GLOSANDO O POETA JOÃO URAGUE FILHO

clave.jpg



A PALAVRA AMOR


 


Era só uma palavra simplesmente,
Que fora do contexto delirava;
E dada a sua natureza escrava,
Uivava à solidão avidamente.





De súbito o amor por quem bradava,
Por quem se lhe não dera de repente;
Vestiu-se de lampejos por quem sente,
E refulgira ao sol porquanto amava.





E às asas se soltara aos céus de opala,
Sobrevoando por vales e colinas,
Mentindo nas estrelas quanto cala;





Depois exausto aos ventos e à neblina,
Pousou qual beija-flor onde trescala,
Perfumado nuns lábios de menina!





João Urague Filho








PALAVRA(S)








"Era uma só palavra, simplesmente",


Que só de uma palavra eu precisava


Pr`a voar sobre a côr que nela achava,


Pr`a tocá-la e deixá-la dar semente...





"De súbito, o amor por quem bradava",


Nasceu, cresceu, tornou-se mais urgente


E, duma só palavra brotou gente


Que muitas mais palavras lhe juntava





"E às asas se soltara aos céus de opala"


Como se da palavra, inda menina,


Nascesse, gloriosa, a própria fala...





"Depois, exausto aos ventos e à neblina",


Decido reduzi-la à antiga escala,


Mas logo outra (re)nasce e me ilumina...





Maria João Brito de Sousa - 08.07.2016- 16.50h


 


 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER