NÃO ESPERO, NÃO PROMETO, NEM O JURO...

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NÃO ESPERO, NÃO PROMETO, NEM O JURO...
**



"Desatando este nó que me amordaça"


Desfiando a meada em contra-mão


E enrolando o fio que se embaraça


Nas tralhas que guardei no coração,
*



Já voei de ameaça em ameaça


Até pousar de vez neste meu chão


Levada pelo vento, esse que passa


De suave harpejo à fúria de um tufão...


*



Não penso, não prometo, nem o juro


E posso garantir que o nem procuro;


Acontece-me sempre que o não espero


*


Soltar-se assim, genuinamente puro,


Um grito verde que nasceu maduro,


Sereno e tão cortante quão severo.
*


 


Maria João Brito de Sousa - 01.08.2020 - 11.55h
*


 


(Poema criado a partir do primeiro verso do soneto JURO II, de MEA)


 


Imagem retirada daqui

Comentários

  1. "Povo convencido"

    Quando eu já nada sei
    Do pouco que não esqueci
    Sento-me à beira do rei
    E faço de bobo que ri

    Porque nunca governei
    Sinto apenas do que vi
    Por certo não me enganei
    Mas enganado eu vivi

    Somos todos, um só povo
    Que ao povo tudo pertence
    Enquanto este está unido

    Mas agora, um dado novo
    Morre o povo se se convence
    De nada haver-se esquecido.

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    Respostas


    1. VER-SE POUCO E MAL...
      *

      "De nada haver-se esquecido"

      Quando se esqueceu de tudo,

      Pode andar-se convencido

      Do mesmo com que eu me iludo
      *

      Por não ter visto, nem lido

      Aquilo a que agora aludo...

      Têm-me os olhos traído,

      Já não sou mulher de estudo.
      *

      Leio pouco, ou quase nada

      E é tão devagar que escrevo

      Que me parece inseguro
      *

      Continuar a escalada

      Com toda a carga que levo

      Do presente, pró futuro...
      *

      Mª João

      Abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  2. Ah, Deus meu...
    quisera eu ter uma centésima parte
    desse seu talento para poetar
    e que feliz me sentiria
    versejar não é fazer poemas
    pois isso requer mais sabedoria.

    Adorei este soneto que não espera, não promete e não jura....mas tudo faz e é capaz!

    Beijinhos, Maria João.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Janita!

      Este devo-o a um primeiro verso de um soneto da MEA - Maria da Encarnação Alexandre - cuja musicalidade me deu o "empurrão de saída"

      Muito a sério, cada vez me vai custando mais ler e escrever... quando chego a esta hora, já tenho a cabeça a "estalar" devido ao excessivo esforço ocular. Mas a verdade é que também não sei viver sem ser a fazer exactamente isso...

      Beijinho, Janita

      Eliminar
  3. (tão bonito, isto!)

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    Respostas
    1. Bons olhos te vejam por aqui tão cedinho, Rogério

      Obrigada e um abraço!

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