RAZÕES PARA TODAS AS MÃOS DESTE MUNDO - Sonetilho imperfeito


RAZÕES PARA TODAS AS MÃOS


DESTE MUNDO


*


 


O Mundo, sem ter razão,


Tem tanta que eu já pensei


Render-me à contradição


Deste mundo em que ela é lei


*


 


Faltou-me razão, porém,


Pra tão estranhas intenções


E às razões que o mundo tem


Venho opor minhas razões;


*


 


Ao nascer de cada dia


Opõe-se o gesto contrário


Que o quebra em monotonia


*


E passa o pão que a mão cria


Das mãos do Poeta-Operário


Prás mãos que alguém lhe estendia


*


 


Maria João Brito de Sousa - 29.09.2011 - 11.30h


 


 


 


NA FOTOGRAFIA - Manuel Ribeiro de Pavia, 1956

Comentários

  1. Porquê imperfeito Maria?
    Eu adorei, como adoro todos os outros ^^

    "Faltou-me a razão, porém,
    A tão estranhas intenções
    E às razões que o mundo tem
    Só oponho estas razões;"
    Adorei esta quadra :)

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    1. :D Olá Paper! São as minhas manias do perfeccionismo... um sonetilho para ser digno de se chamar "sonetilho" deve ter as duas primeiras quadras em rima que siga uma destas estruturas;

      ABBA; ABBA ou ABAB; ABAB... este saiu

      ABAB; CDCD... isto pode não parecer nada importante mas se eu concorresse com ele a um prémio daqueles mesmo académicos, seria desclassificada por não cumprir as regras básicas que definem a categoria poética.
      Mas a Poesia é uma coisa muito, muito abrangente! Eu só sou rigorosa na forma quando me refiro à poesia de forma estruturada como é o caso do soneto, sonetilho, redondilha e décima... estas últimas nem sei fazê-las... :) São chamadas "poesia popular" mas só te digo que não é nada fácil!
      Beijinho e obrigada! :)

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  2. Caro Pedro

    Podes dizer à amiga Maria João de Sousa que quando te peço para lhe enviares as minhas poetices, eu apenas pretendo que ela as leia e, se o entender, me manifeste a sua opinião sincera. Eu não entro na desgarrada. Certamente, se meu rouco estro fizer disparar a cristalina harpa da poetisa, eu fico feliz porque tudo o que de lá vem é maravilhoso.
    Beijos do pai e da Mãe

    Eduardo.

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    1. Meu amigo Eduardo,

      Eu sei que nunca me intimou a responder-lhe, não se preocupe! O seu Pedro é que me desafia... e faz ele muito bem!:)
      Muitas das poesias que lhe envio nada têm de bom mas eu faço por lhe responder em verso... e agora que me fala disso é que eu estou a reparar que eu é que induzi estas desgarradas todas porque , no espaço onde deveria estar escrito "Deixe o seu comentário", escrevi "Poete também!". Mas estou muito contente por tê-lo feito... nem eu imaginei que pudesse dar um resultado tão bom...
      Ontem escrevi um email à poetisa Maria Vitória Afonso e ela enviou-me outro com uns ficheiros interessantíssimos sobre o almoço de confraternização que tiveram recentemente. Eu acredito que é na quadra popular que o poeta se revela e ela tem imensas, dedicadas a todos os companheiros de curso. Magníficas quadras!
      Se conseguir, ainda vou esta noite ao meu outro correio e envio-lhe umas palavrinhas.
      Um grande abraço para si e sua esposa. Agora vou tendo mais contacto com a Maria Vitória e com o Pedro, como sabe, é a desgarrada diária.

      Maria João

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  3. “Culpa zero”

    Não há desculpa pr’á culpa
    Pr’á culpa não há culpados
    Para nada serve a desculpa
    Podem seguir estão ilibados

    E a culpa morreu solteira
    Sem deixar descendência
    A vida passou a ser porreira
    Acabou a má consciência

    Assim é muito fácil viver
    Por conta do orçamento
    Que não nos custa a ganhar

    Agora vamos lá a saber
    Para quê todo esse lamento
    Se é certo que nos vamos safar.

    Prof Eta

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    1. Nós não nos vamos safar
      Assim tão "de mão beijada"...
      Há muito que batalhar
      E chorar não leva a nada!

      Mas já não sei muito bem
      Se é de Portugal que falo...
      Se é de mim ou se é, também,
      Sobre os mais... inda me "entalo"...

      Esqueci-me até de ligar
      A própria televisão
      E jornais, pr`ós não pagar,

      Não os compro nunca, não!
      Estou pr`aqui a divagar...
      Não dê qualquer atenção!!!


      Poeta, não me diga que está a falar do resgate do FEE que eu ouvi dizer que tinha sido aprovado...?
      Não posso perder o telejornal por causa desta minha cabeça de alho xoxo!!! Um dia destes esqueço-me de respirar... só falta!!!
      Estive a publicar "em directo" no http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/
      Não me pergunte como nem porquê mas hoje pareço ter-me aproximado um pouquinho do meu Espírito Poético. Não foi nenhuma "brain storm" mas já deu para eu me sentir um pouco menos enferrujada.

      Como estão a sua Maria e a criançada ?Um enorme abraço! :)



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    2. Não eu não falo de nada, não siga as minhas palavras que apesar de Prof Eta eu não sou profeta.

