OZYMANDIAS

ozymandias final.jpg


Imagem retirada daqui


*


OZYMANDIAS
*



I met a traveller from an antique land
Who said:—Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shatter'd visage lies, whose frown
*


And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamp'd on these lifeless things,
The hand that mock'd them and the heart that fed.
*


And on the pedestal these words appear:
"My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye mighty, and despair!"
*


Nothing beside remains: round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away.
*


Percy Bysshe Shelley, 1818
***


 


OZYMANDIAS
*



Falou-me um viajante de terra ancestral


De duas pétreas pernas do dorso amputadas,


Erguidas no deserto. Perto do local,


Emerge subterrado, de feições lascadas,
*



Um arrogante rosto, mostrando em verdade,


Que o escultor conhecera bem suas paixões


Pois persiste na pedra morta e sem idade


A mão que lhe moldou carácter e feições.
*



Lê-se no pedestal que dela sobressai:


"Meu nome é Ozymandias, o maior dos reis:


Olhai-me, ó poderosos, e desesperai!"
*



Nada restou, porém, senão decrepitude


E junto das ruínas não encontrareis


Mais do que areia infinda e muda quietude.
***


 


Mª João Brito de Sousa, Portugal


*


Tradução livre em soneto dodecassilábico não alexandrino


***


 

Comentários

  1. No fim, só resta pó, nada mais.
    Boa tarde, Maria!
    Um abraço

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    1. Verdade, Cheia! Das grandes obras e tesouros de Ozymandias - Ramsés II - só restam ruínas e uma imensidão de areia...

      Tinha prometido a mim mesma nunca tentar traduzir um soneto. Sempre achei que uma tradução é uma traição e, se for de um soneto, é traição e loucura, mas quando encontrei este Ozymandias, não resisti, tive mesmo de o traduzir.

      Obrigada e um abraço!

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  2. Teresa Palmira Hoffbauer28 de agosto de 2023 às 17:04

    Desde sempre que me lembro, amo a poesia de Percy Bysshe Skelley, mas nunca me atreveria a traduzi-la. Parabéns pela excelente tradução.

    ADEUS E ATÉ AO MEU REGRESSO 🇮🇹

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    1. Nem eu, Teresa, nem eu me atreveria a traduzi-lo se não fosse esta espécie de bichinho carpinteiro que ainda não morreu de todo e não me deixou em paz até eu conseguir uma tradução razoável... E eu garanto-lhe que tinha prometido a mim mesma nunca cometer a loucura de traduzir um soneto.

      Até depois! Um abraço!!!

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  3. Brancas nuvens negras28 de agosto de 2023 às 19:14

    Um soneto fora do comum que, com sinceridade, não sei como comentar.
    As melhoras, um abraço.

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    1. O soneto não é meu, L.!!! Esta é apenas a minha tradução de um dos mais conhecidos sonetos de Percy Bysshe Shelley.

      A publicação pode ser incomum, mas o soneto de Shelley não tem nada de incomum, tal como o não tem a minha tradução em dodecassílabo não alexandrino...

      Obrigada e um abraço!

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  4. Cousas de Ingluses
    com parafuses
    a mais, não, a menos e muita poeira na eira
    Bela noite com alegria
    e também pelo regreso Beijinhos

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    1. Olá, !

      De inglês, sim, mas é um excelente soneto, este Percy B. Shelley. Não foi nada fácil traduzi-lo sem atraiçoar o original, mas lá consegui... espero, não vá o de Shelley vir chatear-me durante o sono
      Bela e repousante noite também para ti!

      Beijinhos!

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  5. Oi, Maria _Penso que traduzir seja mais difícil que compor. Precisam não só usar a mesma palavra ,mas o sentido de quem escreveu, tipo com que coração_ deve ser como aprender quando a criança quer saber o que significa uma palavra e a resposta precisa ser a mais clara possível na linguagem que ela entenda. Assim,os poetas tentam passar a linguagem mais pura quando traduzem..Sei lá, amiga leio muito poemas mas nada sei sobre como escreve-los.rs gostei muito e fui saber quem era esse tal 'Ozymandias' - o anti-vilão dos contos ficticios .
    Olha só_ sem a sua anuência não traduzi mas roubei no bom sentido da palavra ,um poema seu que acho belíssimo e publiquei hoje na minha página. Obrigada por ser essa poeta incrível que aprendi a ler e amar. Vai lá depois ver se fui bem.! e se saiu tudo direitinho.
    beijihos e boa semana

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    1. Olá, Lis

      Traduzir um soneto é uma daquelas coisas que eu tinha prometido a mim mesma nem sequer tentar porque sempre considerei que é quase impossível não atraiçoar muitíssimo a mensagem do soneto original... Não sei o que me deu que, ao encontrar-me com este soneto de Percy B. Shelley, um "bichinho carpinteiro" começou a roer-me por dentro e ameaçou não parar enquanto eu não tentasse. E tentei. Não será uma tradução fabulosa, mas foi a melhor que consegui, tentando não desvirtuar muito o famoso soneto de Shelley.

      Tens toda a razão; traduzir soneto é infinitamente mais difícil do que compor e coloca-nos nos ombros a tremenda responsabilidade de não podermos deixar que o que vamos traduzindo envergonhe o autor do original, nem que deixe ficar mal vista a língua portuguesa. Enfim, um trabalhão que nos deixa sempre com a sensação de que estamos a dar um passo maior do que a amplitude das nossas pernas...
      Ahhh! Levaste um poema meu para o teu blog?! Fico muito contente e vou já ver, Lis!

      Beijinhos e boa semana!

