NOVE ANOS, POR AMOR, MOLDEI, ESCULPI...

OLEIRA.jpg


 


 


(Soneto em decassílabo heróico)





Nove anos, por amor, moldei, esculpi,


Fui dando forma ao barro da palavra;


Nove anos, sol a sol, servi, qual escrava,


Na voz do verbo, o barro em que nasci!





Nove anos, por opção, não desisti


Dessa labuta que por mim clamava


E nove anos a fio sobrevivi


Dos parcos frutos que esse ofício dava.





Por outros nove, ou mais, resistiria


Se esta vida tão só mos concedesse;


Mais nove vezes nove os moldaria





No barro da palavra... se o pudesse,


Pois quem do barro vive, em barro cria


As palavras, nas quais se reconhece.


 





Maria João Brito de Sousa - 23.06.2016


 


 


 


 

Comentários

  1. “O resultado”

    Sei tudo sobre o universo
    Mas nada, do simples ser
    Sou o mago do progresso
    Que me asfixia ao nascer

    O mundo está à nossa porta
    Mas ninguém o deixa entrar
    Muito mais que isso importa
    Deixarmo-nos asfixiar

    Deste pacto com o mal
    Que não interessa discutir
    Todos vêem o resultado

    Somos o ser universal
    Mas que está a sucumbir
    Por ter sido asfixiado.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Outra Perspectiva

      Sei tão pouco... quase nada
      Do tanto que há pr`a saber
      Sobre a Vida, essa encantada
      Força de aqui estar e ser,

      Que, pobre de mim, coitada,
      Só posso fazer valer
      O pouco que sei da "estrada",
      Quando à Ciência recorrer...

      Não sei se há "pactos c`o mal",
      Mas sei que os há c`o dinheiro
      E acaba por ser igual,

      Porque anda este mundo inteiro
      Numa cegueira fatal,
      Fomentando esse "atoleiro"...

      Maria João


      Com um grande abraço e os meus votos de um Feliz Natal, aqui vai o esboço de uma outra perspectiva, Poeta!


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