SONETO A UM VERSO QUE FICOU POR ESCREVER


 


 


Usado e gasto ou novo e displicente,


Tenho-te aqui, neste onde que nem sei,


No poema em que te prendo, esse imprudente


Que te irá dar bem mais do que eu te dei,


 


Mas perco-te depois, num gesto urgente


Em que abro mão daquilo que engendrei,


E vendo-te voar – quem me desmente? –


Descubro que não mais te encontrarei...


 


Quem és, quem és, se nem mesmo eu souber


Prender-te nos meus braços de mulher


Dando uma voz à voz que tu não tens?


 


Serás verso que teima em se perder,


Ou talvez sejas tudo o que eu quiser


Por mais que eu nunca saiba de onde vens...


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 10.10.2011 – 21.11h


 


 


 


Imagem retirada da Internet, via Google

Comentários

  1. “Execute-se”

    O próximo orçamento
    Será difícil de executar
    Não há lugar ao lamento
    Alemanha vai-nos ajudar

    Por via-férrea vai seguir
    Numa carruagem mercante
    Um pijama às riscas vestir
    Não usará desodorizante

    Seu cabelo será rapado
    Fará todo o trabalho forçado
    Não mais dormirá descansado

    E no dia que lhe fôr destinado
    Numa câmara será encerrado
    Orçamento morrerá gaseado.

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    1. Chegar ao seu comentário
      Foi mais fácil que chegar
      À rádio que, hoje, ao contrário,
      Não me deixa aproximar...

      Este OGE condenado
      Só condena ainda mais
      Um Portugal já cansado
      De dar mil e um sinais

      No sentido de avisar
      Que o povo, neste apertão,
      Inda rebenta de vez...

      Vamos lá a dedicar
      Um pouco mais de atenção
      A quem, de mal, nada fez!


      Abraço, Poeta! está tudo bem convosco? Tenho estado a tentar entrar no Rádio Horizontes da Poesia mas... hoje já falhei mil e uma tentativas. Parece-me que só tenho acesso aos blogs...
      Se for ao Google e digitar Rádio Horizontes da Poesia, vai lá dar! Eu é que não consigo entrar de forma nenhuma...

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  2. "Terra mãe" ( 1º aniversário )

    A terra está a parir
    Mineiros um por hora
    Emoção, chorar e rir
    Destes filhos que adora

    Crer imenso ao minuto
    Desde início se mantém
    Dos homens o contributo
    Dores de parto desta mãe

    Terra mãe, grande país
    Exemplo p’ra tanta gente
    Vai à mais profunda raiz

    Come poeira noite e dia
    Das entranhas de seu ventre
    Trinta e três filhos paria.

    Prof Eta

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    1. Desde sempre a escura terra
      Oferece à humanidade
      Riquezas que nela encerra
      E oferece àquele que a invade

      Mas, nessa oferta, ela pede,
      Ao homem que se aventura,
      Coragem de quem não cede
      Nem perante a rocha mais dura...

      Por vezes leva-lhe a vida,
      Noutras, é mais generosa
      Permitindo uma saída

      Mas sabe Deus quanto horror,
      Nessa gruta tenebrosa,
      Quanta espera e quanta dor...


      Já não consegui aceder ontem, Poeta. Vai agora, com o meu abraço! :)

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  3. Lindo Maria ^^
    Mas que verso foi esse que ficou por escrever? :)

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    1. :D Olá, Paper! Obrigada! Que verso foi esse? Tantos, amiga! Às vezes não há mesmo nada, nada onde possamos escrever um verso... ou mais... e a memória acaba por nos trair... a nós e ao tal verso que nunca foi escrito...
      :) Tenho um poema que foi todo escrito a lápis numa pedra da calçada que estava solta, junto à paragem do autocarro. Agora lamento ter deitado fora a pedra... mas acabei por deixá-lo escrito num dos meus quadros, simbolicamente :) Mas acredita que nem sempre o caderninho, a pedra, o lápis ou o guardanapo de papel estão ali, à mão. .. e eles vão-se, exactamente como se tivessem asas. Pelos mil e não sei quantas centenas - acho eu... - de poemas que tenho publicados online, muitos mais me fugiram, podes crer!
      Abraço grande! :)

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    2. Um poema escrito numa pedra da calçada? Nunca imaginei isso, mas agora que o fiz acho fantástico :D
      Mas concordo contigo, por muitos poemas que escrevamos, muitos mais nos fogem :)

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    3. Desculpa... interrompi a nossa conversa... e, não tarda nada, volto a interromper porque isto fecha :/
      Dá para escrever um soneto num paralelipipedo, dá. Tem de ser com letra pequenina mas faz-se! E até fica bonito... é pena é ser tão pesado :))
      Às vezes ainda fico triste quando perco um ou dois versos que eu achava particularmente bonitos...
      Bjo!

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    4. Eu sei o que isso é, também já perdi muitos :/
      Mas o importante é nunca desistir, e embora não possam ser substituídos, porque cada um é único, não quer dizer que não possamos continuar no mesmo sentido :)

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    5. ... e agora foi um intervalo dos grandes! Mas penso que todos nós já lamentámos um ou outro verso que se perdeu entre o nosso pensamento e a lonjura do papel ou do teclado... custa-me a acreditar que haja alguém que se sente de propósito só para escrever um poema... eles nascem quando menos esperamos! Claro que se fazem anunciar - quase sempre... - por algum tempo em que ficamos distanciados de tudo, excepto talvez do que fazemos mecanicamente... mas não é um processo totalmente voluntário nem absolutamente consciente. Por isso se criou o termo "inspiração". Nós, humanos, tendemos a arranjar nomes para todos os conceitos abstractos e não abstractos :)
      Bjo! :)

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    6. “Atingido por um poema”

      Dos poemas que fugiram
      Desses não reza a história
      Daqueles que sucumbiram
      Tenha paz a sua memória

      E numa pedra de calçada
      Um poema nasceu um dia
      Mas a pedra foi atirada
      A quem do poema fugia

      Atingido no meio da nuca
      Por tais palavras tão belas
      Rendeu-se de vez à poesia

      E não fosse usar peruca
      Seriam maiores as mazelas
      Assim galo de versos nascia.

      Eliminar
    7. Por mais que aqui nunca veja
      Quantos erros se cometem
      Quem perdeu alguém, deseja
      Justiça, como prometem!

      Só ontem, já muito tarde,
      Soube que a morte chegou
      Sem fazer nenhum alarde
      E uma vida arrebatou...

      Nas minas da Panasqueira
      Um trabalhador morreu
      Num espaço menos seguro

      E agora... haverá maneira
      De culpar quem o vendeu
      À morte em local tão escuro?


      Olá, Poeta. Desculpe se estivermos a falar de coisas muito diferentes mas eu só ontem soube da morte de um trabalhador nas minas da Panasqueira e fiquei bastante impressionada. Ainda hoje, em pleno séc. XXI, acontecem acidentes que poderiam ser evitados por um maior investimento nos cuidados de prevenção laboral. Soube que os trabalhadores da mina há muito reivindicavam esse investimento que lhes permitiria trabalhar em segurança. Tanto quanto sei, os trabalhadores transformaram o seu luto em protesto e luta por mais e melhores condições de segurança e eu, que não vi nem ouvi, mas LI, não poderia deixar de juntar a minha voz a esse protesto enlutado.
      Abraço grande!

      Eliminar
  4. “Bit generation”

    Agora que estamos ligados
    Já nada haverá a fazer
    Querem ver-nos crucificados
    Mas nem havemos de morrer

    Ao terceiro dia ressuscitamos
    I-Pad trará uma mensagem
    Pela estrada dos bits vamos
    Embora estreita a passagem

    Se o bit estiver a zero
    Será nulo esse contributo
    Pelo caminho morreremos

    Se estiver a um como espero
    E eu não pretendo ser bruto
    Uma lição ao mundo daremos.

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    1. Esta comunicação
      Das novas tecnologias
      É a representação
      De mil novas teorias,

      Quando a mudança acontece
      Não podemos ignorar
      Que algum mérito merece
      A quem se não quer calar

      Mas pensar que é só aqui
      Que se trava esta batalha,
      Que se muda a terra inteira...

      Deste pouco que já vi
      A mudança não nos falha;
      É vitória... ou sai asneira...


      Abraço grande, Poeta! Ainda consegui publicar o outro... vamos a ver se este também fica no seu lugar...
      Na! este já não deu... tive de refazer o acesso por duas vezes...

      Eliminar
  5. “Vale tudo”

    Na cidade do vale tudo
    Só não valia tirar olhos
    Agora é vê-los aos molhos
    Cegos e de ar carrancudo

    Repetem a toda a hora
    Há que fortalecer a finança
    Só isso trará a confiança
    Sem precisarmos ir embora

    Senão vamos ser corridos
    Por estarmos a defraudar
    Quem nos esteve a financiar

    Virão os de outros partidos
    Que estiveram a repousar
    E precisam de se alimentar.

    Prof Eta

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    1. Só não vale, nessa cidade,
      Tirar a quem tem demais...
      E venha a voz dos jornais
      Juntar-se à nossa igualdade!

      Sejam os jornais diários
      A voz dos trabalhadores,
      Cuidem também dos valores
      Que são os nossos salários!

      Eu já nem falo por mim,
      Falo por quantos merecem
      Saber que muitos se esquecem

      Das razões pr`a estar-se assim
      Neste desespero todo,
      Nas agruras deste "lodo"!


      Olá, Poeta! O meu abraço... enquanto isto se não vai abaixo... :)

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    2. “A cura”

      Com olhos de vampiros
      Deve ser por nos sugar
      De nada valem suspiros
      Aqui ou noutro lugar

      É das agruras e do lodo
      Agora nascem os dentes
      Para sugar o sangue todo
      Assim não ficamos doentes

      Que um morto não adoece
      Também não chateia muito
      Nem sequer morre da cura

      E os vampiros não aborrece
      Que renascer será fortuito
      Após tamanha secura.

      Prof Eta

      Eliminar
    3. Um morto não adoece
      Mas eu, em boa verdade,
      Digo que até me parece
      Que eles sugam a Liberdade...

      A secura vai ser tal,
      Vai ter força tão tamanha,
      Que nem a bem, nem a mal,
      Queremos ter coisa tão estranha!

      E, estou agora a pensar;
      Não podem matar-nos todos
      Ou ficam sem quem trabalhe...

      Se esta "festança" avançar
      Temos vampiros a rodos...
      [a não ser que a coisa falhe...]


      :)) Abraço e obrigada por mais este, Poeta!

      Eliminar
  6. “Caminhada XXIX”

    Diogo Miguel era soldado
    Ao serviço desta nação
    E morreu nesse atentado
    Descansa em paz desde então

    Nós não podemos descansar
    Enquanto as nossas vidas
    Só sirvam para metralhar
    Em nome de causas perdidas

    A única causa por ganhar
    É a causa simples do amor
    Por cada bala disparada

    Pedaço de carne dilacerada
    Nada justifica o terror
    Vamos amar, amar e amar.


    A Maria continua a descobrir coisas,

    http://maria-made-in.blogs.sapo.pt/

    nem sempre boas, mas a desbravar o caminho do amor.

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    Respostas
    1. Ai, ai! Eu quero ir à Maria! Isto é que não me deixa nem responder sem ter de reiniciar...

      Sempre acreditei na Paz
      No Amor, na Liberdade...
      A falta que isso nos faz
      Em toda e qualquer idade!

      Mas quando for necessário
      Erguer a voz, protestar,
      Eu, como qualquer operário,
      Estou presente, pr`ajudar!

      Ninguém quer a violência
      Mas, em nome da justiça,
      Quando estamos amarrados

      Pode surgir impaciência
      E haver alguém a armar liça
      Entre homens tão exaltados...


      Vamos a ver se consigo... ai, isto está horrível para estar online! :/


      Eliminar
  7. “Futuros”

    Todos os futuros existem
    Estão escritos no firmamento
    E há os futuros que resistem
    Transferidos pró pensamento

    É que um futuro pensado
    Com muita calma e sabedoria
    Não será um futuro enjeitado
    Dar-te-á paz e harmonia

    Mas se pensas um futuro
    Envolto num turbilhão
    Qual poderá ser o resultado?

    E se o pensas no escuro
    Esse futuro de antemão
    Será muito negro o coitado.

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    1. Não estou a pensar em mim
      Quando tomo decisões!
      Sempre que falar assim
      Estou a pensar em milhões!

      Nada está de todo escrito,
      Nada é assim linear
      E aquilo em que eu acredito
      Tu não podes nem sonhar...

      Estranhos intermediários
      Entre mim e o meu destino
      Estão a querer fazer-se ouvir...

      Há muitos modos e vários
      De fazer como eu ensino
      Não estando tudo a dormir...

      :) Olá, Poeta! Não está a ser nada fácil manter-me online...
      Um abraço grande!