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  6. Teresa Palmira Hoffbauer28 de agosto de 2023 às 22:41

    Não me canso de ler o maravilhoso soneto daquele elfo vindo de outro mundo com os seus olhos deslumbrantemente azuis, cabelos escuros e compleição etérea: PERCY BYSSHE SHELLEY — e a magnífica tradução da minha amiga MARIA JOÃO.

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    1. Agradeço do fundo do coração, Teresa, porque fiquei com algumas dúvidas em relação à qualidade desta tradução... Preferi o verso dodecassilábico ao decassilábico usado por Shelley, uma vez que a língua inglesa é bastante mais sintética do que a portuguesa. A nossa língua abunda em palavras compridas, com três ou mais sílabas, daí eu ter tido tanta dificuldade em utilizar o decassílabo. Também consegui um nessa medida, mas estava muito fraquinho, tive de o abandonar.

      Um forte abraço!

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  7. Um soneto muito original.
    No final tudo volta ao pó.
    Boa tradução.
    Boa semana com harmonia.
    Um beijo
    :)

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    1. Viva, Piedade!

      É uma experiência absolutamente nova, esta tradução, já que tinha prometido a mim mesma nunca tentar traduzir um soneto... no entanto, assim que li este Ozymandias senti que o teria de tentar traduzir e foi assim que nasceu este Ozymandias em língua portuguesa. Não creio, porém, que venha a repetir este feito: é um verdadeiro quebra-cabeças, traduzir um soneto, ficamos sempre com a sensação de que a mensagem original foi atraiçoada...

      Um beijo!

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  8. Eu tive no 7.º ano do liceu um professor de Filosofia que citava muitas vezes a frase «traduttore, traditore», que logo a seguir traduzia por «os tradutores são traidores». E dava exemplos de poemas (já não me lembro de quais) cuja tradução resultava num completo desastre.

    Com toda a sinceridade, parece-me que a tradução da Maria João não traiu o poema original de Shelley, de maneira nenhuma, pelo que só lhe posso dar os parabéns. Ainda por cima, respeita a métrica e a rima. É obra.

    Já agora, cabe referir que o referido professor marcou gerações e gerações de alunos do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, porque se preocupava mais em levá-los a pensar pela sua própria cabeça, do que em fazê-los "empinar" citações de Kant. Chamava-se Cruz Malpique e está aqui uma sua biografia: https://nisa-gentesememorias.blogspot.com/2016/03/evocacao-de-um-nisense-ilustre-cruz.html

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    Respostas
    1. Fico-lhe muito grata, Fernando, pois também o meu avô poeta - que foi tradutor de obras de Libriu Reveanu, Julien Green, Faulkner, e outros autores que agora me não ocorrem - me citava essa mesma frase desde que eu era uma menina pequenina. Quando, por aí, lia alguma tradução de um soneto, dizia sempre para mim mesma: - Aqui está algo que estou segura de que nunca farei! No entanto, este Ozymandias fez-me mudar de ideias, nem sei como. Não foi à primeira tentativa, nem à segunda, mas... sentia-me tão cansada de ler, reler, escrever e reescrever, que acabei por publicá-lo ainda sentindo que estava mesmo a atraiçoar Percy B. Shelley e até o próprio Ramsés II.

      A sua opinião, bem como a da Teresa da Ematejoca, são muito importantes para mim e fazem-me sentir um pouco menos culpada do crime de alta traição. :)

      Irei, de seguida, conhecer o doutor Cruz Malpique, mas há uma coisa de que não posso deixar de me sentir culpada: não consigo recordar o nome da minha professora de Filosofia que também teve o mérito de nunca me frear quando eu pensava - às vezes demasiado... - pela minha cabeça e frequentemente me atrevia a discordar daquilo que, no tempo do estado novo, ninguém se atrevia a pôr em causa.

      Muito obrigada e um fraterno abraço!

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  9. Olá olá, fui então apresentada, num só dia, a poesia de dois grandes poetas!
    Muito interessante o soneto de Pierce Shelley. Em inglês apenas pela leitura em alta voz se consegue perceber a rima e harmonia das palavras que em grafia são distantes mas de sonoridades semelhantes, fabuloso, gostei muito.
    A tua tradução está espectacular!
    É uma experiência muito exigente, pois requer um vasto domínio de inglês e não é para todos.
    E é uma questão que já me tinha ocorrido, como funciona a poesia traduzida? Porque não pode ser à letra, tem de ser feita como a apresentas, preservando a poética das palavras e dos significados bem como das imagens que o original contém. Muito complexo.
    Parabéns querida Mª. João por esta partilha, obrigada.
    Um grande beijinho axicorãozado! 🐦

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    1. Garanto-te que nunca por nunca ser acreditei ser capaz de traduzir um soneto, pois se todas as traduções são traições, o soneto é uma traição elevada a N, mas o Ozymandias caiu nas graças da minha Musa e eu não descansei enquanto não o traduzi tão bem quanto possível, claro...
      Tive um certo receio de vir a ser amaldiçoada por Pierce B. Shelley e até pelo próprio Ramsés II, mas quando a Musa me exige qualquer coisa, não sou capaz de lhe resistir... [<)]

      Um grande beijinho axicoraçãozado

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    2. adorei adorei adorei a imagem de Ramsés aprumado ao lado de Pierce B. Shelley ambos a ler o soneto. Muito bom,
      E fazes muito bem, não se resiste , a Musa é soberana!
      Outro beijinho axicorãozado, querida Mª. João. 🌸🐦

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    3. Ahahahahaha!! Quando se toca numa coisa que está muito acima do pouquinho que sabemos, temos de ter muito respeitinho... Olha que até do Frankenstein da Mary Shelley eu tive um certo receiozinho!

      Mais um beijinho axicoraçãozado

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