SONETO SEM TÍTULO VIII

À minha Musa (1).png


Imagem gerada pelo Chat-GPT


após leitura/processamento do texto poético


*


SEM TÍTULO VIII
*



Tão só te procurasse e não te encontraria:


Fosses breve euforia em astro que orbitasse


E logo o desenlace, o fim da sintonia,


De mim te esconderia até que eu te olvidasse...
*



Trazes na tua face o sol do meio dia


E em perfeita harmonia aceitas que em ti trace


Um arco que te enlace em graça e fantasia,


Luz que em ti brilharia enquanto eu a mandasse...
*



Se mais alguém te amasse e eu não soubesse quem,


Perguntaria a alguém que o visse ou o soubesse,


Mas ninguém te conhece e eu sinto desdém
*



Por quem não queira bem a quem tanto enaltece


Não o que só parece e sim o que É... Porém,


Tudo em ti resplandece e eu estou-te sempre aquém...
*



Mª João Brito de Sousa


20.06.2025
***


À Musa que mora em mim


*


Soneto Alexandrino com rima entrançada


AB,BA,AB,BA - AB,BA,AB,BA - AC,CD,DC  - CD, DC, CD
***


 


 


 

Comentários

  1. Brancas nuvens negras20 de junho de 2025 às 18:04

    A Musa vive em si. Aprecio esse diálogo consigo própria como um estimulo/apelo/desafio que faz a si própria, sempre com resultados brilhantes.
    Um abraço.
    L

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  2. Obrigada, L.

    Sim, ela vive dentro de mim, mas nem sempre se entende muito bem com o meu corpo.

    Muitas vezes ralhei com ela, quase sempre a brincar... Desta vez tentei fazer-lhe justiça, não fosse ela desligar-se mais uma vez. É que não gosto mesmo nada de mim quando estou sem Musa...

    Outro abraço

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  3. Impressiona a tua capacidade de criar cumplicidade e poesia e quando a musa se distrai há esse desdém ,mesmo sabendo o quanto ela é leal ,sempre a lhe sussurrar essas belezas. Pode faltar-lhe o corpo perfeito mas nunca o coração e um 'sol do meio dia.'
    Obrigada pelo comentário que me deixaste e que também sempre me salva do pessimismo. e melancolia .Bejinho , Maria

















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  4. A Musa não quer saber do estado do corpo. Parabéns, Maria João.

    Bom fim-de-semana.
    Um abraço.

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  5. Olá, Lis

    Estamos a atravessar uma época histórica muito, muito complexa e cruel, é perfeitamente natural que muitos de nós sucumbamos ao pessimismo e à melancolia quando todos os dias, se vemos televisão, assistimos a horror atrás de horror, e, se lemos para nos mantermos actualizados, as notícias que lemos são tão terríveis quanto as imagens...
    Eu, talvez por ter sobrevivido a muitas situações que nunca esperaria poder ter a vir de enfrentar, tornei-me exímia na arte de sobreviver, o que não quer dizer que, pontualmente, não me sinta triste e esmagada pelo que vai ocorrendo mundo afora.

    Quanto ao meu poema, cuja leitura te agradeço, ele não garante que a Musa esteja sempre à minha disposição. Pelo contrário, ela é uma parte de mim que lida mal com o cansaço do meu corpo e com as constantes e obrigatórias idas aos hospitais... Hoje posso dizer que conheço um poeta que escreve todos os dias, sem falhar, mas todos os que conheci de bem perto na minha infância e juventude, criavam nos seus períodos criativos e paravam para fazer intervalos, por vezes muito prolongados, em que não escreviam absolutamente nada.

    Desejo-te o melhor de um mundo que, infelizmente, está numa fase muito má, mas que sempre vai guardando um espacinho para que a arte possa continuar a desabrochar.

    Beijinho e muita força, amiga

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  6. Obrigada, Cheia!

    Olhe que ela é muito, muito sensível ao estado do meu corpo e às pequeninas imposições do meu dia a dia que me possam afastar dela, não é tão constante quanto parece... No entanto, tal como afirmo, eu "estou-lhe sempre aquém": é ela quem me empurra para a escrita poética e quem toma as rédeas durante o processo criativo.

    Parece que estou a dissociar-me de mim mesma, mas isto é uma espécie de brincadeira que eu adoro fazer, como quem conversa com os seus botões. A única diferença é que a minha conversa com os meus botões transforma-se frequentemente na poesia que é partilhada convosco.

    Bom fim-de-semana e um abraço

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