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  8. “Atingido por um poema”

    Dos poemas que fugiram
    Desses não reza a história
    Daqueles que sucumbiram
    Tenha paz a sua memória

    E numa pedra de calçada
    Um poema nasceu um dia
    Mas a pedra foi atirada
    A quem do poema fugia

    Atingido no meio da nuca
    Por tais palavras tão belas
    Rendeu-se de vez à poesia

    E não fosse usar peruca
    Seriam maiores as mazelas
    Assim galo de versos nascia.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este está repetido, Poeta! Já mo enviou no dia 13, de madrugada, se me não engano... mas estou numa ligação tão instável que nem imagina... estive horas - horas mesmo - para conseguir aceder e só a este blog...

      Mas terá toda a razão...
      Pode ter acontecido
      Que, sem qualquer intenção,
      Até o tenha atingido...

      Quem disse que a Poesia
      Não era um campo arriscado?
      Quem o disse não sabia
      Do pedregulho lançado!

      Não conhecia sequer
      Que o poema pode ser
      Arma tão provocadora

      Ou então tentou esquecer
      A força desse poder
      Que a tantos nos revigora...

      Agora não vai ser nada fácil levar-lho... talvez nem seja possível...
      Um abraço grande!

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  9. É melhor a mentira

    É tanta e convicta a sinceridade
    Daquelas mentiras que sempre me dizes
    E que tu adornas com tantos matizes
    Que as tomo, confesso, por terna verdade.

    E sabes dizê-las com tal veleidade
    Com uma certeza que às vezes desdizes…
    Eu finjo ignorar sempre os teus deslizes
    Para te evitar fingida ansiedade.

    E de tantas vezes mas ires repetindo,
    Resolvo eu pensar que são verdadeiras
    E gosto, até, de as ir preferindo

    Às verdades torpes que oiço em todo o lado
    E aguçam o engenho d`inventar maneiras
    De passar a vida a ser enganado.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Meu amigo Eduardo,

      Agradeço-lhe mais este belo poema a que não lhe vou responder porque já "engrenei" nos sonetilhos mas não nos sonetos. Quando não me sinto mesmo nada inspirada e poeticamente desmotivada, como agora acontece, não os consigo escrever.
      Suponho que faça parte dos seus sonetos da juventude... há uma coisa que posso fazer, se conseguir ter acesso; posso transcrever um dos sonetos do meu avô que tenha uma temática similar!
      Um abraço para si e sua esposa e que tenham um bom Domingo.

      Maria João

      Eliminar
    2. Juraste pela cruz onde morreu
      O dôce e bom Jesus crucificado
      Que era meu teu lábio perfumado,
      Que o teu peito, mulher, era só meu.

      Juraste pela Virgem que sofreu,
      Sentindo o coração alanceado
      Ao ver o Filho querido inanimado,
      Que o teu amôr do meu olhar nasceu

      Quando juraste, cego acreditei,
      Amei por ti a vida deste mundo
      E só Deus sabe o muito que te amei!

      Era mentira tôdo o teu jurar
      E como anda a gemer o mar profundo
      Eu vivo, desde então, a soluçar!

      António de Sousa - Lisbôa, Fevereiro de 1916

      ...............................

      Aqui vai um soneto com uma temática idêntica e com quase 100 anos de idade!
      O poeta tinha feito os 17 anos pouco tempo antes, a 25 de Dezembro.

      Outro abraço!

      Maria João

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  10. “Alucinação”

    E o povo saiu à rua
    Mas a rua não estava
    Pensava que era sua
    Mas muito se enganava

    E o povo ficou parado
    À espera de uma decisão
    E por momentos calado
    Até que disse que não

    Vamos pr’a rua de novo
    Mas já não seremos povo
    Seremos uma alucinação

    Quem pensa que tudo pode
    Verá quando o povo explode
    Seu sangue espalhado no chão.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Em verdade lhe direi
      Que isto não pode durar
      Porque, tanto quanto sei,
      Isto foi só começar...

      Mas também não sei dizer
      Onde isto nos levará
      Nem quantos irão poder
      Garantir que o sabem já...

      Ninguém pode ter memória
      De tal descontentamento
      Partilhado e universal

      Estamos mesmo a fazer História
      E, quanto a mim, só lamento
      Se as coisas correrem mal...

      Estranhamente, consegui um acesso suficiente para escrever este sonetilho. Até estou a estranhar pois tem estado bloqueado e apenas acedi por segundos ao Face...
      Abraço grande, Poeta!



      Eliminar
  11. Caro Pedro

    Recebi a tua molhada. Andas a procupar-te demais com eles. Deixa-os espernear que não fica cá nenhum. Dedica-te à literatura infantil. «O melhor de tudo são as CRIANÇAS»

    O Inverno em que eu penso
    (a pedido do Vicente – TPC das férias de Natal de 2009)

    Chegou o mês de Dezembro,
    vai acabar mais um ano.
    Eu penso e não me engano
    penso, penso e até me lembro:

    que o inverno vai chegar
    e com ele vem o frio.
    Eu penso e não me rio
    penso, penso sem parar:

    tenho de me agasalhar
    e acender a lareira.
    Eu penso, mas que canseira
    penso, penso a tiritar:

    vá lá mais um agasalho,
    mais um casaco quentinho.
    Eu penso no meu gorrinho
    penso, penso ao borralho:

    que a neve já vai cair,
    nas montanhas, tão branquinha!
    Eu penso, será farinha?
    Penso, penso a sorrir

    Depois penso e não sorrio,
    penso, penso que na Terra,
    há homens que fazem guerra
    e há meninos com frio.

    EDUARDO

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tenho estado sem qualquer hipótese de acesso, amigo Eduardo, mas consegui agora este acessozinho em que tenciono agradecer-lhe o envio de mais este poema. São tão bonitas estas quadras...
      Espero que tenha recebido o soneto do meu avô que ontem coloquei em resposta ao seu. Não consegui levá-lo ao blog do seu Pedro porque perdi por completo a ligação... e esta também pode desaparecer a qualquer momento...
      Abraço grande para si e sua esposa.

      Eliminar
  12. “Fuzilamento”

    Não há lugar ao lamento
    Porque tudo vale a pena
    Se a dívida não é pequena
    Deves aproveitar o momento

    Decretas um ajustamento
    E ajustas todo este pessoal
    Que nem andava a viver mal
    Mas era muito o rendimento

    Agora é preciso trabalhar
    Mais uma boa meia horita
    A ver se o país arrebita

    E se ele teimar em afundar
    Terá que ser outra a receita
    Pr’a nos livrarmos da maleita.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Até mais duas ou três
      Das horas que são pedidas
      Daríamos... mas não vês
      Que isso não nos traz saídas?

      São medidas de fachada
      Que em nada irão ajudar,
      Que não levam a mais nada
      Senão a este afundar

      E a este retrocesso
      Que vamos vendo surgir
      E contra o qual protestamos...

      Não há luz neste processo
      Que nos há-de consumir
      Privilegiando os "amos"...


      Poeta, todo o dia tenho estado a tentar encontrar forma de aceder e apenas consegui ligações de alguns minutos... consegui publicar no Montanhas mas nem pude colocar imagem devido à precariedade da conexão. Ontem também não consegui "levar" o soneto do meu avô até ao seu blog e estou sempre sem saber quando é que tudo se vai abaixo e perco o que escrevi...
      Um abraço grande e um excelente início de semana!

      Eliminar
    2. “Os ninguém”

      Sonham as pulgas comprar um cão e sonham os ninguém deixar a pobreza,
      que um mágico dia chova boa sorte, que chovam cântaros de boa sorte;
      mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca.
      Não cairá do céu a boa sorte, por muito que os ninguém clamem, nem que lhes piquem a mão esquerda, ou se levantem com o pé direito,
      ou comecem o ano mudando de escova.
      Os ninguém: os filhos de ninguém, os donos de nada.
      Os ninguém: os nenhuns, os coisa nenhuma, correndo a lebre, morrendo a vida, lixados, relixados.
      Que não são, ainda que existam.
      Que no falam línguas, senão dialectos.
      Que não professam religiões, senão superstições.
      Que não produzem arte, senão artesanato.
      Que não praticam cultura, senão folklore.
      Que não são seres humanos, senão recursos humanos.
      Que não têm cara, senão braços.
      Que não têm nome, senão número.
      Que não figuram na história universal, senão na crónica vermelha da imprensa regional.
      Os ninguém, que custam menos que a bala que os mata.

      Tradução minha de *Eduardo Galeano*

      http://www.youtube.com/watch?v=pEkyblfn6oo

      Eliminar
    3. Obrigada por esta sua tradução, Poeta, e pelo link que irei ver assim que acabar de lhe responder... se a ligação deixar, claro.
      Arrepia imaginar - saber! - que existem vidas que custam menos do que a bala que as mata... "que não têm cara, senão braços", "que não são seres humanos, senão recursos humanos". Arrepia mesmo, Poeta.
      Um abraço grande, grande, para todos vós.

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