UMA VAGA PARA OS QUE NÃO CABEM NO POEMA

UMA VAGA PARA OS QUE NÃO CABEM NO POEMA
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Talvez passe a haver vagas no poema
Quando a sonegação ousar passar
Com os sacos de compras por pagar
Por não ter solução pró seu problema,
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Ou quando a água for primeiro tema
Da sede do poeta que sobrar
Porque comer pão seco no jantar
Deixou de ser excepção, passando a lema.
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Cabe o operário, mesmo excedentário,
Em qualquer canto de qualquer armário,
Numa gaveta ou numa prateleira
*
Em que se esconda a fome de um salário,
E eu aposto que, bem pelo contrário,
As vagas vagam de qualquer maneira.
*
Maria João Brito de Sousa – 15.07.2018 – 11.11h
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(Na sequência da leitura do poema “Não há Vagas”, de Ferreira Gullar)
Tela de Cândido Portinari
De razão escreve o teu Coração
ResponderEliminarBeijinhos e um bom e feliz dia
Olá, Anjo!
EliminarÉ verdade, a minha razão e o meu coração andam quase sempre em grande sintonia
Feliz dia para ti
“Rastejantes”
ResponderEliminar“Mas... se pudesse estaria!”
Vou bebendo uma cerveja
Vou chorando de alegria
Que a malta assim deseja
E a rir vou passando o dia
Pra que a mágoa não se veja,
Era assim que se escondia
O que da mágoa sobeja…
Por fim nada sobejou
Destes dias alucinantes
Pois a festa terminou
Voltou ao que era dantes
O universo relampejou…
Voltámos a ser rastejantes.
Voltámos a rastejar?
EliminarMas se eu nunca rastejara,
Sempre optara por voar,
Sai-me a coisa muito cara,
Nem sei se a vou exp`rimentar
Ou se fico na antepara
A pensar, sempre a pensar,
Se alguma vez me magoara...
Cerveja, não beberia!
Sabe-me mal, quente ou fria...
Opto pelo meu chazinho!
Quem sabe, talvez um dia
Eu vá mesmo à romaria
Beber um copo de vinho?
Maria João
Cá vai, com outro abraço, Poeta!
Forçando a vaga
ResponderEliminarQue venha a vaga de fundo
Uni-vos, operários de todo o Mundo
Rebentai com o armário
E que passe a ser humano, o salário
É esse o espírito. Melhor; é essa a atitude, caro anónimo!
Eliminar“Rumando”
ResponderEliminar“Eu vá mesmo à romaria
Beber um copo de vinho?”
Se algo me afligiria
Viria logo bem limpinho
Não sei é se seguiria
Assim todo direitinho
Mas quem de fora veria
Até gozava o pratinho
Entretanto vou rumar
Até mais nobre paragem
Deixando as uvas em paz
Já não sei onde vou dar
Pois o cérebro em paragem
De lembrar não é capaz.
LEMBRANDO
Eliminar"De lembrar não é capaz"
À primeira, de repente,
Mas logo a memória audaz
Corre mais fluentemente
E sabe aquilo que faz,
Não derrapa, imprevidente,
Tornou-se astuta e loquaz
E, em sendo eficaz, não mente.
Conhece os cantos à casa
E quando entra logo arrasa
Porque é ímpar no que diz.
Vai um copo?, lhe pergunto
Tentando mudar de assunto,
Apesar de estar feliz...
Maria João
Cá vai, Poeta. Se eu não me tivesse esquecido do vinho para temperos, oferecia-lhe um copito Outro abraço!
“Tintos e assuntos”
ResponderEliminar“Tentando mudar de assunto,
Apesar de estar feliz...”
Amiúde me pergunto
Porque não vejo o nariz?
Não faz parte do conjunto?
Ou não sei aquilo que fiz?
Venha mais desse presunto
É o tinto quem o diz…
Na tasca do Ti Jacinto
Já ninguém se contradiz
Afogou-se a contradição
Em mil e um copos de tinto
Sobram os ossos da perdiz
E nem as côdeas do pão.
"Em mil e um copos de tinto"
EliminarVendidos nesta taberna,
Dois partiram? Não consinto!
(Regras de casa materna)
Quanto ao fogo, esse foi extinto,
Alguém tombara a lanterna
Sobre uma taça de absinto
Que outrém tinha sobre a perna...
Senhor, quanto ao seu nariz
E ao nariz de toda a gente,
Pode sentir-se feliz;
Assim melhor olha em frente!
Se quiser, faça o que eu fiz,
Não pergunte inutilmente...
Maria João
Cá vai, Poeta! Abraço!!!
“Sobretaxados”
ResponderEliminar“Não pergunte inutilmente...”
Senão paga sobretaxa
Siga lesto e em frente
Não seja dos que se agaxa
Só paga a triste gente
Que é feita de borracha
Contorce-se inutilmente
Afoga-se na maré baixa
Pobre povo tão inútil
Que só serve pra pagar
Mordomias ao burguês
Que esbanja no que é fútil
Pois não lhe custa ganhar
Donde trabalharam uns dez.
"Donde trabalharam dez",
EliminarTrabalha mais uma agora!
Taxa? Que a pague o burguês,
Ou vou já daqui pra fora!
Não me torço uma só vez
(nem que o quisesse, senhora,
que este colete é má rês,
deixou-me hirta que nem tora)
Sempre foi útil, o povo,
Não digo nada de novo
Porque a História assim o narra,
Mas podia pensar mais
Nas condições anormais
Dando uma folga à guitarra...
Maria João
Acho que já foi Morfeu quem escreveu por mim, Poeta... outro abraço!
“Sete saias”
ResponderEliminar“Dando uma folga à guitarra...”
Trovas de amigo cantando
Soltando a velha amarra
Seguimos sempre marchando
Que este povo é um barra
De marchinha se tratando
No Sto António esbarra
Sete virgens vão casando
Menina das sete saias
Cada uma, uma virtude
Do sítio da Nazaré
Ó São Pedro levantaias
Que o São João te ajude
E nós ficamos ao pé.
"E nós ficamos ao pé"
EliminarNa contemplação da Trova
Que nos mostra como é
Que o poema se renova.
Vai, em África, à Guiné,
Chega a pôr a Morna à prova,
No Brasil, vai ao sopé,
Do Redentor. Bossa-Nova
Contagia, dá-lhe a graça
Da mulata que embaraça
Todos com sua beleza
Porque a trova é mesmo assim,
Vem de ti, salta pra mim,
Vem cear à nossa mesa.
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço trovado de sempre!