NAS TUAS MÃOS
Fotografia de Carlos Ricardo * NAS TUAS MÃOS * Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro nessas mãos uma guarida Em que a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, só te entrego o que não peço: Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu não sonharás e eu nem meço * E que outra ave marinha ofertaria Tanta e tão profundíssima alegria, Que outra alma se daria em seda pura? * As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de amor e de ternura? * Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***

beijinhos
ResponderEliminarBeijinhos, Ana!
EliminarUma homenagem a que me associo. Estive lá.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Fico feliz por saber que lá esteve, L., pressuponho que na inauguração do memorial aos presos políticos do forte de Peniche.
EliminarNo primeiro, no de 1974, estava tão feliz que quase não me aborreci por ter ficado em casa a tomar conta da minha mais velha - bebé de meses, então - e da minha irmã que, nessa altura ainda era uma criança, enquanto o meu pai e a minha mãe debandavam para Lisboa, esfusiantes de alegria. O meu ex-marido estava, na altura, de prevenção no quartel de Belém, onde com alguns camaradas tentava fazer funcionar os mais do que obsoletos canhões do quartel, não fosse a contra revolução surgir das águas do Tejo. Anos depois, riamos a bom rir de cada vez que falávamos da tremenda luta contra a obsolescência dos velhíssimos canhões de Belém...
Só no dia 26 consegui ir para Lisboa, deixando as crianças com a minha mãe que não ficou lá muito contente por eu lhe passar para as mãos o cargo de espectadora distante que ela me impusera no dia da Revolução dos Cravos.
Forte abraço, L.!
Não fui à inauguração do Memorial.
EliminarEstive lá, quis dizer em Lisboa no 25 Abril, eu trabalhava em Lisboa.
Um abraço.
Então desculpe-me por pressupor tão erradamente, L. E também por lhe ter contado pormenorizadamente a inglória história do meu 25 de Abril :)
EliminarAbraço!
Tagadap Tagadap e aí vou eu de Cravo na mão
ResponderEliminarOh, , dá-me um, dá-me um!
Eliminar
EliminarOlá Mª. João! Belo poema! Uma excelente homenagem ao povo português e aos operários que construíram com as suas mãos a liberdade que vive hoje nos nossos corações!
ResponderEliminarAmanhã é o teu dia! Mas hoje já se sente o suave perfume dos cravos. Por Excelência. Por Paz. Por Fraternidade. E sim viva a Liberdade!
Abraços fortes Mª João.🐦
Olá, pequena Cotovia!
EliminarSim, já sinto o cheiro dos cravos por isso comecei a festejar já hoje, não vá o diabo tecê-las e eu não acordar viva amanha ;)
Como sei que não vou ter o privilégio de segurar nas mãos um cravo vivo, vou usar e abusar dos cravos virtuais que é tudo o que está ao meu alcance e como não faço ideia se vou, ou não, conseguir escrever algum poema digno de ser publicado/partilhado numa data tão importante quanto esta, vou também preparar-me para, eventualmente, reeditar algum dos muitos poemas a Abril que me foram nascendo em anos anteriores.
Tu provavelmente ainda não estavas por cá ou serias muito pequenina quando Abril nasceu , mas eu lembro-me de dias e dias de uma tão espantosa alegria que a todos nos fazia tratar-nos uns aos outros por amigos, ainda que nunca nos tivéssemos conhecido antes. Nesse tempo e durante vários meses, todos os desconhecidos passaram a chamar-se amigos ou camaradas. E ninguém estranhava, todos davam pelo nome como se fosse a coisa mais natural do mundo confiarmos genuinamente uns nos outros, depois de termos vivido décadas a sussurrar e a olhar em todas as direcções quando queríamos falar de algo que pudesse cheirar a esturro aos pides e bufos que pareciam nascer do chão como cogumelos.
Claro está que sabíamos que uma revolução não é uma coisa cristalizada no tempo, é sempre a abertura de uma porta para uma longa caminhada com muitas desilusões, traições e recuos, mas também isso fomos aprendendo, muitas vezes dolorosamente. Mas ainda há por cá muitos do que viram nascer Abril e que até contribuíram com o seu grãozinho de areia para que ele fosse muito mais do que um simples golpe de estado.
E, pronto, esta é uma particulazinha da minha visão retrospectiva do "... dia inicial inteiro e limpo/onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitámos a substância do tempo.", citando a inesquecível Sophia :)
Um grande, grande abraço para ti!
Não te levo a mal o humor ;) pois entendo-o muito bem, acho-o delicioso, e fico descansada que estarás cá para ver muitas alvoradas dos dias de 25 de Abril, e que nunca caia no esquecimento a importância deste dia!
EliminarJá cá andava sim, lembro-me do que tinha vestido e estava na escola, na aula do meu 1º ano do ciclo, com 5 anos e um camiseiro com bonecos. Fiquei muito surpreendida porque me vieram buscar antes de almoço, e era uma 5a feira. Fiquei a achar que era um fim de semana antecipado, e não tenho a certeza se nesse mesmo dia de tarde se no dia seguinte de tarde fui festejar para as ruas com as minhas irmãs e pais, em grande festa e alegria, não me cansei de cantar a "Gaivota" desde o momento em que percebi que a revolução dos cravos tinha trazido a liberdade de voar!
"Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar...
Uma gaivota voava, voava...
Sabia a letra toda, mesmo pequenina, a minha memória ainda não me traia;) agora some lembro deste bocadinho de cor.
Mas mantive a vontade de voar, sempre, em liberdade, seja com que asas for!
Viva a Liberdade!
Bom 25 de Abril!
Abraço de asas muito forte Mª João.🐦
Eu também gastei as asas da gaivota de tanto a cantar, apesar dos meus provectos 21 anos, um marido ainda muito preocupado com uma hipotética contrarrevolução e uma filha nos braços :) Além do mais já trazia comigo algum repertório "clandestino", sobretudo do Zé Mário Branco, que era obrigada a cantar baixinho e, nesse dia, cantei até ficar completamente afónica, mesmo sozinha em casa com duas crianças, que os meus pais trataram de ir a voar para o largo do Carmo e não encontraram mais ninguém que ficasse com a minha irmã.
Eliminar25 de Abril , sempre!!!
Abraço grande de asas com asas!
🐦
EliminarNoite descansada e um bom soninho, sem malvadezas de cãibras ou outras para que amanhã seja uma comemoração em grande!
Abraço forte, hoje vou pedir emprestada a tua flor Mª. João
Leva-a e cuida-a com todo o teu amor, que bem ameaçada tem sido e não falta quem a queira arrancar pela raiz!
EliminarNoite serena e outro grande abraço, que eu estou a ouvir Vitorino e Zeca Medeiros a cantarem Zeca Afonso, nem sei onde, que só os apanhei a meio, mas o palco é muito grande.
Sou de lágrima difícil, mas já tive de engolir muitas que estas músicas de Abril têm o condão de mas fazer nascer...