A TODOS OS ARTISTAS PORTUGUESES QUE RESISTEM E SOBREVIVEM A ESTE ANO DE TODAS AS INJUSTIÇAS


(Soneto em decassílabo heróico)


 


Num traço, redesenho este universo


Ao meu jeito de bicho inacabado


Mas travaram-me o traço mal esboçado


Como a mentira entrava o pólo inverso…


 


Do que me sobra, culminando em verso,


Retiro, peça a peça, este legado


Que aqui sirvo, bocado por bocado,


Na refeição comum de um tempo adverso…


 


Assim, do ousado rumo em que me invento,


Eu cobro, à Poesia, esse sustento


Das horas de ser carne e sangue e sonho


 


E mais vos não sei dar, nem tenho alento


Pr`a obra que me exija mais talento


Do que em tão estranho gesto agora ponho…








 


 


Maria João Brito de Sousa – 04.02.2013 – 19.25h




 


IMAGEM – Fotografia de Manuel Ribeiro de Pavia, nome artístico do artista plástico alentejano, Manuel Ribeiro, tirada por António Pedro Brito de Sousa, meu pai.

Comentários


  1. Deixo uma flor de quadras
    Pétalas
    E muito amor...

    bela e feliz noite à melhor das Poetisas Portuguesas

    ResponderEliminar
    Respostas

    1. eu já não sei o que é paz

      mas uma grande senhora de letras, sei...

      Eliminar
    2. Sabes o que eu acho que sou? Uma "palavradora"

      Inventei esta e gosto da palavra... tem a ver comigo, isto de "lavrar palavras", eheheheh...
      mas olha que com estas tensões malucas, nem uma rimazinha me vem à cabeça... só dor de cabeça, mais nada... e custa-me estar aqui a teclar... parece mentira mas até teclar me cansa...

      Noite muito feliz, Anjo

      Eliminar

    3. não há igual em Portugal...Poeta

      Eliminar
    4. ... mas hoje nem umas letrinhas eu consigo "lavrar"... e vou ter de me ir deitar cedinho porque a cabeça está numa dor pegada... e o resto, também não está melhor... porcaria da tensão que parece que está com a mania das grandezas; alta, alta, alta...

      Feliz e sossegada noite, Anjo

      Eliminar

    5. com muita estima


      e a mais bonita noite sossegada e feliz

      Eliminar
    6. Feliz tarde para ti, Anjo!

      A amiga Leonor vem buscar-me para irmos, mais uma vez, ao hospital... esta tensão maluca não se decide a baixar...

      Eliminar

    7. Que seja uma tarde sossegada

      e há cuidar os problemas...

      Eliminar
    8. Noite feliz para ti, Anjo

      Estou extremamente cansada e a tensão só desceu uns pontinhos, umas décimazinhas... não me sinto capaz de estar ao computador por mais do que uns minutos, mas acredito que isto venha a melhorar. Por enquanto tenho mesmo que descansar o máximo que me for possível.

      Eliminar
    9. Um feliz dia para ti, Anjo!

      ... isto voltou a subir um bocado... vou ter de descansar um nadinha...

      Eliminar
    10. e como vais tu ?

      passei pra saber de ti...

      Eliminar
    11. ... estive sem computador desde o dia 10, Anjo... a tensão baixou muito ontem à noite mas já subiu vergonhosamente hoje de manhã, quando acordei.

      A amiga Leonor levou-me ao hospital , mediram-me várias vezes a tensão , duplicaram-me a medicação em curso... mas ninguém se lembrou de me fazer ECG...

      A ligação está atroz! E eu estou ainda mais lenta... nem sei como vou fazer isto...

      Feliz tarde para ti, Anjo!

      Eliminar
  2. Respostas
    1. Vou à Ponte, Poeta, mas estou muito longe de me sentir capaz de retomar o ritmo que tinha... para já, claro. Espero sinceramente melhorar, embora a tensão arterial continue muito alta apesar da "dosagem cavalar" de anti-hipertensores...

      Abraço grande!

      Eliminar
  3. Respostas
    1. Gosto de aranhas, Poeta! São o meu "mosquicida" natural e tenho cá uma velha teia de estimação com uma amiguinha que me dá conta das moscas todas, já que os gatos estão tão velhinhos que perderam o interesse e a agilidade necessária para as caçar... e vou ao Chá mas a tensão continua muito, muito alta e a amiga Leonor não tarda está aí para me levar, de novo, ao hospital...

      Abraço grande e desculpe-me esta falta de respostas "decentes" mas a "maquineta" parece estar mesmo a funcionar nos seus limites.

