VÔOS CRUZADOS EM SONETO ALEXANDRINO

VÔOS CRUZADOS EM VERSO ALEXANDRINO
*
Voar, voar, voar, ainda que por dentro,
ainda que sem tento, ainda que a lembrar
as ondas do meu mar nos braços do meu vento
e os rasgos de talento a que eu puder chegar
*
E decompõe-se o ar do qual eu me sustento
em espasmos de ouro lento e raios de luar
que ficam a pairar num pasmo sonolento,
sonhador, mas atento a tudo o que encontrar
*
Bastava-lhe sorrir. Nada porém bastou
quando o olhar focou no que estava por vir,
mas sem o omitir, nunca o justificou.
*
Nesse dia acordou para não mais dormir
apesar de sentir o quanto lhe pesou
tudo o que ultrapassou pra não escolher fugir.
*
Maria João Brito de Sousa – 23.11.2018 – 05.35h
Ê lááaaaa
ResponderEliminarinspiração tal uma Fonte
a cada dia que sacia
seja que olhar
Bom e feliz fim de Semana aconchegado
beijinhos de aqui dos frios Serranos
Obrigada, Anjo
EliminarBom e feliz fim-de-semana para ti, que aqui, o estuário também está friiiio
Bjinhos
Mais um soneto que muito gostei de ler.
ResponderEliminarAbraço e bom fim de semana
Muito obrigada, Elvira :)
EliminarAbraço e um excelente fim-de-semana.
“Aparências”
ResponderEliminarTodos nós e a aparência
Que parece o nosso ser
Entre laivos de escorrência
Que teimam não parecer
Moldam a sobrevivência
Fruto de universal saber
Oferecido com insistência
A quem queira perceber
E assim a velha proposta
Do saber fundamental
Que parecia enterrada
Pode ser a nova aposta
Muito mais que um sinal
Da aparência renovada.
Técnicas de Optimização de Resultados
Eliminar"Da aparência renovada"
Vou vendo muitos sinais;
Uns, não conduzem a nada,
Outros, são bem radicais...
Estou muito bem situada
- Já assim estavam meus pais... -
Prá medir, distanciada
Dos padrões que são gerais;
Se pareço estar calada,
Prisioneira o meu cais,
Pareço de forma errada
Porque, daqui, vejo mais
E, se a vista está cansada,
Paro e fico a ler jornais...
Maria João
Cá vai outro, Poeta, sempre escrito imediatamente a seguir à leitura o seu, fruto do primeiríssimo impacto. Outro grande abraço!
“Sinais”
ResponderEliminarO ciclo foi invertido
Em face do vil metal
O ser está comprimido
Entre o bem e o mal
Equilíbrio destruído
Novo fulcro é vital
Se a tempo entendido
Como o novo sinal
Tudo será decidido
Em assembleia geral
Todo o mal infligido
Não chega a ser fatal
Pois ficará definido
Que o ser é fundamental.
Prof Eta
Factos
Eliminar"Que o ser é fundamental"
É ponto reconhecido,
Aceite e universal,
Muito embora ande esquecido
Plo consumismo global
Que nos tem empobrecido
Porque é sempre desleal
Na ânsia de ser seguido.
No entanto, há que lembrar
Que alguma coisa há que ter
Pra podermos avançar
E não só sobreviver
Do nada que nos calhar
Se nada houver pra comer.
Maria João
Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço de sempre!
“De lambreta”
ResponderEliminar“Se nada houver pra comer”
Como disse a Antonieta
Croissants devem lamber
Ou outros bolos da treta
Não terão nada a perder
Assim que toque a sineta
Não desatem a correr
Vão é todos de lambreta
Direcção ao barlavento
Ou outra do vosso agrado
E se a fome apertar
Parem junto ao parlamento
Na cantina é ofertado
O que possam desejar.
Prof Eta
Multinacionais Obesas
Eliminar"O que possam desejar",
Pode estar nessa cantina,
Mas cabe-me perguntar
Se não será pequenina
Para a fome que grassar
E a sede que nos domina,
Quando essa fome aumentar
E a sede for assassina?
Melhor será ir pensando
Nessas multicionais
Que se vão abarrotando
Com o devido aos demais,
Nossa fome agigantando,
Sem disso nos dar sinais...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com outro abraço!
“Notícia à beira mar”
ResponderEliminar“Paro e fico a ler jornais…”
Bem junto à beira mar
Pois que nunca são demais
Se nascem pra m’enganar
Esses e outros que tais
Já não os posso aturar
Mas digo a vós que passais
Podeis neles confiar
São a verdade perfeita
Pois transformam a mentira
Naquilo que o povo gosta
Realidade está desfeita
Mas se a notícia gira
Vê povo a tua resposta.
Lendo a Notícia
Eliminar"Vê povo a tua resposta"
À pergunta nunca feita
Por gente pouco disposta
A más graças ser sujeita
E se a pergunta for posta
De forma nada suspeita,
Pensa que há gente que gosta
De sujeitar-se à tal seita...
Tenta ir conhecendo bem
As linhas com que te coses
Não aquilo que se obtém
De azinheiras que dão nozes;
Daí, nada bom te vem,
E são muitas, essas vozes.
Maria João
Peço desculpa pela demora, Poeta. Estava a trabalhar no Office e, depois, recebi um telefonema urgente.
Outro abraço!
“Sinais de fumo”
ResponderEliminar“Sem disso nos dar sinais”
Os de fumo não os vi
Mensagens de tão banais
Já não se ouvem aqui
Calais e observais
Escutais não transmiti
Falastes um dia demais
O eco não reproduzi
Perdeu-se tod’a mensagem
Ficou suspensa no ar
Nunca mais a naveguei
Mas devido à voragem
Fiz a minha lança ao mar
Remando lá me afundei.
MESSAGE IN A BOTTLE
Eliminar"Remando lá me afundei",
Como todos nós, um dia,
Mas do muito que remei
Ficou-me a sabedoria
E se à costa não cheguei,
Foi por falta de energia;
Na velhice naufraguei,
Sem chegar à Trafaria...
A mensagem que deixei,
Numa garrafa seguia
E eu nunca saberei
Se ela à praia chegaria;
Confesso que até pensei
Que um peixe a engoliria...
Maria João
Cá vai outro, Poeta. Abraço!