JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE...
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JÁ NÃO HÁ SETEMBRO QUE ME ENCANTE
*
Não, já não há Setembro que me encante.
Ele é prenúncio de outro longo inverno
Que a experiência de vida me garante
Não ser amável, nem gentil, nem terno.
*
Passa Setembro - e passa num instante...-
Para que jogue Outubro o jogo eterno
Do beijo frio que entrega de rompante
E ao qual temo bem mais que ao próprio inferno.
*
Bem sei! Bem sei que o ciclo é natural,
Por isso nem sequer o levo a mal,
Apenas me limito a ser sincera.
*
Se afirmo que este mês me não fascina
É porque estou tão frágil, tão franzina,
Que temo pela vida. E fico à espera.
*
Maria João Brito de Sousa – 03.09.2019 – 11.00h
Imagem retirada daqui
Compreende-se perfeitamente. Os ossos recomeçam...
ResponderEliminarFinalmente vou começar a divulgar os textos de "Poetar - partilhar.com." Saúde! E parabéns, sempre, pela forma galante como faz das tristezas...Força!
Francisco
https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/poetar-partilhar-com-mar-participantes-188768
Muito obrigada, Francisco!
EliminarA minha presença nos blogs tem estado reduzidissíma, por motivos de saúde, de falta de acuidade visual e... outros que prefiro nem mencionar.
Irei agora mesmo visitá-lo, mas a minha actividade enquanto "blogger" continuará irremediavelmente comprometida.
Abraço
Há Setembros assim
ResponderEliminarmas também os há de esperança
mas também os há de confiança
A ti desejo um Setembro
ameno
como se fosse Primavera
Obrigada!
EliminarPara mim,tudo o que agora mais desejo é não passar outro inverno no hospital, mais lá do que cá e a tiritar de frio...
Abraço
Na verdade, Setembro é prenúncio do fim do Verão,
ResponderEliminarmas este até que chegou quente e soalheiro.
Vamos deixar de lado as tristezas,
vamos ter esperança e acreditar que o Inverno
seja morno e doce...e, porque não? Milagreiro!
Apesar de triste adorei este belo Soneto, Maria João.
Um beijinho.
Verdade, Janita! Este Setembro nasceu alegre e quentinho, talvez para compensar o facto de termos tido, aqui, na zona da Linha, o Verão mais frio dos últimos setenta anos
EliminarQuanto a deixar de lado as tristezas e as situações bem reais que as provocam... não me parece o ideal. A poesia é Vida e a Vida compõe-se de alegrias e tristezas.
Contra a maioria das situações que provocam tristezas, injustiças e frustrações, podemos - e devemos! - lutar. Contra outras, não.
Na minha opinião, bem como na de todos os grandes poetas com quem convivi na infância e adolescência, em caso algum devemos empobrecer a poesia, despojando-a daquilo que realmente, genuinamente, sentimos. A poesia não é nem deve ser uma sucessão de ideias "politicamente correctas".
Os meus invernos , tal como os invernos de todos os idosos e doentes crónicos que sobrevivem de subsídios de miséria, são verdadeiros infernos. Essa é que é a verdade e eu não me coíbo de o afirmar, ainda que tenha de correr o risco de que pensem que apenas falo por mim.
Voltando atrás e porque este Setembro está mesmo muito ensolarado e quentinho, muito obrigada pelas suas palavras de ânimo
Um grande beijinho
Pois é verdade verdadinha
ResponderEliminarque estes nossos ossitos aflitos
até estalam
Bom resto de Semana
e coragem para mais um Inverno
do nosso caderno, Beijinhos MJ
Olá, Anjo!
EliminarNão são só os ossos, infelizmente... no meu caso são os pulmões, o coração, os rins e os tristes efeitos das malvadas viroses que vêm com o frio...
Por enquanto vou aproveitando este Setembro quente, mas em breve estarei tão coberta de roupa que mais parecerei uma trouxa ambulante.
Beijinhos e obrigada!
Mais um belo poema, como é seu timbre. Nunca saio daqui de mãos a abanar.
ResponderEliminarO mês de setembro é triste, não porque ele mesmo seja triste (bem pelo contrário!), mas por causa do inverno que está para vir e que setembro anuncia, com o crescimento acelerado das noites e o correspondente encolhimento dos dias.
Para mim, setembro é um mês que me encanta, pois o sol deixa de queimar para se tornar morno e dourado, e começam a tornar-se douradas, também, as folhas das árvores. Quem diz setembro, diz outubro ou mesmo a primeira quinzena de novembro (não esqueçamos que é em novembro que ocorre o "Verão de S. Martinho"), até que de repente, entre meados de novembro e princípios de dezembro as temperaturas descem a pique, as chuvas caem desabaladamente do céu e o inverno cai em cima de nós de repente, sem nos dar tempo de dizer «ai». Que haveremos de fazer? É a lei da Natureza.
É muito fácil falar assim, quando se é calorento como eu sou. Mas a Maria João, pelos vistos, sofre verdadeiramente com o inverno. Não tenho, por isso, autoridade para lhe recomendar que procure aproveitar estes dias de setembro que ainda são quentes (e quanto!), sem se lembrar do que nos espera no inverno. O inverno há de vir, quer queiramos ou não, mas «enquanto o pau vai e vem folgam as costas».
Votos de muita saúde (a que for possível, pelo menos).
Muito obrigada, Fernando.
EliminarTem toda a razão e é isso mesmo que vou fazendo. Alimento-me de cada segundo destes dias mornos e dourados, antes que o ceptro gelado do Inverno me caia em cima, se não para levar-me de vez, pelo menos para infernizar-me a vida durante uns largos meses.
Aceito (quase) tudo, menos passar outro inverno no hospital, mais para lá do que para cá , sem sequer poder escrever. Ainda que tivesse olhos e braços para tanto, a criatividade evapora-se-me sempre que estou entre a vida e a morte.
Forte abraço
Poetisa,
ResponderEliminarDeus dar-te-á tantos setembros quantos janeiros, porque o poeta vive mais do que o comum dos homens, justamente porque vive para nos trazer o encanto e não o pranto.
Já disse outro poeta que a morte é "engustia de quem vive". Digo-te eu: A vida é a lida de quem ama o viver, o sonhar e o poetizar.
Espero-te aqui sempre em vida a nós trazer saudades, sonhos e alguns desenganos, pois pela vida todos lutamos.
Esqueci de identificar-me nesse comentário.
ResponderEliminarEstou do outro lado do Atlântico também vivendo a poesia com amor e euforia.
No pequeno comentário supra há algumas omissões como angustia em vez de angústia e nós no lugar de nos, as quais agora corrijo.
António Ferreira,
Belém - Pará - BRASIL