AS CATEDRAIS DE GELO

 



Gela a branca geada. Branca, gela


E tudo se arrepia em seu redor


Como se nos mostrasse o seu melhor


Nas construções de gelo que revela.


 


Assim o Inverno chega e se desvela


Na criação de mil cristais sem cor,


E sem sequer olhar, seja o que for,


Agreste, toca, esculpe e remodela…


 


Silencioso e breve, este escultor


Das obras transparentes e espelhadas,


Vai transformando tudo em catedrais


 


De onde roubou o sopro do calor…


[depois, na Primavera, derrotadas,


tornam-se o verde pasto de animais…]



 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Mª João, este poema levou-me à minha infancia. Às folhas que vergavam com o peso do gelo que "trincáva-mos" a rir. À água tapada com uma camada enorme de geada, e eu, louca, que me descalçada para a pisar e a sentir estalar sob os meus pés.
    Foi bom.
    Beijinhos poeta amiga

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    Respostas
    1. Obrigada, Fá! Também eu me recordei das poças de gelo - pequeninas porque Oeiras tem um clima temperado - em que eu "patinava" com as minhas filhas quando as ia levar à escola, nos dias mais frios. Poucas vezes tínhamos privilégios desses, mas quando acontecia, de manhã muito cedinho, era uma festa! É possível que elas já nem se lembrem muito bem das pocinhas de gelo, mas eu, nessas coisas, tenho uma excelente memória. Noutras, é a desgraça que se vê... :)))
      Um grande abraço, Fá. Estão quase a chamar para o almoço.

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  2. Mª. João

    Lindo de encantar e de pasmar o teu soneto.
    Adorei!

    Não estou melhor e te peço um favor se
    achares conveniente, se não, não o faças.!Seria avisar os amigos que neste momento me escrevem, no meu último poema do ano.
    Que eu estou doente e é com tristeza que não
    posso responder como costume.Leio, aprovo, mas por estar doente não posso responder.
    Se achares razoável, avisa os amigos (as).

    Beijos para ti e Natal Feliz e obrigada, pela
    tua amizade.

    Maria Luísa

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    Respostas
    1. Claro que o farei; amiga! Mas tenho imensa pena de o fazer pelo motivo que é. Queres que vá a todos os amigos que comentaram o teu último poema, um por um? Queres que faça um aviso geral quando publicar o meu soneto de hoje? Ainda não fui ao correio, não sei se me escreveste mais alguma coisa... mas se for necessário avisar um por um, fá-lo-ei! Ou as duas coisas, se assim o entenderes.
      Já experimentaste deitar-te de costas e flectir os joelhos sobre o abdomen? Dá-te um alívio temporário que é sempre muito bem vindo, garanto-te. Se abraçares os joelhos, ligeiramente abertos, e ficares nessa posição, a dor será muitíssimo mais suportável.
      Olha, isto já parece uma receita médica, desculpa. Mas tenta! Vale a pena!
      Um grande abraço e o meu profundo desejo de rápidas melhoras.

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    2. M. J.

      Basta um simples aviso no teu blogs.

      Obrigada. De mim não há mais correio.
      A dor voltou!

      Mª L.

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    3. Assim farei, Maria Luísa. Eu sei, por experiência própria, quão dolorosos são esses episódios! Descansa, não venhas teclar porque esta posição aumenta a dor.
      Um enorme e condoído abraço!

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