      Abraço grande para todos vós!

      Eliminar
  4. “Mundo ao contrário”

    O mundo ao contrário
    É uma opção viável
    Pois o actual cenário
    Não passa d’execrável

    Vira-se do avesso
    Este mundo inútil
    Que assim tá de gesso
    Não passa de fútil

    Reinventa-se o mundo
    E com imaginação
    Dá-se-lhe um sentido

    Que este está imundo
    Entrou em depressão
    É um mundo perdido.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. VIDA, APESAR DE TUDO


      Se este mundo, do avesso,
      Se mostrar menos perdido,
      Peguemos no seu começo
      Pr`a lhe dar outro sentido,

      Mostrando-lhe o nosso apreço
      Ter-lhe-emos garantido
      Um rumo novo e sem preço
      E um progresso indesmentido!

      Nem sei como consegui
      Mas penso aqui ter deixado
      O que as rimas nunca calam

      Apesar do tempo, aqui,
      Estar tremido e mal-parado
      Pelas tensões que me abalam...


      Não sei mesmo como consegui, mas aqui vai, Poeta, com o meu abraço!

      Eliminar
  5. Sei que vês assim essa miséria, coisa que nossa mente que armazena beleza não concebe. Mas tudo isso passa, só não se vão os grandes feitos lusos.
    Abraços!
    ADÍLIO BELMONTE
    BELÉM-PARÁ-BRASIL

    Diante disso ensaiei esse humílimo soneto, que peço corrigi-lo nas lacunas:

    BRAVIA LUSA

    Sei que vês assim toda essa miséria,
    Que à tua pátria doam os barões,
    Como se a coisa não fosse tão séria,
    Levando esse bravo povo aos porões.

    Bem que sei de todas as vossas glórias,
    De muitos e muitos descobrimentos,
    Bravos feitos, conquistas e vitórias,
    Que enaltecem todos os sentimentos.

    Quando todo o mundo forte galopa,
    Buscando o maior desenvolvimento
    Não se admite essa história confusa.

    Querem aniquilar toda a Europa,
    Impondo ao povo muito sofrimento,
    Desafiando assim a bravia lusa!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito grata pelo belíssimo soneto, amigo Adílio Belmonte!
      Peço desculpa por só agora lhe responder mas as minhas vindas ao computador, agora, só podem ser feitas muito espaçadamente e fazendo intervalos para descanso entre uma e outra resposta...
      O meu problema degenerativo piorou bastante nos últimos dias.

      Abraço!

      Eliminar
  6. SonhoTeria passado a vida
    atormentado e sozinho
    se os sonhos me não viessem
    mostrar qual é o caminho

    umas vezes são de noite
    outras em pleno de sol
    com relâmpagos saltados
    ou vagar de caracol

    quem os manda não sei eu
    se o nada que é tudo à vida
    ou se eu os finjo a mim mesmo
    para ser sem que decida.

    Agostinho da Silva, in 'Poemas'

    Bom fim-de-semana amiguinha!! Mil beijinhos super fofinhos,fica bem!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Grata por esta partilha de um poema de Agostinho da Silva, Filipinha!

      Dos poemas, penso, às vezes,
      Estarem tão dentro de mim
      Que nem tensões, nem revezes,
      Os farão calar-se assim

      Que os poemas portugueses
      Deste pequeno jardim
      Como audazes camponeses
      Vão plantando até ao fim...

      Decerto os manda a vontade
      Mas outra força qualquer,
      Despontando em liberdade,

      Faz dela a bandeira ao vento
      Indo além do que puder
      O próprio humano talento...


      Maria João Brito de Sousa

      E aqui to levo, com o meu abraço, Filipa!

      Eliminar
  7. Respostas
    1. Eu, agora, até bebo infusões de dentes de alho e beringela que a amiga Leonor fez o favor de me trazer... não será nenhuma maravilha em termos de paladar, mas tem os seus efeitos anti-hipertensores e eu aproveito tudo...

      Vou já!

      Eliminar
  8. A MORTE dos TUBARÕES

    No mar, os peixes maiores,
    Para seu contentamento
    Sempre engolem os menores
    Garantindo seu sustento

    Com igual procedimento
    Os racionais predadores
    Sujeitam a tal tormento
    Os que julgam inferiores

    E os peixes de maiores portes
    E igualmente os racionais
    Deixarão de ser mais fortes

    E acabarão por morrer
    Se aqueles que sendo mais
    Não se deixarem comer

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Belíssimo sonetilho que muito lhe agradeço, amigo Eduardo!

      PELA LUTA ORGANIZADA DOS "PEQUENOS"

      O pior é que os mais fortes,
      No caso aqui relatado,
      Prenunciam muitas mortes
      Em prol de um fero legado

      E multiplicam-se em cortes
      Ao povo assalariado
      Culpando sempre as más sortes
      Do que é por eles engendrado...

      Há que dar agora "a volta"
      Ao mais sinistro dos planos
      Porque este "diabo à solta"

      Do perverso capital,
      Anda há muitos, muitos anos,
      A mostrar-se um "canibal"!

      Maria João Brito de Sousa -14.27h


      Aqui vai... ou não, que esta ligação está um horror. Pelo sim, pelo não, vou copiar este sonetilho muito espontâneo... penso que já nem sequer estou online...

      O meu grato abraço, amigo Eduardo! Também para Maria dos Anjos!

      Eliminar
  9. “Poder em Portugal”

    Abundante o desalento
    Fez escoar a esperança
    Ouço o sopro do vento
    Não me soa a mudança

    Soa como um temporal
    Que nos está a arrasar
    É o poder em Portugal
    Que só sabe espezinhar

    Recebe doces saborosos
    Os quais gosta de lamber
    Não passam duns gulosos

    Que se agarram ao poder
    P’ra servir os poderosos
    Com poder de corromper.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Outro poder..."

      Anda à solta, a corrupção,
      Neste jardim pequenino
      Onde um poder que é ladrão
      Tenta impor-se qual destino...

      É bem certo e já sabido
      Que os recursos são finitos
      Mas mal se ouve o estranho grito
      Que ressoa entre os aflitos...

      É tempo de se calarem
      Os gulosos do costume
      Que só o são por roubarem!

      Que ao mais pobre produtor
      Se não trate como estrume
      E saiba dar-se VALOR!


      Maria João
      Abraço, Poeta! Esse valor vai meio "gritado", eheheheh... mas foi assim mesmo que me saiu...

      Eliminar
  10. Poeta querida, como vais?
    Preciso de ti....vai ao Ligeirinha....
    doi-me a alma.....

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cara amiga, a Mª João disse-me ontem que ficou sem computador, vou lá amanhã tentar resolver a situação,

      Dor d’alma pungente
      Busca o azul do mar
      Não há alma qu’aguente
      Tanto tempo sem amar

      O amor não é urgente
      Se o não sabem apreciar
      Mas pode até ser ardente
      Se o souberem encontrar

      É caminho desconhecido
      Este trilho em solidão
      No meio da multidão

      Vejo tanto irmão ferido
      Suas almas num motim
      Não vêem pedaços de mim.

      Eliminar
    2. Não estou bem - o SAAFs agravou-se - e estive mais de três dias sem computador, Ligeirinha... tenho tudo num enorme atraso mas vou ao teu cantinho...

      Eliminar
  11. “Negócio do amor”

    Esquece os pensamentos
    Esvazia essa tua mente
    E sem constrangimentos
    Podes dizer, presente

    Presente de verdade
    Em todo o esplendor
    Esvazia-te d’ansiedade
    Entrega o teu amor

    Não exijas o retorno
    Que isto não é negócio
    Mas se o deste com sentido

    Na conta verás o estorno
    Depositado por um sócio
    Com amor serás reconhecido.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Só faltava, só faltava...
      Já agora... a Poesia,
      Pois nem ela se livrava
      De se ver "mercadoria"

      E, nos versos que cantava,
      Noite a noite e dia a dia,
      A Poesia cobrava
      Quanto nela se escrevia...

      Tendo em conta que o Amor
      Não se esgota num binómio
      Nem se aprende - é quando for! -

      Poeto, com muito ardor,
      A fugir do manicómio
      Que é o meu computador...


      Pois, Poeta... foi o que me ocorreu... e é a pura verdade! Este computador está doidinho de todo e não faz outra coisa senão tremer tanto que quase não consigo ler nada... quando a ligação não bloqueia, claro, e me deixa que tempos "pendurada" à espera que ele se resolva a"desbloquear"... mas a verdade é que escrever também é um acto de amor, sobretudo quando se escreve poesia...

      Abraço grande!


      Eliminar
  12. Respostas
    1. Poeta, desculpe mas já nem consegui vir ontem ao sapo... a ligação consegue estar ainda mais lenta do que eu, a imagem treme que nem gelatina ,
      bloqueia tudo durante tempos infinitos e o esforço é demasiado grande para o estado em que eu tenho a maquineta

      Vou agora à Ponte! Muito obrigada por tudo!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER