SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA - Reedição

Avó Alice, avô poeta e eu - Algés.jpg


Eu com a avó Alice e o avô poeta na varanda da casa da rua


Luís de Camões


***


SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA
*



Se hoje escrevo com força de trovão


E o chicote do raio me ilumina,


São as minhas memórias de menina


Que, debruçadas neste coração,
*



Me enfunam das razões que há na razão


Essa improvável vela que, à bolina,


Singra agora indomável peregrina


Dos ventos que vão rumo ao furacão
*



Lembras-te, avô poeta, desses dias


Das chuvas fortes e das ventanias


Que tanta vez saudámos fascinados
*



P´las vergastas de luz que ribombavam


Colorindo as rajadas que açoitavam


Os nossos rostos mudos e assombrados?
*


 



© Maria João Brito de Sousa - Julho, 2020
*


(escrito no dia a seguir à grande trovoada de Verão)


 

Comentários

  1. Quadro ternurento MJ
    Bom e belo dia, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, !

      É verdade :) Tive uma infância muito abundante em ternura.

      Bom e belo dia dia para ti também.

      Beijinhos

      Eliminar
  2. Brancas nuvens negras11 de junho de 2024 às 12:19

    Terna homenagem aos avós. Doce recordação.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, L.!

      Estes meus avós foram, para mim, uma segunda mãe e um segundo pai. As nossas casas da Rua Luís de Camões eram geminadas, mas eu lembro-me muito melhor da casa destes meus avós do que da dos meus pais.

      Um abraço

      Eliminar
  3. Que fotografia tão linda
    Estou a ver que os genes de poetisa vieram do avô
    E que poema tão encantador

    Beijinhos, Maria João
    Resto de Dia Feliz

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Luísa

      Sim, os meus genes da poesia vieram mesmo deste avô cuja obra, se tudo correr como espero, será reeditada ainda este ano pela Imprensa Nacional.
      E os da expressão plástica - pintura - vieram do lado desta querida avó que infelizmente partiu com apenas sessenta anos.

      Obrigada, um dia feliz e um beijinho

      Eliminar
  4. Para os avós, os netos são as mais bonitas e perfumadas flores. Felizes dos que crescem junto dos avós.

    Boa tarde, Maria João!
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa tarde, Cheia!

      Foi para mim muitíssimo importante crescer ao lado de avós artistas que, com muita ternura, sempre me apontaram a ética como um dos mais importantes valores do ser humano.

      Outro abraço

      Eliminar
  5. Maria João
    Que belo soneto em homenagem aos seus avós.
    Terno e cheio de amor.
    Adorei!
    Uma boa semana com saúde.
    Um beijo
    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Piedade

      Estes meus avós, pais do meu pai, sempre foram como uma espécie de segundos pais para mim. Claro está que também adorava os pais da minha mãe, mas estes tiveram sempre uma muito maior disponibilidade para mim.

      Muita saúde, uma excelente semana e um beijo

      Eliminar
  6. Uma fotografia adorável!

    Poema maravilho e forte.

    Lastimo se a sua saúde estiver a traí-la e desejo as melhoras.
    (Também ando de volta do meu olho esquerdo...)

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, Ana!

      Acertou em cheio: a saúde anda mesmo a trair-me e até já tenho mais uma maleita crónica para juntar à infinda lista das que já tinha.

      Obrigada pelo voto de melhoras que retribuo para essas suas complicações com o olho esquerdo.

      Beijinho

      Eliminar
  7. Olá Mª João!
    Que terna e doce recordação, são memórias inolvidáveis que nos fortalecem em momentos mais difíceis, que nos suportam e dão alento. Tão belo soneto que os homenageia, obrigada pela partilha querida Mª João.
    Beijinhos, abraço e Xi-

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, querida Cotovia!

      Esta fotografia foi tirada pelo meu pai que me apanhou com a cara a três quartos e a olhar para qualquer coisa no colarinho do meu avô... Devo ter virado a cara no preciso momento em que ele disparou, mas ficou muito engraçada apesar do meu ar sisudo.
      Quanto ao que relato no soneto, é a mais pura das verdades porque tanto eu quanto o meu avô adorávamos vestir as gabardinas e ir para a varanda sempre que havia uma grande trovoada deixando a minha avó e aminha mãe de coração nas mãos porque achavam que podia ser perigoso e temiam que nos caísse algum raio em cima. Na verdade, não me lembro de ter voltado a ver relâmpagos tão belos quanto os que vi na minha infância. Não que as trovoadas tenham deixado de ser fortes, eu é que já não as vejo com os meus olhos de menina...

      Om grande xi

      Eliminar
    2. Destemidas Pessoas que causam nos simples humanos o espanto dos semi-deuses, seria a poesia que vos unia na força do trovão e a chispa do génio (?) Brilhantes poetas, sem sombra de dúvida! E essa menina continua aí, a mesma que escreve este soneto espectacular!
      Noite tranquila, bom descanso, melhoras. Força querida Mª João, Xi-❤️.

      Eliminar
    3. Olá, pequena Cotovia.

      Sei lá... a minha mãe dizia entre dentes que tão chalada era a neta quanto o avô...

      Mas que ainda hoje gosto de ver e ouvir uma boa trovoada, gosto. E por mim foram passando dezenas de cães e gatos que, curiosamente, nunca se assustaram minimamente com o ribombar dos trovões.

      Desculpa-me, mas não me estou a sentir grande coisa. Estou exausta por dentro e por fora...

      Um grande xi

      Eliminar
    4. Melhoras querida Mª João.
      Espero que fiques um pouco melhor, alguma coisa que possa fazer, diz ( sff )
      Um enorme Xi❤️
      (P.S. já não ouvia a palavra "chalada" desde o século passado )

      Eliminar
    5. Isto que tenho já não melhora, mas garanto-te que me vou sentir bem melhor quando as consultas se tornarem mais espaçadas. Neste momento tremo só de pensar na palavra hospital

      Mas mudemos de assunto que isto está a ficar um tanto tétrico!

      Era mesmo no século passado que a minha mãe dizia que eu era tão chalada quanto o meu avô, rsrsrsrs Nas comparações que fazia entre mim e o meu pai usava mais as expressões coca-bichinhos ou rato de biblioteca

      Outo enorme xi

      Eliminar
  8. Se olhar este bonito quadro familiar nos enternece, imagino quão ternas e gratificantes serão para a Maria João as doces memórias que guarda dos seus Avós.
    Tão ternas, que até uma trovoada de Verão lhe proporcionou o ensejo de escrever um soneto tão encantador. Estou mesmo maravilhada!

    Um beijinho Maria João.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, Janita!

      Estes meus avós foram, para mim, uns segundos pais.
      Eu e o meu avô poeta adorávamos ir para a varanda ver os relâmpagos a chicotearem o veludo do céu. Ainda hoje gosto de ficar a ver os relâmpagos sempre que troveja, mas nunca mais vi nenhuns tão belos quanto os que via naquela varanda da casa da rua Luís de Camões na década de 50 do século passado.

      Obrigada e outro beijinho para si

      Eliminar
  9. "Assombrados"! (Percebo, agora, sobre a sua genialidade. Viveu, com os Avós, na Rua Luís de Camões!) Saúde e Paz!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa noite, Francisco.

      Sim, vivi toda a minha infância na Rua Luís de Camões, em Algés. Os meus pais e os meus avós paternos alugaram os dois primeiros andares de dois prédios geminados que pertenciam ao pai do malogrado Engº Adelino Amaro da Costa. Curiosamente conservo bem mais nítidas as memórias do 91-A, no qual moravam os meus avós, do que as do 91-B, onde moravam os meus pais.
      O 91-B viria a ser demolido na década de sessenta, mas o 91-A ainda hoje se mantém intocado por ter sido lá que nasceu A. A. da Costa, conforme uma placa de mármore que reza assim: "Nesta casa nasceu Adelino Amaro da Costa - 1943/1980" ... estou a citar de memória e como não visito aquela rua há uns doze anos podem-me estar a escapar alguns pormenores, mas foi basicamente isto o que me recordo de ter lido.

      Peço antecipadamente desculpa se me vir obrigada a não escrever todos os dias, como dantes, mas a verdade é que o meu problema cardiovascular não é tão pequeno como isso e agora também me faz claudicar "por dentro" em vez de apenas por fora.

      Saúde e Paz, meu amigo!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas