MUNDO, PEQUENO MUNDO... (I e II)
I
... e que me importa a mim perder-me em vida
Se à morte irei legar meu estranho encanto?
Já nada mais me importa e, no entanto,
Vou adiando a hora da partida...
... e que me importa a mim morrer agora
Se, depois, tanto fez muito viver?
Pouco ou nada me importa! Eu quero é SER
Enquanto não chegar a minha hora...
Patéticos, alguns, `inda acreditam
Que tempo é quantidade e não hesitam
Em procurar na carne o imortal...
Não sabem que de nós só fica o traço
Porque o mundo é pequeno e não tem espaço
Para, de nós, guardar quanto é real...
II
Ó mundo, o que te impede de chorar?
Que estranha submissão te cala o pranto
E te condena, assim, ao desencanto
Desse grito que tentas silenciar?
Ó mundo, se amanhã eu acordar
E não estiver quebrado o mudo encanto,
Hei-de gritar por ti! Gritarei tanto
Que medo algum me há-de fazer calar!
Ó meu pequeno mundo maltratado
No silêncio a que foste condenado
Por alguma razão que desconheço!
Ó meu pequeno mundo estrangulado,
O teu imenso grito sufocado
É tudo quanto, à vida, agora peço...
Imagem retirada da Internet
Olá Maria João: Amiga, Eu sei que Sou suspeito, porque sou tarado por poesia, mas isso não me impede de manifestar a minha alegria por tu seres tão grande, Quando comecei a ouvir O Luís Represas cantar aquele poema da Florbela Espanca, Eu pensava que ser mais alto era ser maior em comprimento. Hoje vejo claramente que ser poeta é ser mais alto, mas é estar acima dos outros nossos semelhantes. Obrigado Maria João. E ficas proibida de arrumares as tralhas antes de publicares o livro onde vão estar estes e outros poemas. E eu quero assistir ao lançamento do livro mesmo que sem convite. Estou a brincar, tu és uma amiga. Um grande abraço e bom fim de semana. Eduardo.
ResponderEliminarOlá Eduardo! Ainda não sei quando sai o livro, mas seja quado for, ficas desde ja convidado! Não sou assim tão grande, nem mereço esses elogios todos! Acho que sou é muito teimosa... quero fazer qualquer coisa enquanto por cá andar... qualquer coia que não faça mal a nada nem a ninguém e, se possível, que faça algum bem...
EliminarUm grande abraço amigo!
Lindo!
ResponderEliminarbj e bom fds
Olá Estrelinha! Obrigada!
EliminarHoje voltei ao mumbles.blogs.sapo.pt e a imagem tinha desaparecido novamente! Não percebo! Esto farta de ver e deixar de ver e tenho pena porque é uma delícia de cartoon...Um beijinho e um bom fim de semana!
Olá, minha amiga poetisa:
ResponderEliminarEstes sonetos vêm mesmo a calhar, isto porque uma fome estúpida impede-me de continuar a fazer o que eu quero.
Mais uma vez, estes sonetos foram escritos com a inspiração de quem vê o mundo do cume da montanha.
Um grande abraço
Olá Poeta! Este "Pequeno Mundo" foi por mim "revisitado", ontem à noitinha, depois de ter lido o seu "Solo de Clarinete" Obrigada pela "chain reaction"...
EliminarUm abraço!
eu é que lhe agradeço, amiga. E era trompete e não clarinete. Acredite que me fez sorrir.
EliminarPeço mil desculpas! Meti "a pata na poça" e isto só confirma esta minha maneira de ser demasiado "aérea" e espontaneísta. Parece que as coisas me saem cá de dentro com demasiada rapidez e eu esqueço-me, sistematicamente, de reler os meus comentários. Não deve ser da velhice, porque admitoque sempre fui assim. De vez em quando autopenitêncio-me e tento ser mais cuidadosa, mas nunca dura muito tempo, esse exercício da vontade. Parece que tenho medo de morrer antes de dizer a próxima palavra, como se a única coisa realmente importante fosse isso mesmo. Se o fiz sorrir é porque não ficou zangado, pois não? Pelo menos foi desse seu "Solo" que nasceram estes dois sonetos. Essa é a mais pura das verdades.
EliminarDesculpe!
Há um ...hipócrita Num palco instável De um pequeno mundo, onde a pobreza... É um paradoxo...Cadência...pendular.... onde uma bactéria intrusa .. pensa que veio para ficar!!!! Hélas já cheguei e tudo isto eu perdi.... Beijinhos
ResponderEliminarNão perdeste nada! Ficou aí tudo muito quietinho à tua espera!
EliminarEstive hoje com uma amiga que não via há alguns meses. Contou-me que uma vizinha dela, com a minha idade, foi convocada seis vezes pela junta médica.Compareceu nas 5 primeiras entrevistas e morreu de cancro no pâncreas poucos dias antes de ir à 6ª.
Só espero que não me convoquem mais vez nenhuma! Esta já é a quarta convocatória...
Eu já vou ver teu blog. Costumas sempre voltar com um poema novo...
Bjinhos!
Maneira admirável de relatar o mundo.
ResponderEliminarAbraço.
Obrigada Velucia! O mundo é mesmo admirável, eu sou só um pedacinho dele.
EliminarUm abraço grande!