SORTE
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A Fortuna de Olhos Vendados - Tadeusz Kuntze, 1754
(Wikipédia)
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A SORTE
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A sorte, amigos meus, quando bafeja
Alguém que não desdenhe a própria vida,
Pode vir como gota que goteja,
Ou irromper de um jorro, decidida
*
E seja ela aquilo que ela seja,
Não faz caso da porta que a convida,
Não quer saber da mesa que a festeja
E vai-se assim que encontra uma saída
*
A sorte não tem cor mas tem poder,
Nunca cuida de qu`rer a quem a quer
E muito raramente é justiceira
*
Pois nada enxerga e não sabe escolher
Quem dela necessite por não ter
Como sobreviver de outra maneira.
*
Mª João Brito de Sousa
In A CEIA DO POETA
Inédito
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Maravilhoso de ler.
ResponderEliminar.
Feliz fim de semana.
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Bem-haja, Ryk@rdo!
EliminarUm bom fim-de-semana também para si.
Abraço!
É muito imaginativa a sua inspiração poética. Como hoje.
ResponderEliminarA sorte pode ser incerta e infeliz nas suas escolhas... se é que isso existe.
Um abraço.
L
Não, L., claro que a sorte não existe enquanto entidade, tal como não existe a Musa de que tanto gosto de falar, mas que existem momentos de sorte, existem.
EliminarNo entanto, longe de mim fazer a apologia dos jogos de sorte, eu, que nem sequer jogo. Nunca. E muito menos faria a apologia da atitude de cruzar os braços e esperar que a sorte nos venha resolver os problemas pessoais ou colectivos.
Forte abraço!
Bom sábado de paz, querida amiga Maria João!
ResponderEliminarMais uma pérola poética.
"E muito raramente é justiceira".
Um verso com muita experiência de vida, certamente.
Tenha um final de semana abençoado!
Beijinhos com carinho fraterno
Boa noite, querida Rosélia!
EliminarSim, embora eu acredite que podemos e devemos fazer o possível para construir as nossas próprias vidas, acredito que o factor "sorte" não deve ser desprezado. Mas a sorte, ou fortuna, é quase sempre muito injusta e raramente visita quem dela mais necessita.
Como uma amiga escreveu sobre este soneto, num outro espaço, "todos os s*c*n*s têm sorte".
Retribuo os votos de um abençoado fim-de-semana.
Beijinho grande!
Sua amiga tem toda razão.
EliminarBom domingo, querida!
Beijinhos
EliminarA sorte é muito subjetiva. Às vezes aquilo que uns consideram sorte outros nem pensam nisso. Sorte pode ser fortuna? Pode e é. Mas pode ser muito mais do que isso.
ResponderEliminarApesar desta conversa, gostei muito do soneto.
Abraço saúde e bom domingo.
Boa noite, Elvira!
EliminarEu não usei a palavra fortuna como sinónima de abundância de bens materiais e sim como sinónimo de sorte, tal qual Camões a usou neste soneto tão conhecido de todos nós e do qual transcrevo a primeira estrofe:
"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente."
Mas tem toda a razão, aquilo que para um pode ser sorte, pode bem ser um azar para outro...
Obrigada, saúde, bom Domingo e um forte abraço!