PODE UM VERSO ALBERGAR RAZÕES QUE NEM SONHEI
Desenho de Júlio (Irmão de José Régio) * PODE UM VERSO ALBERGAR RAZÕES QUE NEM SONHEI * De negro pintarei a esplêndida verdade De um verso que me agrade. Depois o cantarei E aos outros deixarei voar em liberdade Que essa necessidade impõe-se ao que criei * Se algum sonhar ser rei, faça-se-lhe a vontade E embora a realidade arrase o que engendrei, Nunca aprisionarei um verso que se evade, Nem mesmo se a saudade entender que eu errei * Que mais quis que o que dei, que ousei contrariar A órbita lunar, os homens e a lei... Não, não me calarei. Se posso argumentar * Devo justificar aquilo por que optei Em nome do que sei não dever desdenhar: Pode um verso albergar razões que nem sonhei! * ©Maria João Brito de Sousa 25.09.2020 - 10.00h Soneto alexandrino com rima entrançada