1º PRÉMIO, NA CATEGORIA DE SONETO, DOS XXI JOGOS FLORAIS DE OUTONO - MONFORTE, 2013
SONETO EM DECASSÍLABO HERÓICO
Noites Cálidas, de estio…
Quando uma noite cálida se estende,
Tão suavemente, à luz da vela acesa,
No linho já estendido sobre a mesa
E, viva, essoutra chama em nós se acende
Crescendo num fulgor que se não rende
Pois vem duma alquimia que a beleza
Concede se munida da certeza
De uma força interior que se não vende,
Então surge o poema, esse indomado,
Como filho que em nós fosse gerado
Por cópula lunar de anjo bravio
Ou beijo pressentido e tresloucado
De alguém que nos tivesse abençoado
Com estro que emulasse ardor de estio…
Marianita Rocha (pseudónimo)
Maria João Brito de Sousa - 2013
Chá amputado.
ResponderEliminarPobre Chá... vou vê-lo!
Eliminar“Nova idade”
ResponderEliminarAgora a idade média
É a grande sensação
Pois li na enciclopédia
Qu’estamos em evolução
Vai cair o nosso império
Vai dar-se uma migração
E pr’adensar o mistério
Muitos outros nascerão
Será o renascer das cinzas
Libertando novas culturas
Corpo e alma da revolução
Não choremos as ora findas
Porque das velhas agruras
Novas esperanças brotarão.
Father and Son on the bridge.
ResponderEliminarChá salgado.
ResponderEliminarVou lá num pulinho, antes de sair...
Eliminar“Quando os lóbis uivam”
ResponderEliminarUm estado melhor
Pois pior não pode ser
Mas seja lá o que fôr
É preciso empobrecer
Quando os lóbis uivam
O país cai de joelhos
Há horizontes que turvam
Roubam-se novos e velhos
Aos velhos são os tostões
Aos novos é a esperança
Este é o nosso guião
Num tempo sem ilusões
É necessária perseverança
Pr’a dizer este futuro não.
Prof Eta
"Barulhinhos de fundo..."
EliminarOs lobbies fazem "barulhos"
Que só trazem confusão;
Uns, só nos trazem engulhos,
Outros... pura tentação!
É o que já conhecemos
Por "ruídinhos de fundo"
Em que, à vezes, nos perdemos
Dos contextos deste mundo...
Mas, deixando-nos guiar
Pela voz que nos norteia
Sempre rumo aos nossos sonhos,
Funcionamos com "radar";
Nem quando "a coisa" está feia
Nos mostramos mais tristonhos!
Maria João
A correr, a correr, envio o meu abraço, Poeta!
Guião do chá.
ResponderEliminarUm Chá com guião???
EliminarNão estou mesmo nada bem, Poeta... nada, nada. O medicamento que me deram ontem, não me está a ajudar nada...
“Chuva vermelha”
ResponderEliminarEsta é a greve de fome
Espelho duma revolta
De gente que não come
É a pobreza que volta
Esta é a greve de vida
Espelho da má sorte
Porque estava decidida
Pr’a esta gente a morte
Erguem-se valores assim
Em tempos excepcionais
Foi a morte da revolução
Para esta gente é o fim
Longa vida aos metais
Esses não mais morrerão.
A triste realidade
EliminarDuma "cabala" engendrada
Pelo capital que invade
Esta nossa "barricada"...
Não sabem que mais fazer
Para dar cabo de nós
Que recusamos ceder,
Que não calamos a voz!
Cada vez mais dependentes,
Cada vez mais despojados,
Sem ter pão, sem ter saúde,
Arreganhamos os dentes
Aos que já foram comprados
Por int`resse e sem virtude!
M. João
Cá vai, muito, muito "a correr" porque estou mesmo a precisar de me deitar um pouco. Abraço!
CANTE DO AVÔ CANTIGAS
ResponderEliminarA REFORMA DO ESTADO
Eis a Reforma do Estado
Que ocorreu por invalidez,
Não do que foi reformado,
Mas daquele que a fez
Por ter nascido aleijado
E governar ao invés
Vai ele ser escorraçado
E reformado de vez
P´ro Estado Português
Far-se-á melhor reforma
Mas o governo burguês
Sem reforma ao fim do mês
Vai-se embora e já não torna
Porque enganou o freguês.
Eduardo
Com tudo irei concordar
EliminarQue o governo-pau-mandado
Já nem se dá ao cuidado
De "cobrir-se" e disfarçar
Não vou, portanto, calar,
Apesar do grande enfado,
Que ele, só tendo desgraçado,
Mais nos tenta desgraçar!
No triste estado em que estou,
Numas rimas, muito à pressa,
Logo a "fonte" se esgotou...
Quem criou quanto criou
Tem de ir dormir mas confessa
Que, do seu, muito gostou!!!
Maria João
Grata por este oportuníssimo sonetilho! Respondi muito à pressa porque estou mesmo a piorar e preciso de me deitar com urgência... abraço grande para vós!
Chá em viragem.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
EliminarChá indigesto.
ResponderEliminarPoeta, peço desculpa por não ter conseguido, sequer, responder-lhe ontem... hoje, provavelmente, também não... mas vou ao Chá!
EliminarChá pensante.
ResponderEliminarDeve ser um chá sensato, eheheheh... não haverá por aí um Chá contra o enjoo?
Eliminar... mas é que estou mesmo enjoada...
“Praga humana”
ResponderEliminarE sobre a humanidade
Uma praga se abateu
Destruindo a sociedade
Como alguém a conheceu
Foi a falta de liderança
E a ganância em excesso
Matou tod’a esperança
E destruiu o progresso
Somos só espectadores
À mercê do populismo
Pertença dos delatores
Sem pinga de altruísmo
Beneficiam os infractores
Conduzindo-nos ao abismo.
Prof Eta
Praga de Sistema...
EliminarA praga, caro Poeta,
É o tal capitalismo
Que sempre traçou a meta
Com as cores do seu cinismo
É a fome qu´el`nos traz,
O pão que nos vai roubando
E todo o mal que nos faz
Em prol de um pequeno bando...
A treta da exploração
Do "menor" pelo "maior",
Ess`é qu`é a praga enorme
Que, sem sombra de razão,
Põe termo a seja o que for
C`uma bocarra disforme!
Maria João
Aqui vai, com o abraço do costume, Poeta!
Ponte tango.
ResponderEliminarVou ver se ainda consigo ir à Ponte, Poeta...
Eliminar“Grito humano”
ResponderEliminarPermitimos atrocidade
Além da compreensão
Dizemo-nos sociedade
No topo da evolução
Revelamos cumplicidade
Para com esta situação
Acicatamos a vaidade
Sem qualquer explicação
Somos a humanidade
Que diz possuir coração
Não mostramos ansiedade
Apesar desta contradição
Ser humano de verdade
Ou desumano por convicção.
Tudo isso será verdade,
EliminarMas não menos verdadeiro
Será que esta sociedade
Pensou demais no dinheiro
Toda uma sobrevivência
Vai agora depender
Da nossa resiliência;
Resistir, nunca ceder!
Do melhor e do pior
Todos nós seremos feitos
Alguns menos, outros, mais,
Pois, homem-não-predador,
Todos nós temos defeitos,
Tal como outros animais...
M. João
Vai muito pouco "gritado", Poeta... hoje não estou com grandes "alentos" para gritar... abraço grande!
Louco na ponte.
ResponderEliminarVou ver esse louco, Poeta!
EliminarChá horrível.
ResponderEliminarVou vê-lo...
Eliminar“Manifestação não”
ResponderEliminarEscuta a declaração
Não existe contradição
Os jovens não estão
Presentes na manifestação
Pois não têm motivação
Nem a tal predisposição
Já que sempre acreditarão
Ter o seu destino na mão
Mas em breve sentirão
Uma enorme estagnação
E por certo emigrarão
Um dia regressarão ou não
Então jovens não serão
Mais velha estará a nação.
Prof Eta
Não... mas só pr`á reacção...
EliminarEu tenho presenciado
Muita e boa juventude
Que marchando, lado a lado,
Com tais tretas não se ilude!
Se tem tanto tempo à frente,
Muito mais se justifica
Que lute e seja prudente
Ou depressa sem el` fica...
Agora se quiser ver
Velho e novo a trabalhar
Como nunca dantes viu,
Não sei bem como surgiu,
Mas bem posso afiançar;
Basta comunista ser!
M. João
Aqui vai com o abraço do costume, Poeta!
CANTE DO AVÔ CANTIGAS
ResponderEliminar«PROGRAMA PRESERVATIVO»
O programa cautelar
Ou programa preventivo
Bem se podia chamar
«Programa preservativo»
Vai a moléstia evitar
E será bom lenitivo
E um factor decisivo
P´ra Pátria não procriar
Tanta dívida e juro
Por falta de protecção.
E em muito breve futuro
Com um protector sem furo
A economia em erecção
Não entrará, em apuro.
Eduardo
Muito, muito bom sonetilho, Eduardo!
EliminarComo estou sem tempo e os scripts continuam loucos, deixo-lhe uma quadra que me ocorreu agora.
Devolvo as asas ao sonho,
Finco bem os pés na terra;
Assim vivo, assim disponho
Quanto sonho a vida nega...
Maria João
Abraço para si e Maria dos Anjos!
Alexandra na ponte.
ResponderEliminarVou vê-la, Poeta...
EliminarChá recua.
ResponderEliminarRecua? Vou vê-lo!
Eliminar“Vida”
ResponderEliminarAmo-te no WC
Amo-te em qualquer lado
E depois logo se vê
Qual será o resultado
Deste amor fugidio
Que não escolhe lugar
Nenhum lugar é sombrio
Quando é feito para amar
Faz-se luz da escuridão
Neste desígnio tão belo
E desta forma decidida
Nasce o imenso clarão
Produz-se milagre singelo
Que desagua na vida.
... que desagua na vida,
EliminarNo poema, na brandura
De haste que sustente erguida
Flor que exiba tal brancura!
E por aqui me fico, Poeta. Hoje estou mais lenta do que nunca e tenho milhões de afazeres!
Abraço grande!
CONTINUAÇÃO
ResponderEliminarA ERECÇÃO DA ECONOMIA
Duvidoso é a economia
Atingir a erecção
Pese embora a fantasia
Em que se empenha a Nação.
Mesmo com contas à mão
Ou qualquer outra mestria
Ela sempre se desvia
E aponta para o chão.
Já não há entusiasmo,
É tempo de vacas magras,
A fome deu em marasmo,
Para atingir o espasmo
Só à custa de «viagras»
Ainda assim… até pasmo!
EDUARDO
Muito bom e muitíssimo satírico, este seu sonetilho, amigo Eduardo. Obrigada!
EliminarO meu abraço para si e Maria dos Anjos!
Vida na ponte.
ResponderEliminar“Bandalheira”
ResponderEliminarÓh gente do meu país
Digam a quem nos representa
Que este povo anda infeliz
Não sabemos se aguenta
Parem de nos amputar
Vão de férias pr’ó Haiti
Nós ficaremos a rezar
Pr’a que permaneçam aí
Este país merece mais
Que um bando de não sei quê
Não encontro os adjectivos
Teriam que ser brutais
Mas depois logo se vê
Venham os antidepressivos.
Prof Eta
Dignifiquemo-la!
EliminarMas quais antidepressivos?
Já ninguém pode chegar-lhes!
Se qu`remos manter-nos vivos,
Caro amigo, há que "chegar-lhes"!
Nem sequer são lenitivos
Porque usá-los pr`a mostrar-lhes
Que somos bons criativos,
A eles, melhor vai calhar-lhes...
Se nos sobra a lucidez
De quem ousa não parar,
Se esta Luta continua,
Pr`a quê forçá-lo através
De remédios "pr`amansar"
Quanto povo anda na rua?
M. João
Bom Sábado, Poeta! Segue com o abraço do costume!
CANTE DO AVÔ CANTIGAS
ResponderEliminarO POVO ESCOLHE
Nunca dei golpe perfeito,
Nunca fui grande ladrão,
Se o fosse tinha o proveito
De mandante da Nação.
Até tenho um certo jeito
Para ser um bom chefão,
Mas tenho este defeito
De não ser um aldrabão.
E o povo escolhe a eito,
Eu não sei qual a razão,
Qual a base ou o conceito,
Quem nunca corta a direito…
Assim sendo, em eleição,
Só o malvado é eleito.
Eduardo
Excelente, amigo Eduardo!
EliminarObrigada e o meu abraço... para todos vós!
Chá ordena.
ResponderEliminarCaramba! Quero ver isso!
Eliminar“Outono”
ResponderEliminarOutono olhos castanhos
Invernos negros de frio
Primavera verdes tamanhos
Verão vermelhos de estio
Vejo as folhas da alma
Que cobrem o pensamento
Caindo em tarde calma
Aproveita-se o momento
Vê-se ao longe um sinal
Qual estrela em firmamento
Numa galáxia preenchida
Pois as estações afinal
Serão do ano acontecimento
Mas também o são da vida.
Outonos...
EliminarNesse Inverno, que prevejo
Negro, negro, muito embora
Já sentindo esse arrepio
No meu corpo, mesmo agora,
Tanta chuva, tanto vento,
Tal agrura e desconforto,
Trarão descontentamento
À alegria de ter "porto"!
Já ondas encapeladas,
Vão balançando os barquitos
Cujas velas, desfraldadas,
Vão sendo, ao longe, avistadas,
Uns pensando: são bonitos!
E outros... de almas alheadas...
Maria João
Com o abraço do costume, Poeta!
CANTE DO AVÔ CANTIGAS
ResponderEliminarA GREVE
Esta greve terminou
E os grevistas a seguir
Trabalham p´ra conseguir
Repor o que se atrasou
E alguém acabou a rir
Com o pecúlio que poupou
P´lo dia que não pagou
E acabou por usufruir…
O que sempre explorou,
Aquele que sempre deve,
Os olhos arregalou,
As manápulas esfregou
À espera de nova greve
Contente co´a que acabou.
Eduardo
AINDA A GREVE...
EliminarGreves são sempre direitos
De quem muito trabalhou
E vê seus sonhos desfeitos
Pelas mãos de quem explorou
Greves são obras e feitos
De quem bem se organizou
Pr`a lutar contra os "eleitos"
Que uma injustiça empossou
E se um del`s fica contente
Pelo lucro acumulado
Terá feito, inconsciente,
Do que uma greve desmente
Um juízo muito errado
E é, lá no fundo, um demente!
Maria João
Aqui vai, amigo Eduardo, com o meu abraço! Muito à pressa, desculpe as mais do que prováveis dissonâncias poéticas...
Chá iludido.
ResponderEliminarHummmm... as ilusões não são nada úteis e mesmo no campo da criatividade podem fazer os seus estragos... vou ver isso!
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