CONVERSANDO COM FLORBELA - (Vidas e pontos de vista)

Florbela Espanca - retrato desenhado.jpg


 


A MINHA TRAGÉDIA


*





Tenho ódio à luz e raiva à claridade


Do sol, alegre, quente, na subida


Parece que a minh`alma é perseguida


Por um carrasco cheio de maldade!


*





Ó minha vã, inútil mocidade,


Trazes-me embriagada, entontecida!...


Duns beijos que me deste noutra vida,


Trago em meus lábios roxos a saudade!...


*





Eu não gosto do sol eu tenho medo


Que me leiam nos olhos o segredo


De não amar ninguém, de ser assim!


*





Gosto da Noite imensa, triste, preta,


Como esta estranha e doida borboleta


Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...


*





Florbela Espanca





In "Livro de Mágoas"





6749197_pgiD1.jpeg


 





UM POUCO DE MIM


*








Eu, em compensação, gosto dos dias,


Do Sol, do brando afago de uma brisa,


Do meu passo a deixar no chão que pisa


Um rasto de pequenas utopias.


*





Gosto das mil serenas melodias


Duma planta que cresce e se enraíza


E, tanto quanto sei, não sou juíza,


Nem de homens, nem de humanas bizarrias.


*





Nunca odiei ninguém, mas... raivas, tenho!


Há, com efeito, coisas que desdenho


Sempre que me pareçam ser nocivas;


*





Crenças humanas contra as quais me empenho


Quando pr` analisá-las me detenho


E as sinto injustas, fúteis, destrutivas.


*








Maria João Brito de Sousa - 24.04.2017 - 13.49h








 

Comentários

  1. “Bolhas de sabão”

    No mundo em guerra fria
    Fervilhante de emoções
    Aproxima-se o novo dia
    Livre de tod’as explosões

    Eclodiremos em alegria
    Depois de tod’as revoluções
    Como há muito não se via
    Carregados de chavões

    E os asteróides de papel
    Transformados em ilusão
    Iludirão o assustador

    Viveremos num carrossel
    Ou numa bolha de sabão
    Sem espreitar o exterior.

    ResponderEliminar
  2. “Alteração de projecto”

    Deus animou o barro
    Com o desígnio do amor
    Homem fumou um charro
    E tornou-se num infractor

    Veio depois o bizarro
    Do dinheiro foi inventor
    Vil metal foi o escarro
    Dos escroques do terror

    E assim a humanidade
    Viu seu projecto alterado
    Ao invés do Deus primeiro

    A outro deu prioridade
    E o amor foi renegado
    Em favor do deus dinheiro.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu estrebucho, Poeta...
      A febre e as dores
      Desta pielonefrite que me afecta,
      Mal me deixam falar de outros horrores

      E nem sequer há nada que prometa
      Que vou sobreviver... ó mundo às cores,
      Já bem negro te vejo junto à meta
      De tantos e tão duros dissabores..

      Maria João

      peço desculpa,Poeta, mas não consigo escrever mais nada. Estou muito gravemente doente e se não reagir à Ciprofloxcina até ao final da noite de hoje,terei de ser internada. Abraço dorido e assustado.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER