a quem a quer


E muito raramente é justiceira
*



Pois nada enxerga e não sabe escolher


Quem dela necessite por não ter


Como sobreviver de outra maneira.
*


 


Mª João Brito de Sousa


In A CEIA DO POETA


Inédito


***


 

Comentários

  1. Maravilhoso de ler.
    .
    Feliz fim de semana.
    .

    .

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  2. Brancas nuvens negras22 de outubro de 2022 às 14:51

    É muito imaginativa a sua inspiração poética. Como hoje.
    A sorte pode ser incerta e infeliz nas suas escolhas... se é que isso existe.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Não, L., claro que a sorte não existe enquanto entidade, tal como não existe a Musa de que tanto gosto de falar, mas que existem momentos de sorte, existem.

      No entanto, longe de mim fazer a apologia dos jogos de sorte, eu, que nem sequer jogo. Nunca. E muito menos faria a apologia da atitude de cruzar os braços e esperar que a sorte nos venha resolver os problemas pessoais ou colectivos.

      Forte abraço!

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  3. Bom sábado de paz, querida amiga Maria João!
    Mais uma pérola poética.
    "E muito raramente é justiceira".
    Um verso com muita experiência de vida, certamente.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Beijinhos com carinho fraterno

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    Respostas
    1. Boa noite, querida Rosélia!

      Sim, embora eu acredite que podemos e devemos fazer o possível para construir as nossas próprias vidas, acredito que o factor "sorte" não deve ser desprezado. Mas a sorte, ou fortuna, é quase sempre muito injusta e raramente visita quem dela mais necessita.
      Como uma amiga escreveu sobre este soneto, num outro espaço, "todos os s*c*n*s têm sorte".
      Retribuo os votos de um abençoado fim-de-semana.

      Beijinho grande!

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    2. Sua amiga tem toda razão.
      Bom domingo, querida!
      Beijinhos

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  4. Maria Elvira Carvalho22 de outubro de 2022 às 21:46

    A sorte é muito subjetiva. Às vezes aquilo que uns consideram sorte outros nem pensam nisso. Sorte pode ser fortuna? Pode e é. Mas pode ser muito mais do que isso.
    Apesar desta conversa, gostei muito do soneto.
    Abraço saúde e bom domingo.

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    Respostas
    1. Boa noite, Elvira!

      Eu não usei a palavra fortuna como sinónima de abundância de bens materiais e sim como sinónimo de sorte, tal qual Camões a usou neste soneto tão conhecido de todos nós e do qual transcrevo a primeira estrofe:

      "Erros meus, má fortuna, amor ardente
      Em minha perdição se conjuraram;
      Os erros e a fortuna sobejaram,
      Que pera mim bastava amor somente."

      Mas tem toda a razão, aquilo que para um pode ser sorte, pode bem ser um azar para outro...

      Obrigada, saúde, bom Domingo e um forte abraço!

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