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    3. De saúde e atarefados o que é bom sinal. Eu não disse que as palavras vinham aí?

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    4. Ai que o perdi... me perdi... eu sei lá!!! Estou a ficar velhota para estas correrias todas no facebook, Poeta! Não fale, pronto... eu é que já não tenho fôlego para andar a saltitar de publicação em publicação... pelo menos já não o tenho a uma hora destas... e é a hora do "rush" no Face, o que é compreensível porque a maioria dos subscritores trabalha durante o dia...
      Também não sou profeta e costumo assumir a minha ignorância política... ou costumava porque, quando comecei a aperceber-me da situação real, também me apercebi de que muitíssimos portugueses estão muito mais confusos do que eu. E é bem verdade que a democracia não pode resumir-se ao voto. Há uma Utopia à nossa espera. Estará sempre um passo à nossa frente, mas está lá e eu vou tentar caminhar para ela, enquanto tiver pernas. Já nem sequer vou conseguir ir ao correio do gmail porque estou ensonadíssima e ainda tenho de passear o Kico. beijinho!

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    5. Disse, disse!!! E ainda por cima acertou no dia! Acho que é mesmo profeta... :D
      Um enorme abraço, amigo!

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    6. Já agora também lhe falo da fotografia deste post. Não me consigo lembrar se lha mostrei ou não... este é o Manuel Ribeiro de Pavia, na nossa mesa da sala de jantar. Desenhou sobre ela muitas das suas magnificas ceifeiras e eu acompanhei-o muitas vezes. Nessa altura fazia anjos, eu :) Acho que ainda os faço agora... :)) Ele almoçou e jantou connosco vezes sem conta, nos seus últimos tempos de vida. Trabalhava em ilustração para os livros do meu avô e, que eu me recorde, para o Eugénio de Andrade. Deveria ter outros escritores com quem trabalhasse, mas não recordo muita coisa a não ser as ceifeiras dele e os meus anjos de pernas longuíssimas e asas enormes... :) tenho uma memória bem estranha, eu! Há imensas coisas desse tempo que não recordo mesmo nada...
      Abraço grande, grande!

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    7. Sim lembro-me de ter visto essa foto e também de ter escrito isto,

      http://poetazarolho.blogs.sapo.pt/

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    8. Lembro-me muito bem desse sonetilho! Deixei resposta no seu Poeta Zarolho! :) Bjo!

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  4. “Dever constitucional”

    Será o limite ao sacrifício
    Inscrito na constituição ?
    A mim parece-me que não
    Dirão são ossos do ofício

    O teu esforço será vitalício
    Claro está a bem da nação
    Direitos não mais existirão
    Constituição dirá no início

    “O teu sacrifício é um dever”
    E sobre deveres está tudo dito
    Bolsa ou vida deves entregar

    Se não tens bolsa deves morrer
    De contrário entrega-nos o guito
    E então terás direito a respirar.

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    1. Sei bem que temos deveres
      Mas também temos direitos!
      Não os que nos impuseres
      À conta dos teus defeitos!

      Onde fica a igualdade
      Nos deveres que tu me impões?
      Meu direito à liberdade
      Pode mais que os teus milhões!

      Eu sou povo que constrói
      Textos, edifícios, pão...
      Tu, invasor, quem destrói

      Minha humana condição!
      Se eu ser livre, a ti, te dói,
      Dói-me, a mim, a humilhação!

      Poeta, mais uma vez lhe peço que não se assuste! Não estou a falar consigo! Tomei a liberdade de "criar" , destas nossas "falas" uma pequenina peça imaginária em que o seu sonetilho representaria a Troika falando com o Povo Português. O meu sonetilho representa a resposta do Povo à Troika. Esperemos que amanhã ela se faça ouvir na voz de muitos milhares de portugueses. Acho que estou toda mobilizada, de corpo e alma e este sonetilho saiu rápido como um tiro...
      Às vezes tenho algum receio de que me interpretem mal nestes meus repentes.... :)

      Um enorme abraço, amigo! Aconteça o que acontecer, estar-lhe-ei sempre grata! Sempre!

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    2. Como diz o outro o susto é uma coisa que a mim não me assiste, quanto à gratidão só lhe posso dizer que não sou grande especialista em sentimentos, mas está bem aceito. Se for à manif depois quero saber pormenores.

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    3. Já agora adorei a resposta rápida, está mesmo como eu gosto forte e cheia de garra, com uma energia que falta a muita gente, é por isso que os poetas não têm voz.

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    4. :) Já fui e já voltei... viva! Toda partida mas ainda viva!
      Vou ver os outros comments e depois lhe conto.
      Até já!

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    5. Às vezes sinto mesmo essa "garra", é verdade...
      Abraço grande! :)

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  5. “Dr Zeca”

    Que venham mais cinco
    Dos índios da Meia-Praia
    O que faz falta é o afinco
    Para que o vampiro caia

    Traz outro amigo também
    No comboio descendente
    Maria Faia também vem
    A morte saiu à rua doente

    Eu vou ser como a toupeira
    A formiga no carreiro não dá
    Viva o poder popular, não falha

    Nefretite não tinha papeira
    Os eunucos já nós temos cá
    Vê lá como se faz um canalha.

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    1. ... e como hei-de responder
      A quem assim cita o Zeca?
      Cantei até me doer,
      Fiquei de garganta seca...

      O pior foi ao voltar...
      Dói-me tudo, tudo, tudo,
      Vejo as coisas a girar
      E o grito ficou-me mudo...

      Mas em verdade direi
      Que me propunha marchar
      Até aos Restauradores,

      Que o fiz e que terminei
      Sem desistir, nem parar
      Mesmo tendo algumas dores...

      Até já, Poeta. :)

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    2. Esse é o verdadeiro desafio, o combate connosco próprios levando à superção das dificuldades a cada dia. Parabéns!

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    3. :) Eu sei, e é tão bom... obrigada! Mas olhe que hoje estou a pagar caro o combate com as minhas limitações físicas... mas valeu o "preço"! :)

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  6. Caro Pedro

    Eu produzo pouco, devagarinho e pequenino. Já tive outra idade e dantes produzia mais, mais depressa e de maior dimensão. Consolo-me a pensar que a quantidade, a velocidade e o tamanho, nem sempre são directamente proporcionais à qualidade. É esta que mais me preocupa e me deixa, mais das vezes, insatisfeito.
    Hoje dediquei umas rimas , poucas, feitas devagarinho e estrofe saiu pequenina, para a nossa amiga Maria Vitória Afonso que foi passear a Praga, com o Amadeu. Depois de as reler, a qualidade não me satifez e, eu, nem sou muito exigente comigo. Mesmo assim aí tas envio. Só por seres um dos meus pouquíssimos leitores já que eu, até nisso, sou parco ( com um «a»).


    PRAGA e a praga

    Vai a Vitória, feliz
    Passear a um país
    Que tem o Governo em Praga.
    Para os que ficamos por cá
    Oxalá que Ele nos traga,
    Ainda antes do inverno
    O Menino Jesus de lá,
    Um país bem mais fraterno
    E sem praga no Governo.

    Eduardo

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    1. Meu amigo Eduardo, o defeito será todo meu mas olhe que me sinto desafiada!

      Há-de, Vitória, voltar,
      Venha por terra ou por ar,
      Com tão boas novidades
      Que o difícil será crer
      Em tão perfeitas verdades!
      Volte, Vitória, depressa
      Para podermos saber
      Que nova vitória é essa
      E quando é que ela começa...

      Peço desculpa. Sei que tem pouca melodia mas eu só sei admirar este tipo de rima... não percebo nada da sua construção. Como lhe digo, sou apenas uma convicta admiradora.

      Um enorme abraço para si e esposa.

      Maria João

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  7. “A quoi ça sert”

    La vie en rose il fait faut
    Sous le ciel de Paris, la ville
    Les gens ils passe nom dieu
    A quoi ça sert l’amour, vil

    Nom, je ne regrette rien
    Le roi a fait battre tambour
    La fête continue, demain
    Milord, a quoi ça sert l’amour

    Elle fréquentait la rue Pigalle
    Je n’en connais pas la fin
    Pour les amants d'un jour

    Bal dans ma rue, quel bal
    Le droit d’aimer, jusqu’à la fin
    Les gens, a quoi ça sert l’amour.

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    1. Ah, Poeta... o meu francês deixou de ser utilizado quando eu tinha uns quinze anos e enferrujou... além do mais, o sonetilho tem uma musicalidade que, através de mim, não se dá muito bem com a língua francesa... para mim não vai dar...

      Si l`amour n`était pas
      Sur mes mains quand j`écris
      Il serait mort déjà,
      Mes mots auraient fini...

      Está a ver como, para mim, existe esta importantíssima relação entre uma língua e um ritmo poético? Eu bem tentei que esta quadra saísse em redondilha maior, com as sete sílabas métricas... mas saiu com apenas seis sílabas! Para além dos erros ortográficos e sintácticos que possa ter (e eu detesto dá-los!) há incompatibilidades métricas que eu não consigo ultrapassar enquanto poeta... eu sei que não é fácil entender isto, mas acredite que é assim mesmo que isto funciona em mim...

      Et ça sert à la vie,
      Et ça sert la jeunesse
      Mais quand on a envie
      De tromper la faiblaisse...

      E continua com as benditas seis sílabas métricas... não vejo como sair disto... desisto, Poeta! Considere que o meu enferrujado francês é incompatível com a métrica do sonetilho... mas a mensagem pode seguir! :)
      Estou muitíssimo mais lenta porque tenho as articulações todas emperradas - como o francês :)) mas essas, por excesso de uso - mas vou tentar voltar ao computador depois de tratar do Kico.
      Até já :)

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    2. ....

      Si ne sert pas à rire
      Ser toujours à pleurer
      Mais jamais à remplir

      Ce qu`on a oublié
      Et ça me sert à dire
      Que passé est... passé!

      Olhe, emende o Poeta os erros que por aí existirem, por favor. Isto foi o que me saiu enquanto lavava o prato do Kico e agora vou ter de passeá-lo. Até já! :)

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    3. Pronto, Poeta! Quando vinha para casa, deu-se um fenómeno qualquer que eu não sei explicar muito bem mas que deve ter a ver com o facto de o Francês ter sido a minha segunda língua materna e, começaram a nascer-me rimas de sete sílabas métricas. Os erros vão continuar a estar presentes porque eu, ainda por cima, não sei onde pára o meu dicionário de Francês... mas, se quiser ter a bondade de os emendar, eu só lhe agradeço! Aqui vai, segundo as regras, em redondilha maior;


      C`est la façon du poême
      Nous dire, d`une autre façon,
      Qu`il se môque de sa peine
      Pour mieux chanter sa chanson

      Il, en chantant, se proméne
      Dans les bras d`une ilusion,
      Nous parle de la bohême,
      Il ne dit, jamais, que non...

