CONVOCATÓRIA (Adiando tanto quanto puder)
(Soneto em decassílabo heróico)
Convoco-te, poema, em cada verso,
em cada estrofe enquanto não tecida,
em cada afirmação, no seu reverso,
no sopro que conduz do verbo à vida,
E sempre que comigo, em mim disperso,
te encontro e vou moldando já rendida,
perder-te-ei depois, depressa imerso
num mar cuja maré me traz perdida,
Mas essa sensação de, em tempo adverso,
estar presa, acorrentada e sem saída
num beco já distante e bem diverso,
Quando olhada de frente, foi vencida
no desdobrar final deste universo
que em versos multiplico, dividida...
Maria João Brito de Sousa – 20.07.2015 – 14.34h
Gostei. Aplauso !
ResponderEliminarObrigada, Poeta!
EliminarVi algumas fotografias das vossas mini-férias! Devem ter sido muito, muito boas, embora curtinhas...
Abraço para todos vós!
Curtinhas e cansativas, mas é um cansaço diferente.
EliminarÉ um cansaço bom, Poeta!
Eliminar“Antros”
ResponderEliminarOs bares estão cheios
Com vidas esvaziadas
Nas mãos copos meios
Almas meio encharcadas
São imunes aos receios
Das almas mais avisadas
Muito dadas a devaneios
Quais irmãs esquartejadas
Pelas lanças em torneios
Onde a vida não vale nada
Onde a rainha é a morte
Onde se tocam os seios
Não os da pessoa amada
Mas os que calham em sorte.
Dura e negra realidade,
EliminarEssa de que aqui falou
No poema que enviou
E a que respondo; É verdade!
Nunca tive a veleidade
De pensar que ela passou
Pois foi um mal que abarcou
Toda inteira, a sociedade,
Crendo, porém, nos humanos,
Penso que, ao longo dos anos,
Venha a ser coisa passada,
Como avaria nos "canos"
Que passou deixando danos,
Mas foi, de vez, consertada...
Maria João
Cá vai, Poeta, renovando o abraço que deixei na minha resposta anterior!
“Lobos e cordeiros”
ResponderEliminarEntre os lobos ferozes
Cordeirinho sem medo
Escutas as suas vozes
Mantem-se em segredo
Os lobos são poderosos
Predadores por natureza
Outros animais receosos
Não querem ser sua presa
Não parece justificável
Este desequilíbrio atroz
Que torna tudo imundo
É um equilíbrio instável
Onde o animal mais feroz
É o que governa o mundo.
Prof Eta
É-me difícil, por vezes,
Eliminarfazer tais comparações
mesmo quando anos e meses
me of`receram mil razões
Pr`a, nos lobos, ver vilões
e, nos homens, meras rezes,
mas, forçando as deduções,
vejo que os grandes burgueses,
Preenchendo as condições,
abocanham camponeses
e predam populações
Mostrando enormes "dentões"...
(desses tão duros revezes,
nascem tais associações...)
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
É-me difícil, por vezes,
Eliminarfazer tais comparações
mesmo quando anos e meses
me of`receram mil razões
Pr`a, nos lobos, ver vilões
e, nos homens, meras rezes,
mas, forçando as deduções,
vejo que os grandes burgueses,
Preenchendo as condições,
abocanham camponeses
e predam populações
Mostrando enormes "dentões"...
(desses tão duros revezes,
nascem tais associações...)
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
há pessoas assim - que multiplicam tudo o que tocam...
Eliminarexcelente soneto. como é teu timbre.
beijo
Timbre! Também o timbre é importantíssimo nos sonetos, mas refiro-me a timbre sonoro ou musical! Obrigada por mo recordares, embora com outro sentido, por me leres e pelas palavras que aqui me deixas, Heretico!
EliminarBeijo!
“Fui à selva”
ResponderEliminarFui à selva dos animais
Não me senti insegura
Voltei às selvas reais
E a insegurança perdura
No mundo que habitamos
Minado pela corrupção
Talvez um dia vejamos
A selva em unificação
Até lá havemos de resistir
À morte que nos rodeia
Pois conservamos a esperança
Que não nos deixa desistir
Quando a mente nos alheia
P’ra não assistir à matança.
Prof Eta
Ele há selvas fascinantes
Eliminaronde a vida mais selvagem,
cresce entre árvores gigantes
e onde os rios nem têm margem...
Onde, a todos os instantes,
se descobre uma mensagem
que vem dos seus habitantes
e é de medo... e de coragem!
Porém, nas selvas urbanas
que dizem civilizadas,
crescem coisas desumanas;
São selvas urbanizadas
que se vão tornando insanas
e, uma a uma, escravizadas...
Maria João
Aqui vai, Poeta, como sempre fluindo da primeira ideia que me tenha ocorrido. Abraço grande!
“Cardume”
ResponderEliminarVolta sempre à origem
Pois aí vais reencontrar
Algo que não é virgem
Mas por certo vai ajudar
Conhecimento ancestral
E o caminho revelador
Do espírito fundamental
Que te fará um vencedor
Na luta p’la verticalidade
Criando profundas raízes
Tendo a mente bem desperta
Na busca p´la humildade
Onde não existam juízes
Mas um corpo sempre alerta.
Do corpo, que trago alerta,
EliminarMe nasce a necessidade
De ir mantendo a porta aberta
Para uma nova verdade
Que acordará mais desperta,
Nunca forjando humildade
Porque a tem, mais do que certa
Onde conquiste igualdade,
No cardume em que, encoberta,
Pugna pela liberdade,
Em que cresce e se concerta
E derrota o que lhe invade
O fruto da descoberta
Dessa nova humanidade
Maria João
Segue, Poeta, com o abraço de sempre!
Amiga,
ResponderEliminarMesmo vindo d'além mar esses versos me tocam
como o vento que balouça os braços da árvore frondosa.
Saiba que a alma-poeta que reside em vós é bem maior do que qualquer contratempo terreno. E o vento quando soprar sobre a fronte do homem mostrará que sois uma grande artista, bem superior aos louvores materiais.
Vossos versos ensinam, fazem-nos refletir, sonhar, viver a poesia e nos inspiram, se não, vejamos:
ÁGUAS ETERNAS
As águas divididas dos meus sonhos
São os incertos mundos que vivemos,
Em nossos pesadelos bem tristonhos
Ao pensamos que já aqui morremos.
Mas o sol deita o brilhar cristalino
Sobre todos os santos e os impuros,
E me faz dessa vida um paladino
À vista do Pai eterno e intramuros.
Na sedenta desgraça não aposto,
Pois tenho as luminárias eternas,
Todas elas brilhantes no meu rosto.
Deus c’a mão infinita ora me toca
Como a chuva profunda banha o solo,
Por certo bendizendo a quem o invoca.
Adílio Belmonte,
Belém-Pará-BRASIL
Desta lado do Atlântico lhe envio a expressão da minha gratidão pelas suas palavras e pelo bonito soneto que aqui me deixa, Adílio!
EliminarÉ e será sempre muito bem-vindo a este espaço /livro em cujas páginas vou deixando os meus sonetos!
O meu fraterno abraço!
Sonhos do chá.
ResponderEliminarVou ter de sair de novo, Poeta, mas... vou ver os sonhos do Chá!
Eliminar(A Cloud deixou de me permitir o upload de imagem...)