SONETO SEM TÍTULO VIII
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Imagem gerada pelo Chat-GPT
após leitura/processamento do texto poético
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SEM TÍTULO VIII
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Tão só te procurasse e não te encontraria:
Fosses breve euforia em astro que orbitasse
E logo o desenlace, o fim da sintonia,
De mim te esconderia até que eu te olvidasse...
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Trazes na tua face o sol do meio dia
E em perfeita harmonia aceitas que em ti trace
Um arco que te enlace em graça e fantasia,
Luz que em ti brilharia enquanto eu a mandasse...
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Se mais alguém te amasse e eu não soubesse quem,
Perguntaria a alguém que o visse ou o soubesse,
Mas ninguém te conhece e eu sinto desdém
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Por quem não queira bem a quem tanto enaltece
Não o que só parece e sim o que É... Porém,
Tudo em ti resplandece e eu estou-te sempre aquém...
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Mª João Brito de Sousa
20.06.2025
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À Musa que mora em mim
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Soneto Alexandrino com rima entrançada
AB,BA,AB,BA - AB,BA,AB,BA - AC,CD,DC - CD, DC, CD
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A Musa vive em si. Aprecio esse diálogo consigo própria como um estimulo/apelo/desafio que faz a si própria, sempre com resultados brilhantes.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada, L.
ResponderEliminarSim, ela vive dentro de mim, mas nem sempre se entende muito bem com o meu corpo.
Muitas vezes ralhei com ela, quase sempre a brincar... Desta vez tentei fazer-lhe justiça, não fosse ela desligar-se mais uma vez. É que não gosto mesmo nada de mim quando estou sem Musa...
Outro abraço
Impressiona a tua capacidade de criar cumplicidade e poesia e quando a musa se distrai há esse desdém ,mesmo sabendo o quanto ela é leal ,sempre a lhe sussurrar essas belezas. Pode faltar-lhe o corpo perfeito mas nunca o coração e um 'sol do meio dia.'
ResponderEliminarObrigada pelo comentário que me deixaste e que também sempre me salva do pessimismo. e melancolia .Bejinho , Maria
A Musa não quer saber do estado do corpo. Parabéns, Maria João.
ResponderEliminarBom fim-de-semana.
Um abraço.
Olá, Lis
ResponderEliminarEstamos a atravessar uma época histórica muito, muito complexa e cruel, é perfeitamente natural que muitos de nós sucumbamos ao pessimismo e à melancolia quando todos os dias, se vemos televisão, assistimos a horror atrás de horror, e, se lemos para nos mantermos actualizados, as notícias que lemos são tão terríveis quanto as imagens...
Eu, talvez por ter sobrevivido a muitas situações que nunca esperaria poder ter a vir de enfrentar, tornei-me exímia na arte de sobreviver, o que não quer dizer que, pontualmente, não me sinta triste e esmagada pelo que vai ocorrendo mundo afora.
Quanto ao meu poema, cuja leitura te agradeço, ele não garante que a Musa esteja sempre à minha disposição. Pelo contrário, ela é uma parte de mim que lida mal com o cansaço do meu corpo e com as constantes e obrigatórias idas aos hospitais... Hoje posso dizer que conheço um poeta que escreve todos os dias, sem falhar, mas todos os que conheci de bem perto na minha infância e juventude, criavam nos seus períodos criativos e paravam para fazer intervalos, por vezes muito prolongados, em que não escreviam absolutamente nada.
Desejo-te o melhor de um mundo que, infelizmente, está numa fase muito má, mas que sempre vai guardando um espacinho para que a arte possa continuar a desabrochar.
Beijinho e muita força, amiga
Obrigada, Cheia!
ResponderEliminarOlhe que ela é muito, muito sensível ao estado do meu corpo e às pequeninas imposições do meu dia a dia que me possam afastar dela, não é tão constante quanto parece... No entanto, tal como afirmo, eu "estou-lhe sempre aquém": é ela quem me empurra para a escrita poética e quem toma as rédeas durante o processo criativo.
Parece que estou a dissociar-me de mim mesma, mas isto é uma espécie de brincadeira que eu adoro fazer, como quem conversa com os seus botões. A única diferença é que a minha conversa com os meus botões transforma-se frequentemente na poesia que é partilhada convosco.
Bom fim-de-semana e um abraço