      Mais, quand il est solitaire,
      En changeant sur son contraire,
      Il s`oublie de ces mots

      Car il est comme les nuages
      Qu`en passant sont toujours sages;
      Pleurent sans avoir des yeaux...

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    4. “Nuvens”

      Um poema com sua graça
      E sempre em transformação
      Faz nascer luz da desgraça
      Pr’a melhor cantar a canção

      Não só canta como esvoaça
      Embalado por uma ilusão
      Fala da boémia, não disfarça
      Sem nunca nos dizer que não

      Mas quando se torna solitário
      Facilmente nos diz o contrário
      Promessas esquece de honrar

      Nuvens ensinaram-lhe um dia
      Passando com sua sabedoria
      Que sem olhos podiam chorar.

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    5. Poeta, acredite que eu sou uma daquelas pessoas que n\ao conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Estou t\ao @absorvida@ por esta maluqueira de @n\ao sei o qu|e@ que deu no teclado, que n\ao conseguiria fazer uma ]unica quadra... para mim as palavras tamb]em funcionam em termos gr]aficos / e n\ao ]e s]o para mim, enquanto poeta / e esta parvoice toda n\ao me deixa poetar... se souber dizer/me o que ]e e como posso sair disto, agrade;o/lhe muito...
      Abra;o grande!

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    6. Lamento mas de computadores pouco sei, um dos meus filhos também tem o teclado do Magalhães desconfigurado e não sei o que fazer-lhe, vou ter que procurar ajuda.

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    7. Poeta, já tive uma ajudazinha de um amigo que estava online no momento! Funcionou! Vou dar-lhe a "receita" pois pode ser que funcione!
      Desligue o computador e aspire cuidadosamente o teclado. Pode usar um aspirador normal, que foi o que eu fiz. Ligue novamente e reinicie o computador.
      Agora estou é demasiado ensonada para lhe responder... vai ter de ficar para amanhã... a não ser que ainda me dê uma daquelas crises de obstinação :)) e ainda lhe consiga responder a um dos sonetilhos...
      Espero que não tenha ficado muito desiludido com o mau estado de conservação do meu Francês... :)
      Abraço grande!

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    8. :D Ah, que bom! Pelo menos deu para entender o meu sonetilho em françuguês :)) Obrigada!
      Um enorme abraço e até amanhã. Pode, sem medo, seguir a receita que lhe dei pois funcionou muitíssimo bem com o meu portátil! Beijinho!

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    9. O seu Francês está espectáculo, eu é que fiz batota porque construí o meu sonetilho com títulos das canções da Edith, não pratico o Francês praticamente desde que estive na Renault em 1990. Espero que a minha tradução esteja aceitável, tirando o facto de nunca respeitar os aspectos métricos de construcção, nem as sonoridades, nem as rimas, nem ..., desde poeta mesmo zarolho.

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    10. Eu reparei nisso, Poeta e, no seu caso, acho excepcional o que consegue fazer sem "pedir auxílio" à melodia! Eu garanto-lhe que não o conseguiria fazer! Porque eu considero que a musicalidade é, também, uma grande muleta e aquilo que faz com que eu diga, meia a brincar, meia a sério, que os decassílabos heróicos e as redondilhas maiores me correm nas veias... sem a música, fico desarmada... é como aquela anedota dos miúdos que estão a aprender a tabuada e um deles diz que só aprendeu a música :))
      Hoje trago dois poemas na pen. Ontem, depois de desligar o computador, tive de voltar atrás porque me começou a nascer um soneto... escrevi-o quase a dormir e ainda nem fiz a revisão. Hoje de manhã, quando estava a entrar para o duche, veio outro daqueles poemas corridos do Montanhas e lá fui eu, outra vez, escrevê-lo no ficheiro de Word.... assim que terminar este comment e mais um da Maria Luísa que está no Liberdades Poéticas, vou publicá-los.
      Eu disse que o Francês foi a minha segunda língua materna, e foi... mas deixei de o falar no princípio da década de sessenta, quando morreu a minha avó Alice e só o utilizei durante uns tempinhos, no liceu.
      Até já! Vou à Maria Luísa, publico e, depois, vou ver se tenho tempo para responder ao seu pai porque ontem eu estava de todo :)) desnorteei-me completamente com aquela maluqueira que deu no teclado... :))

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    11. Tive 2 ou 3 anos de francês, mas não percebo grande coisa :$
      Mas se o poeta zarolho diz que não tem erros, é porque não tem :D E mesmo que tivesse, o que interessa é a intenção :)

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    12. Aqui não tinha qualquer hipótese, Paper... tive mesmo de recorrer ao Francês da minha infância e tentar confiar nele... nem sequer sei onde pára o dicionário que tenho cá em casa e não confio nem um bocadinho nos tradutores online... se houver algum que seja bom, eu não o sei utilizar e, em poesia, é praticamente impossível usá-los.
      Beijinho e obrigada! :D

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    13. De nada Maria :D
      Agora tens de fazer um em inglês ;)

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    14. :)) O Inglês é muito mais fácil para mim... mas ainda não pensei se a prosódia da língua é, ou não, compatível com a dita redondilha :))
      Tenho, por aí, já não sei em que blog, um poemazito em inglês... mas não me lembro que tipo de métrica usei nele...
      acho que até tenho mais do que um...
      Até já, Paper! Beijinho!

