PEQUENAS SUBVERSÕES A UM INEVITÁVEL PÔR DO SOL


 


(Em decassílabo heróico)


 


 


 


Solto esta voz que invade o meu poema,


Que chega não sei de onde e não sei quando,


E entrego-lhe a palavra que, voando,


Despreza a rigidez de forma e tema,


 


Pois só brota se, livre e sem problema


Na condição de impor-se, ir-se espraiando,


O grito que lançar for conquistando


Batalhas que engendrou contra um sistema.


 


Depois… fica o poema, vai-se o “mago”


Que, ao mergulhar no mar do que em mim trago,


Promete só voltar quando entender


 


E resta-me este fundo e calmo lago,


Tão perceptível quanto um vago afago,


Confirmando o que a aurora ousou esconder.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 15.09.2013 – 20.35h

Comentários

  1. Resta-nos o calmo lago...
    Mas sinto falta dos gritos de outrora!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eheheheh... eu nunca fui "de gritos"... mas sinto falta da minha rica mobilidade, isso sinto... e da força muscular... e da destreza manual... e da capacidade de preensão de objectos... tenho amigas com uns bons aninhos a mais do que eu que, muito embora queixando-se, têm uma força e uma mobilidade muito visivelmente superiores às que eu vou tendo, Golimix...


      Beijinho!

      Eliminar
    2. Não precisamos de gritar com a garganta, com as palavras e actos também serve!

      Eliminar
  2. “Queijo fresco”

    Há o sal e apimenta
    Queijo fresco também
    A tertúlia já fermenta
    O tintinho corre bem

    Só falta o condicional
    Para temperar esta vida
    A antiga forma verbal
    Parece que foi esquecida

    Mas vamos apelar ao verbo
    Para não se deixar morrer
    Ou estaremos mais pobres

    Vamos consultar o acervo
    Por forma a não esquecer
    Essas escritas mais nobres.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ahahahahah!!!

      Ai, Poeta, que estou mesmo sem tempo!!!


      Já de tertúlia "no forno",
      Preparando o ambiente;
      "Falta aqui algum adorno?
      Será que vem muita gente?"

      Mas, pondo os pés sobre a terra,
      Afasto o estranho feitiço,
      Vejo o que a despensa encerra
      E... já não tenho chouriço!!!

      Que pobrezinha vai ser
      A minha contribuição!!!
      Nem sequer vinho, a valer,

      Existe nesta despensa!!!
      (Na caneca, em minha mão,
      Quente, o chá marca presença...)


      Maria João




      Abraço grande!!!


      Eliminar
  3. Poema heróico nos quartetos e tercetos,
    Verdadeira e sonhada obra-prima
    Que emociona em todos os textos,
    Por isso a poesia sempre me anima.

    ADÍLIO BELMONTE,
    Belém-PARÁ-BRASIL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo Adílio, acabo de publicar um "soneto de coda".
      É um tipo de soneto que eu ainda nem conhecia, até me ser "apresentado", no Facebook, por um amigo, Frassino Machado, e se caracteriza por um terceto a mais, no final. Talvez se interesse pela modalidade. Neste momento já encontrei alguma coisa sobre ele... ainda não tive tempo de ler bem, mas vi que foi usado por Cervantes e Drummond de Andrade...

      Obrigada por poetar no meu blog!

      Eliminar
  4. “Voar”

    Salto no desconhecido
    Desse prisma fascinante
    Parece-me ter ouvido
    Uma batida exuberante

    DJ Ride prometido
    Em que nada é constante
    Se o salto foi cumprido
    Tudo fica a montante

    Muitos saltos faltarão
    Pr’a atingir algo diferente
    À origem voltarão

    Depois de abrir a mente
    E só alguns voarão
    Saltar não é suficiente.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER