"ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE"

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"Erros meus, má fortuna, amor ardente"...
de erros que me sobrassem, naturais,
fui trocando - de menos, ou demais? -
as quadras por sonetos... dei semente!

"Tudo passei, mas tenho tão presente"
um ror dos pecadilhos mais venais,
dos comuns, cometidos por mortais
que à perfeição aspirem, tão somente...

"Errei todo o discurso de meus anos",
talvez num verso, ou noutro... é natural
porque apenas humana e nunca um deus!

"De amor não vi senão breves enganos",
mas como posso, a Amor, levar a mal,
se, o próprio, erros comete, iguais aos meus?




Maria João Brito de Sousa - 08.09.2015 - 11.47h


 


NOTA - Soneto escrito na sequência da publicação do soneto de Camões com o mesmo título, glosado por Helena Fragoso.


 

Comentários

  1. “Pizza 33”

    E a pizza arrefeceu
    À porta do trinta e três
    Quem tem fome não comeu
    Voltou à loja outra vez

    Jornalista agradeceu
    Com uma grande lucidez
    A peça que desenvolveu
    Para o público português

    E Portugal agradece
    O momento transmitido
    Com tanto profissionalismo

    Enquanto a pizza arrefece
    Vemos o entregador estarrecido
    Graças ao magnífico jornalismo.

    Prof Eta

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    1. Que soberba reportagem,
      que "thriller", que apoteose!
      A "pizza" encerra a "mensagem"
      e curva-se, em grande pose!

      Quanto não daria eu,
      que deixei de ter comida,
      pr`a ver cair-me do céu
      uma "pizza" bem servida?

      Mas, mesmo que acontecesse,
      que uma "pizza" milagrosa
      me chegasse "lá do alto",

      Quereria que viesse
      muito mais... silenciosa
      como que chega de assalto...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço grande do costume!

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  2. “O sistema”

    Pouca terra tanta gente
    Também falta o dinheiro
    Assim fala quem te mente
    Tendo em mente o financeiro

    O sistema está montado
    P’rá salvaguarda dos milhões
    Para o pobre e o refugiado
    Já só sobram os bastões

    Bastonada na carola
    Sentadinho no chão
    Quietinho e sem mexer

    Que o mirage já descola
    E na sua nobre missão
    Muitos votos vai render.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Dinheiro nunca faltou,
      está só mal distribuído;
      sobra a quem muito explorou,
      fica um milhão já excluído!

      O sistema já falhou!
      Nada disto faz sentido,
      a não ser pr`a quem julgou
      que este sistema era um "querido"

      E, assim, o sustentou!
      Pr`a quem nisto já pensou,
      direi, no tempo devido,

      Que esse "querido" caducou.
      Ao que o não tenha entendido,
      direi que agora me vou...

      Mª João

      Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!

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  3. “Seca extrema”

    Chorou, mas já não chora
    Avança, mas já parou
    Implorou, já não implora
    Acaba, mas não começou

    Sigo humanidade afora
    Restos mortais do que sou
    Atinjo limite que deplora
    O que a vida nos legou

    Perplexa com seu traçado
    Perplexa com a insanidade
    Perplexo, eu aqui estou

    Decido ficar a meu lado
    Perplexo com a humanidade
    Já não chora porque secou.

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    1. Não chora porque inundada
      de tais solicitações
      que mesmo quando assaltada
      nem sequer prende os ladrões...

      Já de pouco serve - ou nada... -
      gritar-lhe e dar-lhe empurrões
      porque, ela, anestesiada,
      não sente quaisquer pulsões

      Senão quando, alucinada,
      pode apostar nuns milhões
      e fica à noite, acordada,

      A chorar velhas paixões...
      Coitada dela, coitada,
      que já nem tira ilações!


      Maria João


      Cá vai outro, Poeta, martelado em cima do joelho... mas vai!

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  4. Cara amiga,

    Ao abrir os seus alfarrábios recebemos um convite para buscarmos as nossas mais recônditas reminiscências. Aí o coração fala.




    ERROS, DESENGANOS, AMOR

    Não posso recordar o meu passado
    E assim pensar somente em louvores,
    Então vejo que algo é perpassado,
    Tanto as belas flores como os amores.

    Que desgraça me assola o meu peito!
    Sinto a propulsão duma emoção,
    Loucura que dormia em meu leito
    A destroçar em sonho o coração.

    Não só essas mazelas duma vida
    Transpõem a desgraça ao futuro,
    Deixando o coração sempre marcado.

    Nesse meu sentimento e na dúvida
    É que agora sinto o amor maduro
    Num ser de horizonte demarcado.

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    1. Muito grata pela oferta do seu poema, Adílio, envio-lhe o meu abraço!

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  5. AO SABOR DA CORRENTE

    Aqueles dois candidatos,
    Que vimos na televisão,
    Eram dois falsários natos,
    Pelo verbo e p´la omissão.

    Com argumentos baratos
    A que faltou a razão,
    Um propalou os boatos,
    O outro, a distracção.

    Ocupados com o passado
    Que nos fizeram bem duro,
    Tudo deixaram de lado

    Com vergonha do presente
    Preconizaram um futuro
    Todo ao sabor da corrente.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Bem pouco preconizaram,
      mas... que se podia esperar?
      São os que hoje comentaram,
      que estão a preconizar...

      Preconizam que... falaram,
      mas não deixaram passar
      tudo aquilo que pensaram...
      Acabei por desligar!

      Se tentam pnsar por mim,
      digo; - Não, muito obrigada!
      É assim que ponho fim

      Á lenga-lenga filmada
      quando a Tv fica assim
      e, eu, já estou muito cansada...

      Maria João

      Desculpe-me, Eduardo, pela péssima qualidade literária deste pseudo-sonetilho, mas saiu-me, também ele, AO SABOR DA CORRENTE...

      Para si e Maria dos Anjos, um fortte e grato abraço!

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  6. “Turbilhão”

    Humanidade arrastada
    E do turbilhão à mercê
    Logo agora que tudo vê
    Logo agora não sabe nada

    Quando tudo já se prevê
    É com tudo confrontada
    Logo agora está atolada
    Nela própria não se revê

    Vê-se assim despedaçada
    Com sua voz amordaçada
    Já sem pingo de paixão

    Quando da nova alvorada
    Poderia sair reforçada
    É que a deitaram ao chão.

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    Respostas
    1. Há pr`aí tais turbilhões,
      Poeta, nem sei dizer-lhe
      se são meras confusões
      ou se há razões pr`a saber-lhe

      A razão do furacão!
      Com tanta instabilidade,
      é melhor ter sempre à mão
      entendimento e vontade

      E dar azo à criação
      ou, então... credulidade
      que sustente opinião

      Daquela que nos invade
      quando gritamos, em vão;
      Quero é paz e liberdade!


      Mª João


      Todo martelado, Poeta, mas... olhe, saiu no TURBILHÃO... Forte abraço!

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  7. “Fantasmas de Portugal”

    Mais trabalho e menos circo
    No circo que é Portugal
    Transformado em antro
    P'ró debate eleitoral

    Espectadores aos milhões
    P'ra deleite da sondagem
    Mantiveram as indecisões
    Vencedora foi a imagem

    Do espectáculo mediático
    E mais uma vez se provou
    Que o passado é solução

    Reside no mundo socrático
    Do qual muito se falou
    E que já deixou a prisão.

    Prof Eta

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    1. Palmas pr`ás dissertações!
      Fica o cidadão suspenso
      E a "novela" entra aos roldões
      Nesse universo (pretenso)...

      O "espectáculo" tomou
      A dimensão colossal
      Do que chamamos de "show"...
      O mundo aguarda o final,

      Se atenta, é nos pormenores,
      E nem pensa, no geral,
      Nos seus organizadores,
      No quadro internacional

      No real, por trás das "cenas",
      Meio mundo entusiasmado
      Por actores de obras pequenas
      Esquece o que há pr`a ser pensado

      E apupa, convencido
      De ter sido convocado
      Pr`a cargo incomprometido
      De um poder que lhe é legado...

      Maria João


      Cá vai, se a ligação não cair pela milésima vez, Poeta.
      Forte abraço!!!

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  8. “Em nome da rosa”

    Simples mortal me confesso
    Sem pretensão a mais nada
    Busco somente o processo
    Para a vida vaticinada

    Sem almejar o sucesso
    Numa vida alienada
    Vendida ao pseudo progresso
    Onde a alma é cartonada

    Onde o diamante importa
    E o ouro é fundamental
    P’rá aparência fulgurosa

    A minha pode ser torta
    Por ser dum simples mortal
    Mas é-o em nome da rosa.

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    Respostas
    1. Em nome, também, do cravo,
      desprezo os grandes enfeites;
      toda a palavra que escavo
      tem, para mim, mil deleites

      E mesmo não tendo um "chavo",
      espero sempre que me aceites;
      do que disse, as mãos não lavo,
      nem por medo que o rejeites

      E quando a mensagem chega
      sem ter um ponto de origem,
      nunca a palavra me nega

      Resposta, numa vertigem,
      embora me "veja grega"
      não sabendo o que me exigem...


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!



      Eliminar
  9. “Realidades”

    Realidades incomportáveis
    Pela realidade vigente
    Fantásticas e incontornáveis
    Contornam a vida da gente

    Só se abeiram de notáveis
    Gente de vida diferente
    Cavam fossos insondáveis
    Intransponíveis fisicamente

    E que a mente não vislumbra
    Tal é o seu surrealismo
    Pelo luxo condimentado

    E quem vive na penumbra
    Sempre à beira do abismo
    Agradece não ser empurrado.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ... empurrões nunca lhe faltam,
      nem pontapés bem certeiros
      de alguns que muito se exaltam
      qu`rendo ser sempre os primeiros,

      De outras vezes vem, porém,
      soando como cantiga
      num amparo que o sustém,
      um gesto, uma mão amiga

      E o desgraçado detém
      o trambolhão que o castiga...
      mas anda sempre em vaivém

      Pois tão depressa se abriga,
      como é empurrado, e bem,
      ou esmagado, qual formiga...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com um abraço grande !!!

      Eliminar
  10. “Desconto”

    Sociedade do desconto
    Que não te desconta nada
    Apenas faz de ti um tonto
    Com a vida ensarilhada

    No bolso muitos talões
    Na cabeça o frenesim
    Fazes contas aos tostões
    Já que o mês não tem fim

    Chega casa e organiza
    Essa múltipla papelada
    Pois não tens contabilista

    És o próximo da lista
    Com a vida paralisada
    Pois o desconto martiriza.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Com desconto ou sem desconto,
      conforme aprouva ao sistema,
      muito pouco compro a pronto
      e os talões não são problema

      Nem com isso me confronto
      pois pobreza assim tão extrema
      nega-se ao sistema ao ponto
      de "furar-lhe" o velho esquema...

      Porém, tanto papelinho
      - já nem sei onde guardá-lo -
      guardo por todo o cantinho

      Que nem sequer posso olhá-lo
      sem ouvir um diabinho
      a dizer-me pr`a rasgá-lo...


      Mª joão

      Abraço, Poeta! Entre receitas, análises, baixas, talões de correio registado, relatórios de exmes auxiliares de diagnóstico, etc,etc, etc... parece que estou a viver num depósito de papéis... vai todo martelado, mas estou sem paciência e com dor de cabeça...

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