SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA - Reedição
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SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA
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Se hoje escrevo com alma de trovão
E o chicote do raio me ilumina,
São as minhas memórias de menina
Que, debruçadas no meu coração,
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Me acendem, das razões que há na razão,
A improvável vela que, à bolina,
Singra agora, indomável peregrina
Dos ventos fortes, rumo ao furacão
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Lembras-te, avô poeta, desses dias
Das grandes chuvas e de ventanias
Que saudávamos sempre fascinados?
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Das vergastas de luz que ribombavam,
Colorindo as rajadas que sopravam
Nos nossos rostos mudos, assombrados?
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© Maria João Brito de Sousa
Julho, 2020
(no dia a seguir à grande trovoada de Verão)
O avô e a neta fascinados, com a Natureza a dar recados.
ResponderEliminarBoa tarde, Maria João!
Um abraço.
Isto é mesmo verdade, Cheia. Ainda que todos se assustassem com a intensidade de uma tempestade mais forte do que o comum, eu e o meu avô deixávamo-nos invariavelmente fascinar por ela...
ResponderEliminarObrigada e outro abraço
A tempestade tem a beleza na força como anuncia ... não importa o barulho intenso , ventanias e trovões porque 'depois da tempestade vem a bonança ' lembras?
ResponderEliminar_ já criança guardavas lembranças poéticas.
Beijo grande Maria J
É verdade, Lis , depois da tempestade vem a bonança
ResponderEliminarPode ser que não acredites mas com os meus seis ou sete anos já escrevia poesia. Não a poesia clássica-metrificada que escrevo agora, mas poesia de verso branco ou de verso livre com rima ocasional.
Beijo grande também para ti
Belo fim de Semana agradável MJ, beijinhos
ResponderEliminarTambém me lembro dos clarões e do estrondo. Éramos pequeno, que terror!!!!
ResponderEliminarUm abraço.
L
Eu e o meu avô não tínhamos medo nenhum, L.! Admirávamos com todo o respeito a beleza galvanizadora dos céus em fúria e desejávamos em silêncio que a tempestade não fizesse vítimas, mas o nosso comportamento era o oposto do do Nemésio, pai, que uma vez se chegou a esconder no quarto de uma das nossas empregadas - a minha querida Aurora,-que era o único que tinha um cobertor de papa. Segundo ele, o material do cobertor tornava-o imune às descargas eléctricas e fomos dar com ele parecendo um bicho-da-seda dentro do seu casulo. A Gabriela não tinha paciência para aturar estas excentricidades do marido, mas eu ficava toda contente a olhar para aquele casulo gigante que não se romperia até a bonança vir tomar o lugar da tempestade.
ResponderEliminarUma tarde de tempestade com o "tio" Nemésio lá por casa - e ele visitava-nos muito - era para mim muito melhor do que uma tarde no circo.
Outro abraço
Xiiii, , será possível que não te tenha dado os bons dias? Mas eu juraria que sim... e mais, juraria que também te tinha desejado um bom fim-de-semana...
ResponderEliminarBom, desculpa-me se falhei o teu comentário, está bem? Ficam agora os votos de um bom fim-de-semana.
Beijinhos