PONTO DE FOCAGEM (aplicado à palavra)

casa-do-gato1.jpg


 


(Soneto em decassílabo heróico)





Procuro um quase-nada; o ponto exacto


onde a palavra abraça o designado,


usando quanto engenho e quanto tacto


nasçam de gesto tão determinado...





Procuro usando mente, usando olfacto


e usando um coração que, acelerado,


não dispensa a razão, que o deixa intacto


depois de loucamente ter pulsado...





Procuro, encontro e julgo ter, de facto,


atingido, no texto aqui deixado,


o ponto onde a palavra faz contacto





Com o que então designa... ou, tendo errado,


fiz tanta confusão que o meu retrato


se apresentou tremido... ou desfocado?





Maria João Brito de Sousa – 07.08.2015- 17.42h





Soneto dedicado aos amantes da fotografia, bem como a todos os que se batem pela sobrevivência das consoantes mudas nas palavras escritas em Língua Portuguesa.


 


 

Comentários

  1. Num fim de tarde, nobre poetisa, quando o sol busca o seu aconchego luminoso noutras paragens, vossos versos me trazem raios de inspiração.
    Continue com a alma grande, pois o universo é vosso.
    Dormindo com o sol o coração fala:


    AR DE ESPERANÇA

    Querer os céus e todas as estrelas
    Na ânsia de buscar o puro Deus
    E, assim, em belos sonhos já obtê-las,
    Quer nos céus, quer nos fortes braços teus.

    Nessa viagem de rápida escala
    Somente quem fala é o coração,
    Pois que a voz fraca o verso intercala
    Frases de sufocada emoção.

    Quero seguir contigo na viagem
    Em busca desse amor desconhecido,
    Mas que me assola o corpo falaz e a alma.

    Mesmo depois da longa e vã andança
    Digo-te nesse poema apetecido,
    Que nutro no espírito a esperança.


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    Respostas
    1. Muito grata pelo seu poema tão cheio de esperança, amigo Adílio!

      As minhas esperanças, a nível pessoal vão, para já, no sentido de vencer mais esta batalha contra a falta de saúde, mas continuam exactamente as mesmas e acrescentam-se a cada dia, ao nível do meu povo e do meu país.
      A poesia, diante das circunstâncias impostas pela saúde, está em período "de pousio"

      O meu fraterno abraço!

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  2. “Mais além”

    Não quero aí penetrar
    E nem penetro tão pouco
    Só e apenas com o olhar
    Porque me deixa tão louco

    Com o coração a palpitar
    Não o ouço, estou mouco
    Se acaso tento partilhar
    Não o consigo, estou rouco

    Poderei estar a sonhar
    Com o mundo mais além
    Onde ainda existe o amor

    Mas acabado de acordar
    Não o vi, nem a ninguém
    Assim penetro no horror.

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    Respostas
    1. "Nenhum "mistério"; talento; trabalho, concentração e sobriedade..."

      Nesse "além" onde se chega
      Debaixo de inspiração,
      Cuja dimensão que não nega
      As razões p`ra haver razão,

      Nem a razão fica cega,
      Nem é cego o coração,
      Mas exige enorme entrega
      Duma vida, em devoção,

      Muito tempo, a tempo inteiro,
      Muito estudo da palavra,
      Esforço imenso e responsável,

      Mas existe, é verdadeiro
      E entende que nada o trava
      Se a mente é serena e estável...

      Maria João

      Aqui vai, Poeta, do fundo de um enjôo físico e muito real que, dentro das circunstâncias imensamente desfavoráveis, me nega essas asas que levam mais além e me deixa a poesia em fase de "pousio".

      Abraço grande!





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  3. “Acabados de nascer”

    Sempre acabados de nascer
    Duma explosão de fulgor
    Sempre dispostos a aprender
    Com quem transmite o amor

    Sempre disponíveis p’ra ajudar
    Fazendo uso da intuição
    Sempre atentos a este lugar
    Pleno de tumultos e confusão

    Atentos p’ra tentar reverter
    A negatividade vigente
    Nestes tempos de excepção

    Capazes de fazer renascer
    Esperança p’ra muita gente
    Que frustra com a situação.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Faz-nos falta, muita falta,
      que as coisas vão renascendo...
      Venha, então, maré bem alta,
      dessa que em nós vai crescendo

      Animando toda a malta
      enquanto à vida eu me prendo,
      como quem, escrevendo, salta
      e só faz falta escrevendo...

      Venha a espr`ança num futuro
      com mil razões pr`a lutar
      e mais mil, das que eu conjuro

      Pr`a que el`possa começar
      a crescer, saltando o muro
      que, pr`a sempre, o quer roubar!

      Maria João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!

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