SONETO - 8
![]()
SONETO - 8
*
Pra que amanhã do luto nasça a luta,
Rego os cravos vermelhos que secaram
Renego os deuses que me desprezaram
E transformo a fraqueza em força bruta
*
Inda que irresolvida, resoluta,
Cuspo nessoutros que os cravos pisaram
E sobrevivo a quantas dor´s me varam
Assim que as mãos retornam à labuta
*
Revejo-me nos cravos que resistem:
Inda que em solo hostil estejam plantados
Jamais se vergarão aos que os conquistem
*
Rompem mordaças, quebram cadeados,
Derrubam muros, mesmo os que inexistem,
E desabrocham quando espezinhados.
*
Mª João Brito de Sousa
20.05.2025 - 00.05h
*
Sonetos da Contagem Decrescente
Boa noite, Maria João
ResponderEliminar83. canção XXXIV
025/05/14
É p´ra anteontem
Que ontem já é sem tempo
Para que o futuro comece.
Não se pode adiar mais um momento
À espera que o Capital tropece.
.
Era p´ra anteontem
E ontem adiamos p´ra hoje
Se adiarmos ficaremos sem
Tempo e a revolução mais longe.
É já p’ra esta hora
Não é para o futuro,
Porque alongar a demora,
É criar um muro
A que a Revolução seja agora
Não acreditemos
Nos que dizem que este tempo
Não é de revoluções, é de aceitar o que temos.
Nós bem sabemos que todo o momento,
É da revolução e que a faremos.
Sei que andamos aturdidos
Neste tempo que nos varre para fora.
São eles que andam iludidos
Se pensam que desistimos agora.
É p’ra anteontem
Deixemo-los a pensar
Que a revolução é do passado.
Nós sabemos e eles sabem,
Que a revolução vai triunfar.
Zé Onofre
3
025/05/18
Hoje vou,
Pela enésima vez,
Votar,
Não como dantes,
Quando, pensava eu,
Para decidir o futuro do nosso país.
Contudo,
Hoje sei
Que esta enésima vez
Não é o nosso voto que decide.
Com o nosso voto
Tudo continuará igual
No futuro do nosso país.
O tempo,
A usura do tempo,
Os preconceitos,
As mentiras,
Arremessadas como verdades absolutas,
Roubaram a genuinidade do voto,
Que já nada decide,
Para o futuro do nosso país.
Hoje,
Vou votar pela enésima vez.
Porém, sei
Que, desde há muito,
Eles,
Os donos deste mundo,
Nos deixam brincar ao faz-de-conta
Que escolhemos
O futuro do nosso país.
Zé Onofre
Boa tarde, Zé Onofre
EliminarObrigada por trazer até mim estes dois textos poéticos tão fortes e tão cheios de verdades em que também creio, como sei que sabe.
Isto pode parecer-lhe vir a despropósito mas, depois de mais uma ida ao hospital - ontem, dia 19 - , fiquei tão cansada que dormi quase todo o dia de hoje e, para poder vir até cá, vi-me obrigada a contrariar o corpo que continua a exigir-me cama. Sinto-me cada vez mais e mais inútil, o que é a pior coisa que posso sentir em relação a mim mesma. Creio que foi meia a dormir que atendi o telefonema da médica reumatologista que me recomendou que me dirigisse ao centro de saúde ou às urgências hospitalares porque os marcadores de infecção estavam muito elevados nas análises que ontem fiz. Não arranjei forças para lá ir hoje. Talvez amanhã.
Um abraço obviamente revolucionário
Boa noite, Maria João
EliminarQue o corpo nos traia, mas a razão não.
E essa na Maria João mantém-se inteira.
Que seja sempre assim.
Zé Onofre
Este meu corpo tem sido um traidor desde os meus vinte anos. Como não tenho outro, vou tentando mantê-lo minimamente funcional... Agora que sei que não tenho veia nem artéria que não esteja disfuncional, temo pela perda da minha criatividade ou, pior ainda, da minha lucidez. Estou a confrontar-me com essa possibilidade pela primeira vez na minha vida e tenho muito mais medinho dela do que da própria senhora da gadanha.
EliminarOutro abraço apertado, Zé Onofre
Murcharam os teus Cravos MJ
ResponderEliminarBom dia, belo resto de Semana
em toda a harmonia, beijinhos
Olá,
EliminarNem todos, Anjo, nem todos, que os meus continuam bem vivos e exuberantemente vermelhos.
Quem está muito murcha sou eu, mas por razões que bem conheces e que se prendem com o meu crescente problema de saúde.
Para ti o meu desejo de que tenhas uma excelente semana e beijinhos
Revejo-me também numa esperança que muros sejam derrubados e flores renasçam entre cinzas. Um grande momento seu Maria .De esperança nos cravos que resistem ...
ResponderEliminarAbraço e carinho
Olá, Lis
EliminarEstou a atravessar um momento daqueles muito mauzinhos, em termos de saúde, claro, mas
nem por um segundo perco a esperança de um Portugal e até um mundo mais justo e igualitário. Também sei que já não verei esse mundo, é certo, mas morrerei acreditando nele.
Abraço com carinho
Murcharam, mas temos de os regar, para que um dia voltem a estar viçosos.
ResponderEliminarBoa noite, Maria João.
Um abraço.
Viva, Cheia!
EliminarSim, não poderemos descuidar os nossos cravos nem por um segundo.
Perdoe-me se o não conseguir visitar hoje, mas estou, mais uma vez, a viver um momento muito mauzinho em termos de saúde.
Um abraço
Também estou penalizado com os resultados e preocupado com as malfeitorias que aí vêem "eles" têm dois terços da assembleia vão desfigurar a Constituição. Os que vão sofrer primeiro são aqueles que legitimaram o sofrimento que lhes vai ser infligido, ou seja, os mais pobres.
ResponderEliminarAs suas melhoras.
Um abraço.
L
Sem dúvida, L., uma das primeiras vilanias vai ser desfigurar por completo a C.R.P., mas muitas mais malfeitorias se lhe seguirão...
EliminarQuando falei no golpe de boomerang, lá. no blog do Rogério, era a Isso mesmo que me referia, pois as primeiras vítimas deste novo/velho regime vão ser os que nele votaram em peso. Metaforicamente, o boomerang atinge e derruba a esquerda, mas volta sempre para o ponto de onde foi lançado. Neste caso, virá a ferir duramente os que o lançaram e lhe viraram as costas, inconscientes de que serão eles próprios as maiores vítimas do castigo que aplicaram à esquerda.
Obrigada e um forte abraço