EVENTO AVL - O MEU PATRONO VISTO POR MIM
Patrono: Manuel Maria Barbosa du Bocage
Académica: Maria João Brito de Sousa
Cadeira:06
BOCAGE
(Soneto em decassílabo heróico e rima encadeada)
Manuel Maria foi vate erudito
Que fez, do verso escrito, o seu combate,
Ousando algum dislate, usando o grito
Que de si fez proscrito, embora vate...
Sonetos de quilate eu lhe credito
Num breve plebiscito em que arrebate
E abarque o que o meu vate deixou escrito;
Seu estro, esse infinito, e seu remate!
Barbosa du Bocage, o dos sonetos,
Homem de mil trajectos, que reage
Improvisando, o que age sem projectos
E que em versos directos, tece ultrage
Aos "nobres" - "quel dommage!"*- mais infectos,
Mas nunca aos seus dilectos: - Eis Bocage!
Maria João Brito de Sousa -07.07.2016 - 14.00h
* "Quel dommage!" - Que pena!, em francês.
Ando há muito a pensar em dedicar
ResponderEliminaruma série de posts a Bocage
mas a espuma dos dias
a luta e algumas alegrias
desviam-me de tal desígnio
quando calhar, começarei por isto
tão bom ou melhor
que o seu auto-retrato
Fico muito contente por sabê-lo, Rogério e muito agradecida por fazeres deste meu esboço de Bocage o primeiro post dessa série.
EliminarFui eu que escolhi o meu Patrono, quando isso me foi solicitado pela AVL e o nome dele ocorreu-me de imediato, um pouco por considerar que foi um dos maiores sonetistas de sempre e outro tanto por me ter ido apercecebendo ao longo dos anos de quão pouco reconhecido ele tem sido nessa qualidade; a de ENORME sonetista.
Pelo menos "na banda de cá do Tejo", apenas o episódios mais caricatos da sua vida andam de boca em boca, assim que o seu nome é mencionado, como se a sua obra poética nunca tivesse existido, nem tivesse tido o imenso valor literário que indubitavelmente tem.
Forte abraço!
Maria João
“Essência”
ResponderEliminarSó quem pensa não morrer
Só quem pensa não jantar
A morte deve temer
Fome o vai incomodar
Só quem pensa não escrever
Só quem pensa não pensar
Letras o podem vencer
Cérebro o vai aniquilar
Morre, janta, escreve e pensa
Não te deixes importunar
Segue uma lei universal
Que não aceita a sentença
De quem possa querer mudar
A essência enquanto tal.
SEM RSI...
EliminarNão sei se penso que penso,
Ou se nem chego a pensar...
Um dia até me convenço
De que jantei... sem jantar...
Vou tendo, porém, bom-senso
De ter -se o puder pagar...-
Aquilo que não dispenso
Quando a fominha apertar...
Sigo, sem contrariedade,
Essas leis universais,
Mas mantenho identidade
Até que as coisas formais
Decretem que a validade
Está no fim,dando sinais...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o forte abraço de sempre!
“Durões”
ResponderEliminarMassa humana é massa
Mas por tanto mais querer
Por vezes já não disfarça
O que tanto quer esconder
Como punhal que trespassa
Faz a guerra por fazer
Mas por mais guerra que faça
Jamais conseguirá vencer
Vemos baixas infligidas
P’la constante intervenção
De um poder alucinado
Para que umas poucas vidas
Possam ser como não são
Todo um povo trucidado.
Nas manobras intrusivas
EliminarDas "guerras comerciais"
Dão-se invasões abusivas
De escolas e de hospitais
E as guerras, sendo "banais",
Tornam as gentes cativas;
Tanta guerra é guerra a mais
Arrasando expectativas
De povos... povos inteiros
Que aspiravam a ter viver
E que são sempre os primeiros
Dos primeiros a morrer
E a ser feitos prisioneiros
Da ganância do poder...
Maria João
Aqui vai, Poeta, enquanto me preparo para sair. Abraço grande!