O IMORTAL SONETO ALEXANDRINO
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Homem vitruviano
Leonardo da Vinci
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O IMORTAL SONETO ALEXANDRINO
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Abre-se em leque extenso, amplia-se e seduz
Como raio de luz em nevoeiro denso...
Por vezes surge tenso, em fogo se traduz,
Mas é um ai-jesus tão suave quanto incenso
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Jamais houve consenso entre quem lhe faz jus,
Mas ninguém o reduz pois jus faz ao bom senso
E quando um ódio intenso o quer levar à cruz,
Levanta-se e reluz, mostra-se infindo, imenso!
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Ou suscita paixões, ou raivas e desprezo,
Mas lá renasce ileso imune às agressões
E prenhe de ilusões, vivo, brilhante, aceso!
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Tem forma sem estar preso às velhas convenções,
Resiste às tentações, sustenta-lhes o peso...
Sabe bem quanto o prezo e, a mim, dá-me lições.
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Maria João Brito de Sousa
15.06.2020 - 15.23h
***
Um poema original na sua temática só possível criado por alguém conhecedor da difícil técnica.
ResponderEliminarUm abraço.
L
O mais difícil, nesta técnica que reconheço não ser nada fácil, é perceber que o verso alexandrino, para além de ser dodecassilábico, tem de poder ser dividido em dois perfeitos versos hexassilábicos.
EliminarQuanto à rima entrançada com que foi adornado, creio que só conheço um sonetista vivo capaz de a replicar... e é brasileiro. Entre os mortos e já consagrados, nunca conheci nenhum que a tivesse utilizado no soneto alexandrino.
Abraço, L.!
Muito bom!
ResponderEliminarBom domingo, Maria João!
Um abraço
Obrigada, Cheia!
EliminarBom Domingo também para si !
Abraço
Malfadado Alexandrino que sabe bem ler
ResponderEliminarBela semana e bom dia em harmonia MJ, beijinhos
Olá,
EliminarEstou muito doente (mesmo!) e não me vou aguentar muito tempo a teclar, mas quando as coisas melhorarem, subo até à tua serra para ver o que há de novo.
Feliz dia e beijinhos
Venho deixar um beijo de boas-noites e desejar boas melhoras.
EliminarUm género poético muito difícil, talvez o mais difícil de todos.
ResponderEliminarMas a Maria João conseguiu fazer um excelente soneto alexandrino, na forma e no conteúdo.
Tenha uma ótima semana.
Abraço.
Boa tarde, Jaime.
EliminarSim, é consensual entre os sonetistas que o soneto em verso alexandrino seja o mais complexo e difícil de todos os formatos da poesia metrificada.
Como estou bastante pior de saúde e acabo de chegar de uma consulta seguida de exames laboratoriais, não sei quando poderei retribuir a sua visita. Esta vai ser uma semana duríssima para mim.
Que a sua seja excelente.
Um abraço
Conhecer a técnica dos sonetos é um privilégio que não cabe a todos, mas a quem se interessou muito por ela. Paixão pela forma do soneto?
ResponderEliminarTudo de bom, minha Amiga Maria joão.
Uma boa semana?
Um beijo.
Boa tarde, Graça.
EliminarCheguei há pouco de uma consulta médica que me remeteu para um laboratório onde me colheram urina e sangue para novas análises, mas não podia deixar de lhe responder que não é exactamente a forma do soneto que me apaixona, embora a forma seja muito mais rica e complexa do que as duas quadras e os dois tercetos a que a costumam reduzir. É que através de um muitíssimo subtil jogo de sílabas tónicas e átonas, o soneto conduz-nos, verso a verso, através de uma musicalidade que é ímpar na poesia e que, essa sim, me apaixona e me arrebata.
A semana vai ser muito dura pois tenho consultas todos os dias e já começou muito mal com um diagnóstico de infecção urinária e edema das pernas com derrame de linfa ou plasma.
O único dia em que julgava poder ficar livre de consultas era sexta-feira, mas hoje já me marcaram uma consulta também para esse dia.
Como estou exausta, é possível que só logo à noite consiga retribuir-lhe esta visita ao meu blog.
Desejo-lhe uma excelente e inspirada semana.
Um beijo
Boa tarde minha Amiga Maria João. Em primeiro lugar desejo que melhore depressa e de forma eficaz. Fico preocupada em sabê-la doente. Em segundo lugar obrigada pela explicação que me deu sobre o que a faz gostar tanto dos sonetos. " É que através de um muitíssimo subtil jogo de sílabas tónicas e átonas, o soneto conduz-nos, verso a verso, através de uma musicalidade que é ímpar na poesia e que, essa sim, me apaixona e me arrebata" Magnífico isto que escreveu. E como me deixou feliz por sentir assim as palavras.
EliminarMuita saúde.
Um beijo.
Li e acho que me reencontrei
ResponderEliminarOu melhor, me inquiri
De quem fala eu não sei
Se do Alexandrino ou de mim
É que eu sou + ou - assim
Neste soneto que aqui li
Abraço deste neto amigo
Vá lá, vá, que esta tua "avó" considera a vaidade um pecadilho menor, senão ouvias um raspanete
EliminarEste é um soneto alexandrino meta poético, ou seja, usei-o para falar dele mesmo que é um formato poético em sério risco de extinção.
E pronto, está bem! Como também sou uma "avó babada" e reconheço que quem te fez deitou fora a forma, aceito que te revejas no imortal soneto alexandrino.
Abraço desta tua muitíssimo dorida e exausta avozinha
Não é qualquer pessoa que consegue criar um soneto alexandrino como este. É de uma musicalidade irresistível. Tiro-lhe o meu chapéu (que não uso, mas posso colocar um). Imagino que tenha gasto imenso tempo a lapidar este diamante.
ResponderEliminarGenialidade! (A única palavra que traduz o que escreve.)
ResponderEliminarAh ,querida minha
ResponderEliminarnada entendo de sonetos, ainda menos os alexandrinos,e entendo bem
da musicalidade que tua musa inspira-te e a mim por inteiro. Estou retornando
depois dessa temporada que me forcei não 'teclar de jeito nenhum', foi ótimo Maria,
além de colocar em dia a leitura de uns livros ,ainda pude dar aqueles meus passeios
'bate e volta' pelos arredores ! Fico torcendo para que seus exames tenham bons resultados, que descanse das consultas médicas e possa compor e compor poemas
belos e sentimentais, como só tu sabes! Força, amiga. Tú podes tudo !
Grande abraço e beijinhos .
Um poema leve, polissemico, belíssimo!
ResponderEliminarUm belíssimo poema!
ResponderEliminarUm abraço