QUIMERA - Reedição

LA FEMME QUI PEIGNE (2).jpg


 QUIMERA

*

 

 

Trouxe-te a noite em asas de poema,

 

Levou-te uma manhã sem coração:

 

Foi-te a vida fugaz como ilusão

 

Mas deixou-me a saudade imensa, eterna...

*

 

 

Se tudo o que vivemos vale a pena

 

Teria o teu percurso sido vão?

 

Meu menino, eu sei lá por que razão

 

Te concederam vida tão pequena!

*

 

 

Mas se, apesar de tudo, ainda vives

 

Se a alma pequenina que tu és

 

Ganhou as asas de anjo que sonhei

 

*

 

 

Então existo menos do que existes:

 

Sou barro em que repousam os teus pés

 

Velando uma quimera que engendrei.

 


 

 

 

 Maria João Brito de Sousa 

 

04.02.2008 - 03.30h

*

Comentários

  1. Brancas nuvens negras29 de março de 2023 às 00:43

    É muito belo este seu poema. Também já percorri, escrevendo, esse caminho da memória.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Obrigada, L.!

      Há tanto de belo, quanto de trágico no caminho das minhas memórias.

      Forte abraço

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  2. Palavras que gritam em silêncio MJ

    Bela quarta feira com alegria
    e a harmonia necessária
    para um belo dia, beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Respostas
    1. Abraço, Mafalda Cotovia!

      Sei que o seu apelido é Carmona, mas eu não resisto a esta conjugação...

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    2. Obrigada, abraços e apelidos nunca são demais, são um sinal de que há quem goste de nós!! para mais Cotovia rima com alegria!

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    3. ... e eu também não resisto a uma boa rima :) Para mim fica a ser Mafalda Cotovia

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