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    15. Tens de me mostrar, quando o encontrares :D
      Até já Maria ^^
      Beijinho*

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    16. SE o encontrar, Paper :)) Nunca tive tempo nem paciência para os contar mas acho que, nestes quatro anos, publiquei bastante mais de mil poemas... mas espera que eu vou ao montanhas, ponho lá uma palavrita em inglês, uma que eu me lembro que está num dos poemas, e faço uma buscazinha! Já volto!

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    17. Vou já ver :D
      Apetece-te dar-me um abraço porquê? :$
      O poema que escrevi foi inspirado no teu que li ontem :)

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    18. Caramba! Só agora é que descobri este teu comment!!! A minha caixa de correio está mesmo maluquinha de todo!
      Apetece-me, então, dar-te um abraço por teres escrito um poema inspirado no meu Abraço gde!

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  8. "República das bananas"

    Na República das bananas
    Muito macaco engordou
    Mas só tu é que abanas
    Com a banana que tardou

    Com quinze dias por mês
    Ainda te conseguias aguentar
    Mas o Teixeira contas fez
    E diz que precisas poupar

    Poupas tu no seu mealheiro
    Que a crise veio p’ra ficar
    Em bananas vai muito dinheiro

    Qu’o défice tem que diminuir
    P’ra tanto macaco engordar
    Ficas meio mês a carpir.

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    1. Deste tipo de notícias
      Já nós estávamos à espera...
      Para a Troika são carícias
      Mas o povo desespera!

      Claro que isto tem saída...
      Mas só para alguns ricaços
      Com fortuna garantida
      Nos offshores acostumados...

      Nesta salada "gourmet",
      De rodelas de banana
      Com gominhos de laranja

      Muitos vão perdendo a fé...
      Só um ou outro se engana
      E acha que a coisa se arranja...


      Abraço gde, Poeta e um bom começo de semana!

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  9. Caro Pedro

    Hoje ao ler o teu «desapontamento» sobre aquelas sábias palavras de Mia Couto, fiquei a «despensar» pensando ( li muito dele ) mas não consigo plagiar-lhe o estilo. Mas fiquei a matutar que o medo do medo já é muito velho e a crise - as crises, também -.
    Aí te envio uma que encontrei na desarrumação do meu computador e que foi resgatada da papelada que eu deitava fora e que a tua Mãe, que anda sempre à cata de tudo o que são papeis, salvou. Tinha eu dezassete aninhos. Tenho por aqui mais alguma coisa dessas recuadas eras, graças ao zelo da Maria dos Anjos. Quando as achar, envio-tas.

    Rimas velhíssimas – 1953

    Os Cavaleiros da Távola Rotunda ou
    Crise de abundância (como disse o meu colega do Magistério, o Abadesso, da Castanheira)

    A nobre Távola Rotunda
    Posta com mísera toalha
    Esfarrapada e imunda,
    Tem de pão uma migalha
    E o toucinho não abunda…
    Sem vinho um garrafão,
    Um copo para encher,
    Um pires sem camarão,
    Vinte bocas p´ra comer!

    Mas há tanto cavaleiro
    Nesta crise sem mudança
    Que nunca poupa dinheiro
    E a toda a hora enche a pança!

    Eduardo

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    1. Queria tentar responder/lhe, meu amigo Eduardo, mas estou duplamente atrapalhada com a sua flu|encia e a minha inabilidade para lidar com as teclas de fun;\ao... n\ao sei como isto me sucedeu mas os sinais ortogr]aficos foram substitu]idos por parentesis rectos e outras coisas que j]a nem recordo... n\ao fa;o a menor ideia de como vou sair desta alhada e pe;o/lhe desculpa por esta resposta t\ao pouco ortodoxa do ponto de vista gr]afico... vou tentar fazer qualquer coisa, mesmo sem o aux]ilio da Excalibur... se tudo correr pelo melhor, espero responder/lhe ainda hoje.
      Um abra;o e muito obrigada!

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    2. Meu amigo Eduardo,

      Muito lhe agradeço pelo envio destas preciosidades e só lhe peço desculpa pelos dispartes que ontem escrevi porque tinha o teclado desconfigurado - suponho que fosse exactamente isso que ele tinha - e queria, à viva força, responder-lhe qualquer coisa que fosse minimamente legível...
      Das minhas relíquias poéticas da juventude, pouco ou nada se salvou entre mudanças e criançada. Penso que levei muito mais a sério a "salvação" de alguns poemas do meu avô e do meu tio Manuel Valente. Os deste último foram tão bem guardados que não faço a menor ideia onde possam estar... aqui há tempos, lá encontrei um, por puro acaso, mas não foi um dos vários que guardei tão cuidadosamente que é como se nem existissem. Enfim, meu amigo, posso dizer-lhe que há dias em que eu penso que a cabeça não me serve para nada, excepto para fazer um ou outro poema.

      Com Excalibur ou sem ela,
      Em mesa quadrangular,
      Coloco a pobre gamela
      Contendo o parco jantar
      Que cozinhei na panela...
      Vinho não tenho; só chá
      Me banha o fraco repasto
      E coca-cola só há
      Quando vem o vale que gasto
      Tão depressa que nem dá
      Pr`a dizer que a mim me basto...

      Mas ele há tanto ricaço
      Nesta crise eternizada
      Que engole sem já ter espaço
      Para lá meter mais nada!


      Amigo Eduardo, segui-o muito "à letra" nesta última quadra. Espero que não me leve a mal pois apenas pretendi seguir-lhe o ritmo do poema.
      Um enorme abraço para si e sua esposa!

      Maria João

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  10. “Agarrados”

    Não há pessoas com garra
    A conduzir o nosso destino
    Só pouca uva e muita parra
    Fazem o destino pequenino

    Creio que não lhes interessa
    Onde haveremos de chegar
    Nós somos mais uma peça
    Só lhes interessa é agarrar

    Agarram tudo à passagem
    Secam a esperança em redor
    Esta é a onda, somos levados

    Deixou de haver mensagem
    Nem existe um desígnio maior
    Todos nós fomos agarrados.

    Prof Eta

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  11. Ou muito me engano, ou estes são quase os primordios das nossas desgarradas, não são ?

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    1. Devem ser, sim, Poeta...

      Ainda me lembro bem do Tomás, do Vicente e do Quique muito pequeninos... o Quique ainda vinha no carrinho...

      Feliz Natal para vós!

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  12. Respostas
    1. Ainda não percebi muito bem como foi que este sonetilho veio parar à primeira publicação do blog, mas também não tenciono desgastar-me a pensar nisso... vou ao Chá!

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    2. Também tinha ficado a pensar como é que a Mª João teria conseguido fazê-lo, com os comentários e tudo, pois eu não sei como se faz. Sendo assim é um sinal de algo mais profundo, não vale a pena procurar explicação, basta aceitar.

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    3. ... pois... que remédio, Poeta? Não sou, nem me interessa nada ser uma boa técnica de informática, porque sei que preciso de todas as energias que me vão restando para investir na poesia, não quero desperdiçá-las a tentar adquirir conhecimentos especializados sobre o funcionamento destas complexas engenhocas que são os blogs... talvez se fosse mais nova e não tivesse de estar em constante luta contra invasões de microorganismos biológicos patogénicos - também não tenho outro remédio senão tentar sobreviver a isto... - , ainda tentasse aprender um pouco mais... mas a circunstancialidade tem mesmo um enorme peso nas mais sensatas das nossas decisões e, a minha circunstancialidade não é das mais famosas, rsrsrsrs...
      Ainda mal "entrei" no Kundera mas, do pouco que li, já percebi que vou gostar muito! Obrigada e um abraço grande!

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  13. “Errâncias”

    Pai nosso que estais
    Ou não estais ainda
    Acode aos demais
    A guerra não finda

    Tempos imemoriais
    Onde esperança vã
    Deixou seus sinais
    Peugadas de satã

    Marcam a existência
    De forma constante
    E com persistência

    Mas sempre distante
    Surge a consciência
    Consciente e errante.

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    1. Não fora a chuva, aqui, estar a cair
      Com tanto destempero e força tal
      Que no próprio exaustor se faz sentir
      E del`fez fonte de água acidental,

      Escreveria melhor... mas ver fluir
      Tanta água desse insólito local,
      Está-me a preocupar, a distrair...
      Escrevo apressadamente e... escrevo mal!

      Com a cozinha mais do que inundada
      Por tão peculiar e estranha enchente
      Esqueço o compasso e, assim, descompassada

      Escrevo tão mal que me sinto impotente!
      Melhor me fora nem ter escrito nada
      Enquanto não resolvo este incidente...

      Maria João

      Desculpe, Poeta, mas foi a única coisa que me ocorreu, descrever-lhe as verdadeiras cataratas que, ainda há pouco estavam a escorrer do meu exaustor... está francamente atroz, mas não consegui falar sobre mais nada... abraço grande!


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  14. “Votos a um ano”

    De onde venho não sei
    Pra onde vou eu sei lá
    Na maré vazia caminharei
    Sempre do lado de lá

    Saber tudo de nada
    E saber de nada convém
    Na maré cheia a caminhada
    Do lado de lá também

    Somos gota no universo
    Nas asas do sonho voando
    Aterrando em lugar nenhum

    Escutando silêncio disperso
    Do novo ano espreitando
    Que não seja apenas mais um.

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    1. Se ele, a mim, não prometendo
      Senão mais mil aflições,
      Pr`a si, Poeta, pretendo
      Que lhe cumpra aspirações!

      Mas, na verdade, só vendo...
      Não creio em premonições
      E eu, muito pouco sabendo,
      Não vou fazer deduções

      Senão aquelas que entendo
      Que nos tragam soluções
      Em vez mais uns milhões

      Pr`a que a banca os vá "comendo"
      Enquanto os grandes ladrões
      Seus bolsos vão sempre enchendo...

      Maria João

      Aqui vai com o abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  15. “Gula”

    As armas e os barões
    Foram perdendo poder
    Só pode quem tem milhões
    Os outros ambicionam ter

    Quem não tem, não tem viver
    Vai contando os tostões
    E tentando não morrer
    Assim pagando aberrações

    A quem vive faustosamente
    Lá no interior da fortaleza
    Que o sistema ergueu

    Esses milhões certamente
    Serão a gula da nobreza
    Já que o povo não comeu.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Já que o povo não comeu",
      Poderemos deduzir
      Que alguém, decerto, esqueceu
      Que é dele o que el`produzir

      Ou nunca o reconheceu
      E ficou, por certo, a rir
      Quando tudo lhe vendeu
      E o mandou, depois, fugir...

      Este "excesso para uns tantos"
      E "nada pr`á maioria"
      Deve ter grandes encantos

      Para quem beneficia
      Da miséria e dos quebrantos...
      Morra a bruta oligarquia!!!

      Maria João

      Espero que não considerem isto uma "incitação à violência"...a poesia permite algumas liberdades que a prosa narrativa não confere...

      Abraço grande eu um melhor 2016, Poeta!

      Eliminar
  16. “Próximo ao próximo”

    Olha o teu semelhante
    Cuida das suas mazelas
    Não te faças importante
    Abre portas e janelas

    Abre também o coração
    A todo um novo ideário
    Que o sentido da acção
    Possa ser o seu contrário

    Pois só na diversidade
    Saberemos encontrar
    Sentido p'rá plenitude

    Desejemos na verdade
    Que o desejo de ajudar
    Se transforme em atitude.

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    1. Cá estou, meia a dormitar
      E sem estar muito certinha
      De à meia-noite chegar
      Sem ter ido pr`á caminha...

      Mas vou fazer por ficar
      Porque a hora se avizinha
      E uns minutos vão bastar
      Para saudar essa horinha

      Que se quis convencionar
      Que era mesmo a primeirinha
      Do ano que vai entrar...

      Possa este ano melhorar
      E possa eu estar na casinha
      Onde sonhei acabar!

      Maria João


      Um melhor 2016, Poeta! Forte abraço!!!

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  17. “Ano velho”

    Vem aí um ano novo
    Velho já no conteúdo
    Para ilusão dum povo
    Renovada no entrudo

    A alma foi penhorada
    P'ró esqueleto salvar
    No fim sobrou a ossada
    De quem não pôde emigrar

    São votos que se repetem
    Paz, saúde e alegria
    Mas até isso é penhorado

    Logo a seguir prometem
    O nascer do novo dia
    Onde tudo será melhorado.

    Prof Eta

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    1. Novo Ano...

      Vai dando os primeiros passos
      O dois mil e dezasseis
      Que agora abre os seus dois braços
      Para receber os reis

      Que trazem prendas com laços
      E hão-de chegar dia seis
      À meta dos seus cansaços
      (mas qu`inda vivos vereis...)

      Soem partilhar-se votos
      De saúde e de abundância
      Nestes seus primeiros dias

      E até eu, de bolsos rotos,
      Vou partilhando, à distância,
      Inventadas alegrias...

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o meu abraço de sempre e renovando os votos de um melhor 2016!


      Eliminar
  18. “Futuro urgente”

    O fim teve um início
    O princípio terá fim
    Não será o precipício
    Que faz as coisas assim

    Mas precipita emoções
    Que em tempo de juízo
    Reflecte nas situações
    Não aceita o prejuízo

    Mas no deve e no haver
    Deste bailar permanente
    Sente-se preso o humano

    Àquilo que há-de ser
    Esse futuro urgente
    Que urge no novo ano.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
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    1. Quando do "deve" ao "haver"
      For distância tão tamanha
      Que mal dê para perfazer
      Quanto um estomâgo contenha;

      Convém-nos, então, saber
      Que a situação só convenha
      A quem dela possa obter,
      De lucros, uma montanha

      Porque, a nós, cabe-nos ser
      Quem com tão pouco "se amanha"
      Que mal dá pr´a conceber

      Sobrevivência tão estranha...
      (... e tudo isto há que entender
      antes que o futuro venha...)

      Maria João

      Cá vai, Poeta, reforçando os meus votos de um melhor 2016!

      Eliminar
  19. A qual imagem?

    Se às vezes leio jornais,
    Ou vejo televisão,
    Órgãos ditos sociais
    Para a comunicação,

    Descubro sempre sinais
    Duma interrogação
    Que me assalta a razão
    Por razões sentimentais…

    De um Deus feitos à imagem
    E à sua simetria
    Desse Deus somos miragem,

    Já que ao fim e ao cabo,
    Somos mera fancaria
    Feita à imagem do diabo.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fomo-nos formando, creio,
      Ao "jeitinho" das funções
      Que fomos desempenhando,
      Sem modelos de permeio,
      Pois há mil especulações
      Quanto ao que nos foi moldando...

      Somos seres com competências
      Biológicas concretas
      E com vidas limitadas
      Como os mais, sem complacências;
      Há nascimento, auge e metas
      Que sempre serão cortadas...

      Somos, hábeis, criativos,
      Mas também temos defeitos
      E nem só de qualidades
      Foram dotados os vivos,
      Segundo os velhos preceitos
      Das vivas realidades

      Que foram concretizando,
      Ao longo de milhões de anos,
      Aquilo que vamos sendo
      E nos faz ir especulando
      Sobre os dotes dos humanos
      E o que del`s nos vai cabendo...

      Maria João


      Muito grata pelo seu excelente sonetilho, amigo Eduardo, segue, em sextilhas, a minha resposta, com o abraço de sempre e os meus votos de um melhor 2016!


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  20. “O tinto”

    Vermelho o vinho tinto
    Prás ideias renovar
    Cabeça eu já não sinto
    E o vinho está a acabar

    Vou à tasca do Jacinto
    Para o stock renovar
    Pois até já pressinto
    Raciocínio a regressar

    Ou então é por instinto
    Que o estou a imaginar
    Se estou sóbrio não minto

    Copo cheio é pra vazar
    Se estou ébrio não desminto
    Copo vazio faz-me chorar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Rsrsrsrsrsrs...

      Ah, Poeta, eu não duvido
      Que traga alguns benefícios,
      Se se for bem comedido...
      (façam-se alguns sacrifícios!)


      Por um só copo bebido
      Não se cai nos precipícios
      Em que possa ter caído
      Quem tinto transforme em vícios...

      Poderei mesmo aventar
      Que nos possa proteger
      As paredes das artérias

      Quando, sem exagerar,
      Se possa um copo beber...
      Mas não pr`a esquecer misérias!


      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço de todos os dias!

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  21. “Sou da morte”

    Sou da morte
    Vou viver
    Com um pouco de sorte
    Talvez possa não morrer.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. .. e eu, Poeta,
      Sou da vida,
      Dessa que, em chegando à meta,
      Diz; - Adeus! Estou de partida...

      Maria João

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  22. “Perfeita”

    Imperfeição perfeita
    Pela crítica está sujeita
    À perfeita contradição
    Que lhe atribui a perfeição
    Mas de imperfeição não passa
    Por muito qu’a gente faça
    Só o olhar apaixonado
    Pode pôr a imperfeição de lado.

    Zé da Ponte

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ... não somente apaixonados
      Devem estar os olhos que olham,
      Segundo aquilo que entendo;
      Criticamente apostados
      Devem estar, quando desfolham
      Cada verso que vão lendo...

      Sempre a bem da Lit`ratura,
      Da Língua e da Poesia,
      Deverá ler e escrever
      Cada humana criatura...
      Só o muito bom extasia
      Cada olhar que saiba ver...

      M. João


      Poeta, isto não está mau; está péssimo! Lamento estar mesmo tão "desisnpirada", mas não quis deixar de lhe responder e, mesmo mau, traduz aquilo que penso; deve desenvolver-se o olhar crítico no que toca à poesia, bem como em relação a tudo o mais. É algo que me foi sendo transmitido desde a primeira infância, por alguns dos maiores entre os grandes da poesia portuguesa. Mesmo entre aqueles que não tiveram a oportunidade de estudar aprofundadamente a sua própria língua se encontram enormes talentos. Isso transparece nos poemas, se os soubermos ler objectivamente. Pratico-a desde sempre e cada vez se vai cimentando mais em mim, esta máxima. Por isso me custa responder-lhe de forma a contradizê-lo, pois sou uma crítica acérrima das minhas próprias palavras. Não tive, no entanto, maneira de lhe responder com alguma qualidade poética, uma vez que as pressões externas me conduziram a um estado de grande exaustão mental. Peço desculpa. De momento estou a escrever muito mal pois estou de tal forma "encostada à parede" por uma série de circunstncias que não consigo concentrar-me na melodia poética.

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  23. “Solstício”

    Há religiões de paz
    E religiões de guerra
    Não vi nenhuma capaz
    De trazer a paz à terra

    A paz não é negócio
    A guerra gera milhões
    Suficiente para o ócio
    À custa das multidões

    Não prevejo equinócio
    Nem subsequentes verões
    Capazes de gerar mudança

    Nem criação dum consórcio
    Aglutinador de religiões
    Criador de paz e esperança.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tão pouco eu vejo, Poeta,
      Pois, cada vez vendo menos,
      Cada vez s´tou mais distante
      Duma poética meta...
      Crio uns versitos pequenos
      E logo, no mesmo instante,
      Vejo a coisa ficar preta

      Pois, bem contra o meu costume,
      Só falo da minha vida,
      Só penso na minha casa
      Temendo que ela se esfume
      E que eu fique, então, perdida,
      Sem inspiração... nem asa!

      M. João

      Poeta, acho que nunca, em toda a minha vida, estive tão "desinspirada" quanto estou agora... aqui vai o possível, com o abraço de sempre!

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  24. “Poema de má vida”

    As palavras andam loucas
    Fugiram p’ra parte incerta
    Só sobraram umas poucas
    E o poema não desperta

    Tornou-se inconveniente
    De carácter desprovido
    Chega a ser um insolente
    Pois de palavras despido

    Ficando nu e à mercê
    Do calão que o assaltará
    Sendo pobre e mal parecido

    E desta forma logo se vê
    Que este poema nascerá
    Assim da má vida parido.

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    Respostas
    1. É certo que se me escondem
      As palavras que abundavam...
      Chamo-as; nunca me respondem
      As que sempre me sobravam...

      Não sei que vida farão,
      Se boa, se má, não sei...
      Sei que, um dia, voltarão,
      Mas nunca tanto as chamei...

      Tanto as amo e, bem escondidas,
      Por muito que as chame agora,
      Parecem estar decididas

      A irem todas embora
      Essas que, hoje, andam perdidas
      Da sua dona e senhora...


      Maria João

      Poeta, foi tudo o que me ocorreu responder-lhe... as palavras parecem mesmo andar a fugir de mim...

      Abraço grande!

      Eliminar

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